Que idade tem você vovô?



Quando a gente ainda quer ser criança...todos os velhos gostam ainda de jogar com a juventude, e nestes dias de páscoa, é dias que se renasce e se quer viver alegre.

Entrei com meus netos procurando ovos escondidos, por minhas filhas para ver quem encontrava mais vida.

Esta coisa de ovos vem de muito longe, e adotada pela religião católica, cerca do ano 350 depois de Cristo, como símbolo do renascimento da vida; mas isto vinha dos Chineses e depois do Egito... lendas e tradições.

Tinha meu celular de imergência do carro que precisava de carta e de acrescentar mais dois números de amigos.
Pedi ao mais velho para o fazer, o que ele me perguntou... você não sabe?...que idade tem o vovô?...

Depois de pensar um pouco me lembrou de coisas que tinha escrito. E lhes respondi... nasci antes do ter nascido a penicilina; antes de descobrirem a vacina do pólio, onde tive uma sobrinha que ficou parcialmente paralisada com isso, diziam que foi um ar ruim... tal era a ignorância; quando nasci ainda não havia comida pronta congelada; não existiam máquinas de gravar ou de copiar; não existia preservativos em pastilhas, havia quem tomasse essas borrachinhas pela boca e fizesse ensacado; não existiam contacto lentes; ainda ninguém falava em radar; muito menos cartas de credito esse tal dinheiro plástico; não existiam esferográficas; nem luz lazer; as mulheres ainda vestiam meias de risquinha, não tinham inventado as meias calcinhas; o ar condicionado eram leques ou abanadores; cada mulher ou moça era uma máquina de lavar louça; as máquinas de secar era uma corda no quintal, a roupa ficava cheirosa se tivesse flores por perto e a frescura do ar.

Nesse tempo apenas Júlio Berne pensava ser possível a viagem á lua.

Eu casei-me com a Vozinha antes de ter vivido com ela; eu já não tinha pai á muito anos, mas a Vozinha tinha pai e mãe, a quem eu lhe chamava Sr. Pai e Sra. Mãe.

Todas as pessoas mais velhas as tratava por você, por Sr, ou por Senhora.

Quando casei pouco se falava em gays. E nada em lésbicas, esses não tinham direitos, eram mariquinhas.

As fábricas em Portugal tinham creches para guardar as crianças nas horas de trabalho das mulheres, estas tinham 20 minutos para dar os peitos aos filhos até a ter ano e meio.

Os homens esses perdiam mais tempo a fumar.

As nossas vidas, eram quase governadas por lendas, e quase todos tinham medo de andar de noite sozinhos, e passar em sítios escuros.

As sombras fazia arrepiar os cabelos e até correr.

Aprendíamos o direito do torto quase sempre pelo medo e os dez mandamentos, ou então por aquilo que julgávamos ser justo e direito.

As histórias moralistas eram nossos melhores professores... eu e alguns colegas odiávamos os padres. Eles tinham o direito de ficarem na sacristia com as nossas moças e nos tínhamos de fugir deles quando eles vinham passar e nós a namorar.

Mas ainda o pior era vermos que algumas mulheres depois do confesso ainda passavam pela sacristia.
A primeira vez que vi arroz empacotado e outros comestíveis foi quando imigrei para a França; em Portugal era tudo nas caixas, onde os ratos se serviam e podiam mijar e caganitas apareciam.

Ali entre aquela gente que quase nada entendia era feliz pelo privilegio de poder ai trabalhar; ter amigos era uma grande alegria, e a família acarinhada.

Ficamos longe de irmãos pais primos e amigos, era com eles que fazíamos nos jogos e contávamos nossas historias moralistas; cantávamos nossas modas, e não tínhamos nada desse alto-falantes que vocês metem nos ouvidos.

Sou do tempo que não havia eletricidade na grade maioria das casas da aldeia. Poucos rádios, e não existiam gravadores, nem maquinas de escrever elétricas, quando se perguntava como vais na escola, era o mesmo que perguntasses escreves com muitos erros, e os erros determinavam o aprender da pessoa.

No tempo em que fui para a França ainda não havia pizza ou MacDonalds.

Ninguém falava em café instantâneo, ninguém falava em creme gelado, apenas rebuçados, cada cor seu paladar.

Telefone avia um a dois quilômetros de minha cassa e era preciso dar manivela para a campainha tocar.

Carros havia lindos descapotáveis mas eram mesmo para gente real; pena porque a gasolina era a 10c o litro depois da guerra.

Falava-se em drogaria, mas isso era onde se comprava tinta e pregos tachas e tachei para compor os socos e tamancas ou chancas.

Naquele tempo para fazer um bebe era preciso homem e mulher juntinhos; agora já é bem assim, mas cuidado com o fanatismo.

Por estas coisas que vós nos chamais de velha geração; a diferença realmente é grande mas ficas a saber que a nossa diferença não é assim grande, grande, ainda chuto a bola.

Mas sei que vós sois os cientistas que podereis transformar a natureza.

Mas agora acerta-me esse telefone por favor...


Por: Armando C. Sousa