Água Sagrada



Naquela noite de um dia 13, a lua era cheia mesmo ao bater da meia noite.

O luar tinha um brilho, meigo e prateado; a noite estava serena e morna o olhar o alto da montanha tinha qualquer coisa de mágico, para uns para outros era sinistro, tudo dependia do pensar.

Mesmo no alto existia um penedo tão grande que parecia formar uma cabeça com os olhos muito grandes, mas meigos a olhar todo o vale que descia por quilômetros vindo para num vale cheio de carvalhos e de um paul macio e liso.

Ao lado dessa cabeça outros penedos que pareciam for mar os ombros duma rainha, com as cores formadas pelos musgos e verdes das árvores, sombras dos picos e o branquinho de neve que a montanha conserva nos lugares mais sombrios, os pastores tinham descidos ao mais baixo da montanha com seus rebanhos, a cede tinha dizimado parte desses rebanhos, e na noite do dia 13 não se poderia desafiar a lenda, que choveria lume numa guerra entre as estrela.

A noite no vale cheio de carvalhos estava maravilhosa, por todos os lados parecia ter sido ornamentado com gotas de orvalho dependuradas nas maçãs de cuco e em balõezinhos que saiam do respirar da terra e ficavam presos nos fios de enormes aranhões que de escondiam nos carcomidos dos carvalhos.

As (landras) (bulotas) tinham-se tornado em luzinhas, pois em cada uma tinha pousado um pirilampo que davam o efeito duma iluminação grandiosa.

Aquela noite em que o luar tinha a candura da meiguice e a luz da ternura, as estrelas emprestaram ao vale o cintilar de diamantes, e o som da noite com o cuecar das arrás, o zunir dos grilos, o uivar dos lobos, o bater dos esquilos e o cantar da coruja, eram motivo de musicas para as dançar das fadas, ninfas, bruxas e duendes e lobisomens.

Tudo subia e descia num enlouquecer.

De longe a montanha mais parecia uma noiva com seu véu branco na mão. Neste momento as estrelas e cometas pareciam emprestar á festa fogo de artifício, os cometas cursavam-se de todos os lados, os pastores tremiam de medo que toda a montanha arde-se ficando sem pasto para o resto de seus rebanhos.

Alguns dos cometas atingiam a cabeça da noiva montanhosa, majestosa como rainha, que deu urros, mas o fogo de artifício se espalhou tornando ainda mais bela e visível aquela majestosa montanha vestida de noiva.

As fadas, bruxas e ninfas, mal disseram os astros, que assim disturbavam a dança de todos os prazeres que no vale se passava, mais uma explosão na cabeça da noiva da montanha e no vale apareceu em fogo a palavra (sagrada) em letras brilhantes como diamantes.

O nascer da água sagrada, ao mesmo tempo em que uma enorme bola de fogo descia, a velocidade vertiginosa, destruindo os penedos da montanha, que rolavam formando precipícios.

O vale ficou deserto e em pouco tempo se transformou com penedos e água que descia mesmo do cimo, aberta essa água pelo asteróide no seu impacto e agora os riachos tomavam o seu curso a caminho do grande rio perto do mar.

Conta a lenda que todos os riachos se juntavam perto da catarata que se despenhava a uma altura incalculável, formando um lago com bordas floridas, que mais parecia um sonho.

As gentes do sopé da montanha foram acordados pelo tremendo ribombo da natureza, viram a montanha em lume, e rezaram para que se consuma-se a lenda contada desde muitos séculos, que dizia, e a água descerá; e as virgens terão orgulho de entrar na queda dessa água sagrada e mostrar sua virgindade.


Fim do primeiro capítulo, da lenda descrita em dois capítulos.


Por: Armando C. Sousa