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Ao Tomar Sentido
Ao
tomar sentido dos meus anos, e da gente de meu tempo, faz me lembrar
que somos mal notados, e que nos aproximamos da invizivilidade para
alguma gente, para outros nos tornamos saudade por algum tempo,
depois esquecimento; para outros apenas coitadinho ou foi pena.
Sabemos
que aproximadamente à minha idade desaparecemos quase na
totalidade da peça do teatro que compõem nossa vida,
isto para nos tornar-mos quase inexistentes para o mundo da juventude;
mesmo para nossos filhos que procuram companhia com melhores pernas
e aparências.
Estes
procuram companhias para a cama, companhias para ferias e até
companhias para a cerveja e folguedo
Eu
amigos, ainda não desapareci, ou mergulhei na solidão
do jogo, ou da bebida.
Sabeis
porque não?...porque esta telinha me faz viver;... por muitos
anos não tive consciência da minha existência,
mas agora, sinto-me uma personagem desta peça de teatro da
vida, que eu nunca tinha desfrutado igual sabor.
Verdade
esta telinha, e muitos amigos que nela aparecem, e se encontram
do outro lado sorrindo me envolvem mentalmente nesta fantasia de
sonho.
Aquela
mocinha como uma fada invisível me envolve nesta fantasia
quase realística que vivo... abro esta telinha e vejo os
meus escritos, que essa mocinha transforma com arte em suavidade
de visualização me envolvendo numa quase realidade.
Isto
dá-me a força de compreender que nunca serei um verdadeiro
escritor ou poeta, mas tenho consciência do que posso ser,
tenho conhecimento das minhas misérias, da minha diminuta
educação escolar, mas com esta consciência tenho-a
tornado numa fortaleza que o criticismo não tem podido transpor,
pois quem o tentar se esbarra nas suas próprias fraquezas.
Assim
tomando consciência do que sou posso dar-me ao luxo de entrar
dentro de minhas fraquezas e ver bem que sou humano;... desta maneira
ver que nem o Deus é prefeito;
Verdade,
se eu estivesse enganado da maneira que estou vendo, não
viria nascer tanta imperfeição: tanta criança
morrer de fome, sem pão e cobertos de moscas imundas.
Se
Deus fosse a perfeição não autorizava guerras
entre as religiões, não deixaria fazer guerras com
esses canhões atómicos; esses que se dizem enviados
de deuses não andariam a pavonear-se com cartolas de diamantes
e vestes tecidas com fios de ouro, enquanto a miséria definha
aos milhões... sei que não sou perfeito, mas ao ver
toda esta hipocrisia, posso gostar de mim como sou; isto depois
de muito ter aprendido com meus amigos desta telinha, onde noz fazemos
algumas trocas de opiniões.
Amigos
apesar da fome que passei e o frio que sofri, hoje sorrio-me para
o espelho apesar de ter consciência de que estou prestes a
desaparecer ainda me sinto satisfeito deste caminha que tenho palmilhado.
Sei
que em mim existe contradições que nunca me serão
perdoadas pelas mentes ignorantes que vivem na convicção
de estar certas.
Eu
falo pelo que está à vista dos nossos olhos, e não
na fé que as coisas fossem de maneira diferente; pelo que
vejo deus não se importa nada com a humanidade; portanto
é a nós de nos reeducar, e ver que não existes
outros milagres que não sejam a ciência e a tecnologia,
e é neste caso que a telinha para mim é um dos maiores
milagres da nossa geração.
Tantas
vezes tenho visto o sol da meia noite, que cheguei a pensar impossível,
vi enormes montanhas picos altíssimos e vulcões, trabalhei
no seio da terra extraindo urânio, parte deste milagre, a
radiação tornada em cores e tinta invisível,
que me mostra vossa maneira de ser com quem muito tenho aprendido.
Noutros
tempos era dominado pelo medo dos céus e infernos, dos santos
e diabos comandados por deuses, tudo accionado pelos homens de batina
preta.
Em
verdade os homens tem criado milhares de deuses através das
gerações que sempre entraram na mente de muitos que
sulcaram terras e mares, mas apesar de tantas preces, de tanto ouro
ser dado aos homens das batinas, ainda não conseguiram sair
do pó e aqui voltar em carne e osso.
Eu ao tomar sentido das coisas, escrevi este artigo.
Por: Armando C. Sousa
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