Se Eu soubesse

 

Leitor, alguma vez ou algum dia te passou pela cabeça que será amanhã o teu dia de partir para o seio do desconhecido?

Estas, mais ou menos foram as palavras que escreveu Erma Bombeck quando soube que estava a morrer de câncer.

Eu teria ido para a cama quando sabia que estava doente; em vez de pensar que era indispensável minha falta entre a ganga com quem me divertia até de manhã.

A vela que ele me tinha dado cor de rosa, e cravada como uma rosa eu a teria queimado em vez de a deixar derreter no escaninho da mala.

De certeza que teria escutado muito mais e falaria muito menos.

Teria invitado meus amigos para jantar ainda que fosse só sopa pão e salada, mesmo que a carpete tivesse nodoas ou o sofá estivesse já gasto.

Eu teria comido minhas pipocas na melhor sala, sem me incomodar, e não me importaria minto com o sujar.

A lareira haveria de arder mais para os amigos, e á volta ouvir suas pantoninas de humor.

Eu teria tirado muito mais tempo para escutar meu avô a contar seus feitos quando era moço; mesmo o que tinha feito com minha avó.

Eu teria trabalhado, e ajudado mais meu marido na casa, o acompanhado mais nos seus gostos de jogos e desejos.

Eu me sentaria mais vezes na erva fina do jardim mesmo molhada e suja.

Eu teria chorado menos e gargalhado mais; teria corrido mais vezes ver o levantar e o por do sol.

Teria olhado mais a vida em vez de ficar pregada à televisão vendo os outros viver.

Eu nunca compraria nada porque outros compraram, só para mostrar que também tinha, mesmo com garantia devida.

Eu nunca diria mal dos pontapés dos meus nove meses de gravidez, se fosse hoje eu iria afagar cada segundo da vida que trazia dentro de mim; haveria de acariciar aquele nada que em mim crescia, porque seria a oportunidade de eu continuar a viver que deus me dava como milagre.

Quando meus filhos queriam beijos, eu nunca teria dito logo, em vez disso eu os beijaria com ardor, e mesmo o tempo perdido de os mandar lavar para comer, teria o gasto em beijos loucos.

Mas nem tudo isto fiz; estou arrependida de o não ter feito.

Se eu tivesse a sorte de poder viver a vida outra vez, eu pegaria cada segundo, e nunca mais chorava por o tempo passado em amor, nunca olharia para ver quem tinha o pedaço maior, ou ver se poderia fazer menos.

Eu não me preocuparia com pessoas que por alguma coisa não gostassem de mim, ou seriam mais bonitos; mas perderia muito mais tempo com quem me amava, partilharia mais as maravilhas da vida com deus, pelo menos, reservaria dois minutos para lhe agradecer ter acordado e o sol que me iluminava o dia.

Mesmo assim quase na partida, espero que tu não te esqueças de o fazer, pela tua vida de emoções e como a água pode fazer, contornar todos os obstáculos.

Em cada dia meu cristal sairia do armário para festejar a alegria do viver, teria tido muita mais preocupação que os outros seres tivessem pão.

Nunca teria pensado em comprar talheres para mostra, mas com o custo teria dado mais uma festa; mais motivos para meus filhos aprender.

Mais me preocuparia que a juventude aprendesse mais sobre a vida; me preocuparia mais, muito mais com a frescura da água para beber, faria meu possível para que todos a poderem ter.

Agora é tarde, a luz que se apaga, em pequenas estrelinhas, a sede que eu sinto será do morrer?... E desfaleceu....

Sim meus amigos, são destas coisas reais que formam a minha experiência do viver, do sentir, da formação da minha mente, do escrever do meu dia a dia.

Isto amigos acontece a cada momento.

Muitas das nossas mulheres tem prolongado anos de vida com terapia de radiação, com cortes de destruição das células cancerosas, e poderiam ter ido muito mais longe neste aspecto, se tivessem ajudado a ciência com o necessário e autorizado cientistas, nas suas pesquisas de encontro ao bem estar do ser humano.

Acreditar na maquina celeste sim: mas devemos reconhecer que esta vem cheia de erros, e que o divino vem dando ao homem o conhecimento para retificar seus próprios erros.

O divino sabe que rezas, cravos ou velas não conseguem retirar um tumor maligno.

Nem é de cravos que os pregadores vivem, estes vivem das mentiras que enchem a mente dos que tem medo da morte, mesmo sabendo que todos temos de morrer.

Amigos cerca de 11 anos que me cortaram a próstata cheia de células cancerosas.

30 anos atrás, com este problema,já teria voltado a microorganismos, porque a ciência ainda não possui saber, nem teria meios para uma operação através da uretra.

E à ciência que devo agradecer, o ainda me encontrar entre a vossa sociedade, e poder dizer obrigado por mais um dia de sol, mesmo sendo de chuva, sabemos que muito adoramos ouvi-la bater na janela telhado ou pátio, e a fazer confundir com o ainda cantar de beijos, ou meia volta para o outro lado na esperança de entrar no paraíso do sonho,esperando que seja mais uma noite de felicidade, sem os pesadelos que em criança deixaram minha mente povoada.


Por: Armando C. Sousa

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