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Portugal Com Mais de Oitocentos Anos de Existência.
Oitocentos anos a pegar consciência
de si mesmo; escolheu seu nome através de um Rei. Antes era
como o resto da Península; houve invasões, umas benéficas
outras nefastas, os Povos se misturaram e formaram esta raça
Lusitana complexa e curiosa; os Fenícios deram o gosto da
aventura ao desconhecido; os Romanos a civilização
latina, e dos Árabes recebemos o fatalismo e a melancolia
profunda, mas somos sempre nós mesmos. Bravos e independentes,
os primeiros heróis, Veriato e Celina, dois pastores que
a sua bravura desafiou os conquistadores Romanos; durante muitos
anos a Península parecia engolida pela força e rudeza
dos Árabes; mas os cruzados e Nobres Cristãos se refugiaram
dentro das mais difíceis de transpor Montanhas das Astúrias,
lutando pela reconquista.
Foi em recompensa dos serviços a Afonso VII Rei de Leão
que Henri Conde de Bourgandi lhe foi dada à mão de
uma princesa Real, de nome Teresa, e o governo de um Condado ao
sul de da Gales.
Da união de um Bergunhês e de uma Princesa Leonesa
Espanhola nasce o primeiro Português, Rei de Portugal; Afonso
Henriques; que os Árabes lhe deram o nome de (o Terrível)
Afonso Henriques conquista as sete Cidades aos Árabes que
ainda hoje figuram na nossa bandeira; ele rejeitou a soberania do
Rei de Leão para se aclamar Rei.Glorioso vencedor dos combates
contra os mouros, mas menos glorioso na luta contra Afonso VII de
Leão...
Afonso Henriques foi cercado um dia no Castelo de Guimarães;
um dos seus mais leais Homens.
Egas Monis foi negociar trevas com o Rei vencedor; mas logo que
o perigo passou Afonso Henriques, pegou outra vez nas armas; Egas
Monis e toda a família só em camisa e de corda ao
pescoço foi-se entregar para pagar com a vida a promessa
violada...
Admirado com tanta nobreza de palavra; o Rei de Leão perdoou-lhe
e reconheceu a independência do novo País, Portugal...
Os sucessores de Afonso Henriques como seu pai se ocuparam a empurrar
os mouros e a organizar as Províncias reconquistadas...
Foi só ao 5% no Reinado da dinastia de Burgandi, D Dinis
que ele se pode consagrar a outras coisas que não fosse da
guerra. D. Dinis era poeta; formado por um professor Francês;
amigo dos trovadores; ele fundou a primeira Universidade, lançou
as bases principais da marinha e mandou plantar o famoso pinheiral
de Leiria que defende do vento e da areia a planície da Estremadura...
E assim ficou gravada a primeira vitória contra o mar.
Os romanescos amores de D. Pedro e Inês de Castro do qual
nasceram dois filhos bastardos
juntaram-se ao primeiro perigo de terminar a Dinastia de Burgandi...
Foi um outro bastardo de D. Pedro, João Mestre de Avis que
foi levado ao trono porque era muito popular, e favorito do Povo
e ajudado por um valente Cavaleiro e Santo Nun’ Alves Pereira.
Supondo-se aos Castelhanos impedindo-os de reconquistar Portugal...
Foi na gloriosa batalha de Aljubarrota, seis mil Portugueses derrotaram
trinta mil Castelhanos.
Salientando-se a padeira que metia os Castelhanos no forno... Assim
começa uma das mais brilhantes Dinastias Portuguesa a de
Avis. D. João casou-se com uma Princesa Inglesa Filipa de
Lencastre, assim se mantém uma aliança através
dos séculos, pondo fim a rivalidades por vezes cruéis;
desta união nasce uma geração admirável.
D. Duarte o pensador D. Pedro o valente D. Fernando, o Santo e mártir;
mas o maior de todos foi D, Henrique, o vencedor do mar tenebroso.
E secreto D, Henrique foi viver num dos pontos mais longe do Continente;
Sagres; o Infante se rodeou de Astrólogos Cartológrafos,
de Judeus e de Árabes do deserto, homens de ciências
ocultas e de alto saber; mas, sobretudo D. Henrique reuniu em Sagres
homens do Mar. Pilotos, Capitães ou mesmo simples marinheiros
que cresceram abordos de barcos que já tinham chegado á
Madeira e Açores.
Ele enviou ao Mar seus escolhidos que lhes trouxeram na vinda uma
roseira em flor vinda da bárbara costa de África;
a rosa de santa Maria.
Do assombroso Continente Africano começam-se a conhecer seus
secretos; suas riquezas chegam em naus carregadas de pássaros
encantadores e de animais estranhos, de flores e fruta nunca vista.
De homens pretos feitos escravos de olhos esbugalhados de espanto;
mas aos navegadores portugueses já não era só
a África que fazia falta descobri; foram para o Norte e chegaram
ás pontas do Mar calhado os grandes glaciais da Green-Lande,
o mito das terras que intrigavam os pilotos que estudarão
os vôos das aves e as tempestades que arrastavam pedaços
de árvores com cheiro desconhecido; os Cartolografos instruídos
pelo ditos dos pilotos e as observações dos navegadores
traçam as cartas de um mundo pouco a pouco descoberto; os
astrólogos enlargam a ciência transmitida pelos Árabes,
estabelecem os princípios que regulam a rota dos Navios segundo
as posições dos astros. Nesta época não
se passou um só ano sem que ocorram maravilhosas novidades;
as cartas dos novos Continentes se precisam e alargam, cada dia
se vai mais longe.
No rio Tejo e nos seus estaleiros navais se constroem febrilmente
novas Caravelas, tantas ou mais que a tempestade destroça
ou se perdem no desconhecido e tenebroso mar para sempre.
Portugal não renegou a uma outra luta antiga e nas costas
Marroquinas as fortalezas caem
uma, depois da outra nas mãos dos soldados de Cristo; depois
de Ceuta Tanger Argila Alcáçer etc, etc, aqui e ali
se vêem as Mesquitas transformadas em Igrejas, navegadores
e guerreiros não descansam, juntando mais um capítulo
à de já bela história Portuguesa.
Portugal é guiado por um grande Rei um homem verdadeiro,
o que lhe deram o nome de Principie Perfeito. D. João II
sonhava em chegar à Índia por Mar; o caminho das caravanas.
Que atravessavam a Pérsia era longo e perigoso; cheio de
armadilhas e bandos de ladrões ás especialidades;
seda e pedras preciosas; que eram a fortuna de Veneza e do Egito,
poderiam fazer de Lisboa a Cidade mais importante da Europa.
Pedro da Covilhã partiu para o Oriente à procura de
informações como se poderia chegar a Calicut Índia;
regressou dizendo que era possível lá chegar por via
marítima, e Bartolomeu Dias, provou-o ao dobrar o ponto extremo
de África, terminando assim com a lenda do Adamastor que
guardava esse ponto, cabo das tormentas; hoje cabo da boa esperança.
esperança de chegar à Índia por Mar. Foi Vasco
da Gama o Maior dos Capitães, que enfim chegou a Calicut
com naus do Rei de Portugal; morreu João II deixando um direito
quase divino; sobre todas as terras a descobrir; o Papa Alexandre
VI pela (bula inter coetera divina) de repartir o mundo em duas
partes.
Portugal e Espanha eram os donos; D. Manuel II herdeiro desta legacia,
justamente reclamou esta fortuna, logo que as naus de Vasco da Gama
chegaram da Índia foi vendido o seu carregamento por 600
vezes mais que o custo da expedição. Lisboa capital
do negocio era uma certeza e a ruína dos Árabes do
Egito e Veneza, e de todos os negociantes que faziam parte da caravana
terrestre até á Europa; vendo-se perdidos organizaram
duas grandes armadas marítimas; mas os Portugueses já
tinham fortificado as costas de África Oriental e de Malabar;
aberto de entrepostos controlando o comércio e a navegação.
A frota do Sultão do Egito e as dos Árabes foram destruídas
em frente de Diu.
Afonso de Albuquerque tomou Ormus fez a fortaleza de Gôa e
estendeu o ampiro até Malaca e ilhas Malucas, Java Sumatra
e China; a coroa de Portugal brilha com mais uma jóia; Pedro
Alves Cabral descobre o Brasil; a primeira terra do Continente Americano;
pois Cristóvão Colombo apenas tinha chegado até
as Bahamas no golfo México. Pergunta á parte da Historia.
Cristóvão Colombo estudou na Escola Marítima
de Sagres até á idade de 18 anos, descontente foi
oferecer seus serviços ao Rei de Espanha. Verdade? Ou seria
um espião enviado pelo Rei Português par despistar
os Espanhóis dos verdadeiros objetivos Portugueses; Viagem
Marítima á Índia? A época das conquistas
e intrigas duram mais de meio século, Pedro de Barcelos e
João Fernando Lavrador; descobrem as terras do norte a que
o ultimo lhe deu o nome Terra nova e Lavrador; o Corte Real escudeiro
da casa Real instalasse a Terra nova e nunca mais voltaram á
Corte Portuguesa abordo de uma caravela de 50 toneladas...
Estevão Gomes desce da Terra Nova ao longo da costa Americana;
João Rodrigues Cabrilho, explora Califórnia, são
ainda os Portugueses que primeiro desembarcam a Madagascar; ilha
da lua descobrem Nova Guiné e chegam a onde começa
correndo o rio Nilo.
Mais uma aventura Fernando de Magalhães que prepara e dirige
uma viagem à volta do mundo.
Portugal é um Reino que reina. Sim que Reina para lá
do Mar e reina no mar para lá da terra.
Lisboa, a mais rica e mais nobre das Cidades Européias...
O Rei D. Manuel que governou desde 1495 até 1523 estava impaciente
de ver chegar as naus vindas do fim do mundo; ele fez construir
o famoso paço da ribeira a dois passos da ribeira das naus;
os estaleiros onde se construíam e armam as caravelas, mesmo
junto do palácio onde se ergueram postos aduaneiros ao longo
dos quais mais de dois mil barcos atracavam a cada ano.
Ali se viam papagaios, macacos, e muitas mais coisas exóticas;
ali as equipagens traficavam em ouro e escravos; mas o grande negócio
se fazia numa rua estreita que ia até á Catedral;
era por ali que passavam as procissões e cortejos Reais;
realizava-se a cada ano a grandiosa feira mundial; ali se encontravam
diamantes, perfumes Árabes, cortinados, colchas, tapeçaria
e outros tesouros, canela, gengibre, pimenta, giroflé, nozes
moscadas, sedas, couros, porcelanas, etc, etc. A Europa enviava
a esta feira suas riquezas; veludos caxemira, cristais, lã,
centeio, e outros grãos; a nobreza da Europa procurava alianças
com os Reis Portugueses.
Texto
extraído e composto, da coleção (Le mundo em
cores) de Jacques de Lacretel
Tradução
e adaptação, de Armando Sousa.
Por: Armando C. Sousa
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