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As Saudades Foram Madrastas
Talvez tenha sido o meu ultimo abraço,
o meu ultimo adeus aquele abraço aquele adeus que se prolonga
até a eternidade, assim é o destino dum imigrante.
O imigrante parte à procura de pão, esquecendo-se
que apunhalou e retalhou o coração.
Na terra um adeus, é um ate logo, até amanhã,
ou até a próxima semana, mas ao imigrar, ficamos divididos
e nunca chegamos inteiros a um lugar.
Quando de visita nunca podemos levar com nós o que aprendemos,
porque os que ficaram sabem isso e muito mais; um coração
cheio de verdades, não bate certo com a hipocrisia que lá
ficou enraizada; novos métodos de trabalho será escravatura,
dois abraços com mais carinho e um franco sorriso, ou uma
mala cheia de tudo, ou mesmo aparelhos onde a ciência bebe
e facilita a vida, nada é para os que ficaram; eles sabem
mais.
Se chegares de surpresa encontras uma casa vazia, são capazes
de te convidar para um jantar em dois ou três dias, mas na
altura terás de pedir um copo de água, porque sentem
vergonha de não terem cerveja para oferecer.
O progresso foi enorme, casas lindíssimas, belos jardins
cheios de flores, o cantinho de couves para caldo verde, já
não existe, isso agora é apenas cultura do imigrante.
Sim, isso existe aqui na nossa aldeia que guardamos os valores de
que aqui chegaram com nós.
Lá no que foi nosso berço a grande cultura é
ver aquele que arranja dinheiro sem fazer nada, os políticos
e as uniões levaram a nação, ao mais baixo
ponto do conjunto europeu.
O luxo e nível de vida é grande, e quem paga? Porquanto
tempo o vão manter?... o imigrante tem muito que dizer nessa
resposta.
As casas quanto mais novas mais bonitas; a arquitectura portuguesa
vai de vento em popa, a superioridade sobre a Espanha é notável,
em Espanha são casas para viver.
Em Portugal são palácios museus, para uma grande parte,
isto porque vivem nas caves e deixam a superfície para mostrar
aos amigos ou visitantes.
As mobílias Portuguesas são um sonho, mas a mentalidade
da gente deixa muito a desejar.
No meu berço fui encontrar uma vila sem água própria
da companhia e sem esgotos...
Os planos são de distribuir a agua, mas esgotos nem pensar,
cada casa tem um poço e uma foça céptica, o
que quer dizer que as gentes vivem em cima duma bomba epidémica.
Basta um dia uma das foças verter, o que não é
difícil, porque estas não são construídas
a pensar em terramotos... estes apenas tem em mente os mais baixos
custos e os mais altos lucros.
Se me perguntares porque digo que fui levar o ultimo abraço,
o ultimo adeus... é simples a resposta; hoje a viagem é
cansativa com três horas de antecedência ao vôo,
fora as de antecedência com nossa família, não
contando o tempo de preparação de malas e lembranças.
Depois o vôo atrasado cerca de duas horas, será preciso
levar um abre latas para ir ao quarto de banho, de tão acamadinhos
que vamos actualmente nos aviões de hoje.
Sete horas de vo que são de martírio, nós os
mais idosos somos mais gordinhos e nem jeito dá para comer
a migalha de qualquer coisa mal preparada, e beber um copo de água
preta quase sem açúcar.
Não conseguimos fazer a viagem em menos de 12 horas com sacos
malas e passaportes na mão, e quase que nos põe nus.
As companhias que nos arrendam, os carros através dos agentes
de viagem, principiam o roubo por esses agentes que nos arrendo
o carro sem nos mostrarem os problemas que temos de enfrentar.
Um carro deve ser arrendado numa companhia mundialmente conhecida
de contrario está sendo roubado descaradamente e o agente
é cúmplice nesse roubo.
Primeiro entregam-te o carro sem gasolina, apenas para os primeiros
5 quilómetros... tens de encher na primeira estação
ou ficas na estrada.
Segundo alugam-te um carro que não podes mesmo entrar com
ele em Espanha, se entrares e alguma coisa acontecer tu és
responsável pôr tudo... pagas o seguro mas tens de
tirar outro para tua esposa ou companheiro.
Para ir fora do país precisa de outro seguro mas esses pequeninos
agentes de viagem nada te dizem para mostrar que fazem preços
atractivos, quando na realidade estes estão a explorar-te;
com a pressa de saíres do aeroporto, não verificas
riscos minúsculos que tem o carro, quando o fores entregar,
vais pagar com tua caução do seguro que assinaste;
tudo isto faz parte do malabarismo da mentalidade Portuguesa de
ganhar dinheiro fácil.
Em contrapartida as grandes companhias mundialmente conhecidas são
idóneas e serias.
Com os pequenos entrepenores todo o cuidado é pouco ou serás
lesado.
Abracei os familiares que pude encontrar, os que não pude
sabiam onde me encontrar, mas para estes o meu sacrifício
duma viagem de milhares de quilómetros não valia o
sacrifício de viajar duas dezenas de quilometras, a mesma
mentalidade de antigamente... eles que nos venham visitar que são
visitores... a pobreza de espírito continua em muita gente;
meus sobrinhos e os filhos de meus sobrinhos estes mesmo ainda crianças
foram de umas amabilidades remarcáveis, estes descendentes
de sobrinhos muito gentis e educados, com um ponto de visão
já fora do vulgarismo dos pais prometem ser dos que jogaram
xadrez com os planetas.
Minha esposa partiu um joelho num passo em falso numa escada de
um familiar, faltamos a reuniões, mas não alertamos
para não afligir, mas também não procuraram
saber porque faltamos.
Foram duma atenção estrema a família Bouços,
amigos onde estávamos vivendo e como hospedes ou com a atenção
de irmãos que nos acompanharam mesmo puxando a cadeira de
rodas por eles emprestada, e fazendo certeza que a companhia de
aviação teria uma outra cadeira para transportar minha
esposa, alertamos os familiares em Portugal até hoje não
recebemos um outro telefonema perguntando pelas condições
da irmã tal é a ganância ao dinheiro.
Meus filhos e netos tem sido extremamente carinhosos para a mãe
e vozinha.
Aqui está minha verdadeira família, este é
meu país, foi o destino que tudo escolheu...
Fiz minha obrigação, fui dar o derradeiro abraço,
um adeus creio que para a eternidade.
Mesmo que na minha mente só a morte me os faça esquecer.
Por: Armando C. Sousa
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