Quem sou?
Amigos leitores, nada melhor poderá
descrever-me, do que minha paixão por tudo que abrange
mais igualdade e liberdade.
Escrever e descrever o que meus olhos vêem; pintando todo
o panorama; descrevendo as cores, a noite ou o dia, a neve ou
o vento, o sussurro da chuva nas vidraças, a fisionomia
de uma pessoa feliz; os passos e gesto dessa pessoa na dança
desta vida, amaneira como procura que todos à sua volta
se sintam confortáveis e de sorriso nos lábios.
Esqueci-me de mencionar minha grande curiosidade de conhecer de
tudo um pouco.
A ânsia de atravessar mares, de cruzar os céus, de
ver o vôo das gaivotas, e tantos pássaros de mares,
de como as ondas se encapelam, os grandes canos, que arrastam
as águas dos mares, transformando essa água em pura
e branquinha neve, de flocos sem sal odor ou paladares, beleza
que só a natureza será capaz de concluir este milagre,
para nós impossível.
Existe em mi aquela curiosidade, de saber como se formam aqueles
grandes ribombos, relâmpagos tornados em cascatas de fogo,
e em águas torrenciais.
Quem sou eu?... Não sei! Virei recendido dos Romanos? Dos
mouros, dos Iberos?... Talvez!... Meus olhos ainda tem um pouco
de azul, talvez Viking.
Meu nome é Sousa, talvez recendido do Frei Luiz de Sousa
ou dos Senhores do Sousa, daquele senhorial ali para os lados
de Pena fiel, mas a verdade é que nasci numa das freguesias
rurais do conselho de V.N. de Famalicão; sim nasci naquela
freguesia que descia desde o alto de S. Miguel o Anjo até
ao ribeiro que me banhou pela primeira vez o Rio Pel.
Que caracola até passar pelo centro da vila, hoje cidade,
Famalicão.
Se me perguntares qual foi a época mais feliz que vivi,
apenas te direi, foi quando principiei sabendo que as teorias
antigas estavam quase todas erradas, portanto pertencia à
juventude desvendar as verdades do que seria viver, morrer e o
que somos; uma das coisas mais misteriosas tinha eu certeza; nunca
ninguém desvendaria o mistério da morte.
Portanto ainda hoje continuam usando os métodos antigos
para encherem os bolsos de dinheiro; com rezas e vela, almas e
espíritos deixando cabeças cheias de lendas e medos.
Uma outra coisa que me fez muito feliz, foi olhar para uma pequenina
semente e poder ver nela o primeiro átomo do que seria
uma folhinha, o primeiro eletrous, do desabrochar em um botão,
as cores duma flor, ou de mil; mesmo de milhares de folhinhas,
estavam todas ali em pensamento e na palma de minha mão,
mas ao mesmo tempo, triste. por saber que a pobreza nunca me deixaria
finalizar o saber e ter certeza do que pensava, eu nesse momento
comparava-me aproximadamente ao que sairia de mi, para nascer
vida.
Sentia-me feliz ao sentir as chispas de electricidade quando aproximava
minha pele da pele dum outro ser humano de diferente sexo, e imaginava
ver nascer alguma coisa comparável a mi, talvez a cor dos
olhos, ou meus lábios em comparação.
Sim amigos leitores, muitas coisas nasceram a partir de mim.
Foi nessa altura que deixei de ser eu, para ser apenas um pouco
de mi, e um pouco de amor, falar de amor quem não sabe
ainda o que é compartilhar vida com alguém tantos
anos, eu deixei de ser eu para compartilhar com minha esposa,
tantas alegrias tantas dores e tantas crises e mudanças.
Ela faz parte de mi já passam de 45 anos e estivemos sempre
juntos, em nossas mudanças de vida; ao nascer a primeira
filha, menos fiquei do que era para lhe dar um pouco de mim.
Nasceu a segunda filha, meu ser ficou mais dividido, mais uma
vez enfrentamos o destino, e caminhamos juntos; a terceira veio;
ficamos mais divididos mas mais juntos, para enfrentarmos uma
grande depressão, o que se chama depois do parto, esta
parte fica apenas para quem compreender, mas naquele tempo chamavam
diabo, e continuam a chamar, nos meios espiritistas cristãos,
o que afinal apenas faz falta amor, medicamentos e lavar a cabeça
dos medos que as lendas meteram dentro, e as pessoas afirmavam
ter visto.
Nesta parte ponto final, a pessoa precisa de aprender muito para
compreender.
Mas aquela que passou a fazer parte de mi, esteve sempre comigo.
Minha partida para fora do país, na compra de nosso primeiro
carro estávamos juntos.
Na segunda mudança enfrentamos juntos essa crise, nova
língua; o medo de não ter trabalho, o alojamento,
a dependência humilhante.
Os dois, estivemos na decisão de escolha de escola para
nossos filhos, repartimos as alegrias do os ver crescer e aprender.
Um dia que perdi o emprego, ela estava me abraçando e a
dar-me coragem; não me deixou sozinho com a minha dor e
medo de não poder chegar ao lugar onde a honestidade encontra
liberdade.
Passamos grandes alegrias terminado o colégio das filhas
e velas arranjar o primeiro emprego, e o casamento de quatro moças
seguidas.
Sentir a alegria de nossos primeiros netos, da mudança
para esta cidade Torontina, e então minha esposa fez sempre
parte da decisão final, na escolha das mobílias
e no arranjamento da casa.
Trocamos abraços a cada dia: Mas a cada Natal o abraço
é mais forte, no perdão das nossas faltas: no fim
do ano o nosso beijo e efusivo e abraço leva para todos
um forte desejo de chegarmos juntos ao próximo Natal. Ao
próximo ano.
Com a certeza que se caminha-se sozinho, nunca chegaria mais depressa
ao destino; mas tenho a certeza que nunca teria a felicidade que
me tem acompanhado nestes últimos 46 anos de vida.
Aqui no café, nas festas comunitárias, nos piqueniques,
sempre estamos juntos, e eu nunca queria ser só eu... Sempre
juntos, eu e meu pé direito; para vos desejar do fundo,
aos da minha língua, e toda a humanidade, mil felicidades
a cada segundo, através deste ano 2005 que se aproxima.
Por: Armando C. Sousa