As Grutas e as Fadas da Penha


Do castelo olhando para a penha parecia que se podia chegar com a mão caçando a lua quando esta aparecia mesmo por cima daquelas bolas enormes de pedra... diziam que ali existiam fadas e mouras encantadas, vivendo em enormes grutas fechadas por aquelas bolas monstruosas que faziam a mente baralhar, criar sugestões e quantas vezes mentir.

Depois daqueles campos e montanhas ter sido lar de tantas raças, veio um dia para ali habitar um senhor da vizinha Galiza, isto no século IX depois da era Cristã.

Veio de S. Tiago com sua esposa e uma comandita de meia dúzia de crianças procurando sossego num lugar seguro, para assim se formar uma comunidade.

Lenhoso foi berço de um de seu descendentes.

A beleza do lugar era incomparável desde a montanha da penha descendo até ao planalto e dali até ao rio Ave, que de mansinho serpenteava à volta do planalto onde um dia muito mais tarde seria berço dum condado Chamado Portucalense e daí nesses mesmos sítios deveriam tecer os trapos que embrulharam o homem que deu inicio a uma língua e uma nação.

Dos descendentes desse homem que veio da Galiza, vem a ser o Senhor do Condado com grande poderio.

Nesse tempo ouve uma filha desse Senhor, de nome (Mu... Dias) que para se proteger dos (normandos), dos mouros e dos foragidos judeus, mandou erigir um castelo templo para agasalhar os monges e monjas e todos que se sentissem espoliados por outras religiões em especial os mouros, que sempre foram inimigos da cruz. Esse castelo templo serviu para (Mu...) se retirar depois de viúva aquém doou todos os seus bens ao templo de S. Mamede, para os amigos da cruz a defender dessa cuja raça diziam que tinham o poder de encantamento, onde até as pedras lhe obedeciam, se abriam e tornavam em fogo, e diziam que aquela montanha da Penha era de ouro.

As montanhas podiam esconder família e tesouros se não esquecessem da palavra mágica e chave de sua magia para a abrir.

Depois da campanha dos Cruzados contra os mouros foi dado o condado o um Sr. Condado, cuja Senhora um dia lhe foi confiado o condado Portucalense, devido a seu marido voltar a combater esses inimigos da cruz. Mas anos antes tinham escolhido Guimarães como sede do condado, e como tal ficaram residindo no templo Castelo, assim mandaram reforçar suas muralhas, pois estas encontravam-se bastante fragilizados pelas investidas dos normados e mouros, foi ali que nasceu o primeiro filho de Portugal.

Esse moço muito irrequieto e aventureiro, tantas vezes deixando seus criados em apuros, fugindo da brincadeira com seu amigos, desaparecia montado no seu cabalo branco de raça lusitano, um dia de brincadeira com seus amigos, desapareceu, subindo a encosta da montanha da Penha, ali queria esperar pela lua e a poder agarrar para dar de presente aos habitantes do castelo.

Esse moço e sua espada abriram o caminho da encosta da Penha, encosta quase impenetrável, com arvores seculares e mato arnál de altura descomunal à mistura com giestas por onde os animais selvagens faziam túnel e carreiro de passagem.

Já perto do cimo o nevoeiro envolveu a serra, os penedos pareciam cada vez maiores e intransponíveis, mas o moço apenas pensava na lua, assim sua espada cortava passagem com destreza, seus colegas de brincadeira nunca conseguiam levantar sua espada, assim o moço sentia-se destinado a essa aventura.

De repente as nuvens encobriram toda a claridade do céu, este principiou a ouvir truões e relâmpagos que se aproximavam, de repente uma faísca cortou o espaço perto de si, seguido por um estrondo tremendo; uma enorme bola de pedra rolou uns metros e ficou abalançar-se na montanha como que uma força magnética a retive-se, mas se rola-se talvez despedaçaria o castelo; outro relâmpago mostrou uma enorme gruta, principiava a chover torrencialmente, e esse moço esporeou seu cavalo a entrar dentro dessa gruta, desceu e sentou-se, disposto a esperar para poder ir caçar a lua.

O moço ao sentir uma mão pousar-lhe sobre o ombro estremeceu, não esperava viva alma naquelas paragens íngremes e quase intransponíveis.

Mas logo uma vos doce entrou em seus ouvidos o deixando calmo, ao mesmo tempo que seus cabelos eram alisados das pingas de chuva que lhes tinha caído.

Não tenhas medo Afonso, eu sou a fada tua madrinha do destino, e esperava por ti aqui para te abrir um pouco as portas da vida por onde tu terás de andar; a um gesto de sua varinha, a gruta se iluminou deixando antever tudo ouro puro e as pedrinhas espalhadas pelo chão eram puros diamantes que resplandeciam ao brilho da varinha de sua magia.

Esta sua madrinha lhe disse, tu não poderás ter a lua, porque essa pertencerá ao universo.

Mas tudo que teus olhos podem ver será teu e de teus amigos, por onde puderes caminhar tudo te ficará a pertencer, ninguém resistirá a tua espada enquanto defenderes a cruz; todos os castelos e o ouro de todas as terras te pertenceram, estás destinado a venceres todos teus inimigos pela força da espada ou por tu astúcia os de teus amigos.

Afonso de hoje para o futuro, nunca mais virarás costas a teus amigos, e a ti e a eles, vos será dado um país e uma língua, que vos diferenciará em todas as partes do universo.

Teu pai não mais voltará, morrerá a combater os mouros; Afonso repara em tua mãe, ela tem mais amor, a um amor proibido, que a seu povo e a ti.

Respeita teus aios, e teus amigos, e só pararás ao chegar ao outro lado do mar, mas o teu sangue chegará ao outro lado do mundo.

Afonso não podia suportar os amores de sua mãe com o homem que não era seu pai, e não queria ser menos que seu primo, ser igual a seu primo era ser rei, e lutar pela mesma causa que seu pai.

Depois de passada a tempestade, a fada lhe disse, estes penedos são ouro para serem vistos por todos os vindouros.

Assim mediu forças com as forças de sua mãe e venceu, encarcerou-a num castelo próximo.

O castelo foi cercado por um mês, os viveres escasseavam, mas a fada da gruta a cada dia levava peixe fresco sem se deixar ver pelo sem encantamento... um dia fez saber que forcas do outro lado do porto vinham com bater os Castelhanos.

A fada madrinha tinha reunido todos os animais de cornos dos arredores, com sua varia depôs uma vela em cada corno a arder depôs os animais em cima dos penedos visíveis, e fez ressoar os cornos de guerra, os castelhanos ao olhar a montanha da penha deram em debandada, pois supunham ser um grande exercito. as cabras da penha.

Os séculos passaram, uma outra língua principiou, uma outra nação surgir e hoje seus filhos estão espalhados pelos quatro cantos do mundo, mas os penedos e as grutas da penha continuam a brotar ouro a través do turismo atraído pela sua beleza.

NB... Esta história é complemente imaginaria e passada de boca em boca, de pais para filhos...


Por: Armando C. Sousa