| Orfandade e Flores
Tony
de livro na mão, mais uma vez estudava sua lição
perto estavam os dias que teria de dar provas da sua passagem do
seu 6 ano de escola primaria.
Tony
sabia que teria de depender só dela na vida, e por momentos
sentiu pingos de lagrimas que rolavam teimosamente, e caiam no livro
aberto.
Tony
olhou disfarçadamente esperado que ninguém o tivesse
visto chorar, ao mesmo tempo olhou o relógio que já
contava com dez minutos depois das nove da manhã.
Todos
da classe estavam intrigados, sem professor e os exames tão
perto.
Neste
momento entrou o principal, depois de todos os alunos o salutar,
este quedou-se enfrente da secretaria põe as mão sobre
a cadeira, demoradamente aclarou a garganta e pausadamente, disse,
hoje eu estarei aqui na classe até ao meio dia, depois dessa
hora podereis retirar-vos para casa e estudar o que estava planeado
com vosso professor, o professor Eduardo não voltará
à escola hoje e quem sabe quando voltará a policia
pegou nele para averiguações pela morte de sua esposa
que morreu duas semanas atrás ao escorregar nas escadas da
cave, segundo a versão corrente.
Tony
se lembrava de ir com sua avó levar flores naquela noite
do velório onde tinha aos pés da urna uma grande coroa
de rosas vermelhas, e uma carta que dizia, flores que não
te dei em vida...do que foi teu companheiro Eduardo.
Tony
se lembrava desse momento de ter lido e lhe dava tremuras daquelas
palavras friorentas escritas quase ao desalinho.
Verdade
como Tony se lembravas de tantas frases belas que escrevia a sua
mãe quando as saudades entravam e os pingos de lagrimas lhe
lavavam todo o rosto.
Ninguém
mais que Tony sentia essa situação que o tem dilacerado
quase todos os dias depois de sua mãe partir para a eternidade.
Momento
Tony tremeu, e iniciou a recrear sua vida dos últimos seis
anos, os olhos encheram-se de lagrimas e obteve a resposta que durante
anos procurou, pelo menos no seu pensar.
A
escola terminou depois de ser revisto os deveres do dia anterior
e de receber deveres escolares para o próximo dia, que segundo
disse o Principal ou se lhe quiseres, chama-lhe director.
Tony
sentou-se no seu quarto depois de dizer a sua vózinha que
não haveria escola no dia seguinte devido á policia
levar o professor Eduardo para perguntas a respeito da morte de
sua esposa.
Tony
disse, vózinha, se não precisar de mim deixe-me que
terei muito para escrever esta tarde; seu pensamento iniciou a recrear
um passado distante, mas que lhe fulminava a mente.
Tony
lembrava-se perfeitamente daquela vez que sua mãe recebeu
flores; depois do trabalho a mãe veio pegar em si em casa
da vózinha que o guardava, nesse dia trazia óculos
pretos, encobrindo seus olhos lindos cor do céu espelhando
que eu tanto amava.
Perguntei,
mãe porque me não deixar ver teus lindos olhos, quero
beijar-te mãe, mas quero que me olhes com teu lindo sorriso
mãe.
Esta
retirou os óculos e qual surpresa a mãe estava ferida
com um olho azulado... usava os óculos para esconder; então
disse; meu filho isto foi teu pai que bebeu mais duas cervejas e
ao cai eu também cai na beira da cama, mas ele nos ama, trabalha
muito e de muito cansado se esqueceu minutos de nós, mas
tu vais ver como nos ama.
Chegaram
a casa e no centro da mesa uma grande jarra de rosas vermelhas com
um cartão que dizia, perdão eu te adoro... Silvino..(Silvino
era o nome do pai). a mãe guardou o cartão na caixinha
das cartas, essas cartas que dizem coisas lindas, mas a verdade,
é que eu ouvi chicana entre meu pai e minha mãe nessa
noite; creio que foi diferente do que minha mãe me contou
..
O
tempo passou-se, eu ouvia a rispidez de meu pai mesmo que eles procurassem
falar quando eu não estava presente. Muitas vezes adormeci
com a cabeça encostada ao seio de minha mão, muitas
vezes ao adormecer senti pingos de lagrimas das suas rega minha
face; tantas vezes ouvia palavras que não eram para mm, mas
isto será amor ou medo, eu assim adormecia.
Um
dia deverão minha mãe ao pegar em mim na casa da minha
avó notei que estava diferente, óculos pretos e um
lenço de seda ao pescoço... Mãe era diferente
não podia ver seus olhos que tanto amava, e não podia
dar-lhe aquele beijo no pescoço que a fazia rir com cócegas,
seus olhos tapado pelos óculos, então como menino
traquina os tirei a minha mãe para ver mais uma vez um dos
seus olhos de cor a roxeada, ou pouco inchado, e logo a mãe
disse, não digas a ninguém foi teu pais com duas cervejas
a mais;
Naquela
noite fartei-me de chorar e não quis is dizer boa noite a
meu pai, eu adorava tanto minha mãe... Mas ao outro dia lá
estava uma jarra de rosas muito bonitas amarelas
Meu
pai um dia chamou-me dizendo vou imigrar, talvez poderei enriquecer
um dia v os vir buscar, ou até por lá ficar, quem
sabe?.. Não sei quando voltarei... Minha mãe num sussurro,
disse... Mesmo que não voltes... E deu-me muito beijos...
Mas beijos loucos que me ensopou acara com pingos de lagrima, fiquei
a pensar, por oras a pensar.. ao outro dia ao levantar-me que linda
jarra de rosas de todas as cores... um cartão que dizias
as ultimas rosas do Silvino... Naquele dia minha mãe me levou
à escola dizendo que não iria trabalhar, mas que pegaria
em mm em casa da vózinha, mas as horas passavam e ela não
vinha.
Minha
avó me levou;... porta aberta... ela chamou gritou, e eu
acorrer pelo quintal, não aparecia, minha vozinha pensou
que dormiria no sofá da cave, mas ao descer logo viu um corpo
retirado, apalpou estava frio. Gritou vieram vizinhos e autoridades,
minha mãe morreu, não tinha mais beijos nem colinho,
nem encosto nem carinho... nunca ninguém soube o que aconteceu,
em sonho falo com ela no céu... hoje no fim da escola disse
a minha vozinha, o professor foi preso para ser interrogado pela
morte da esposa... e se meu pai fosse também... talvez descobrisse
o mistério das ultimas flores...estas tantas vezes encobrem
tanta tortura.
Sou órfão, mas estou crescendo; se ninguém
descobrir, eu o irei descobrir a morte de minha mãe, mesmo
que seja meu pai a pagar... não volto a sentir os pingos
de lagrimas de minha mãe...
Por: Armando C. Sousa
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