Que venha o Natal
Sim meus amigos e leitores, que venha natal
a cada dia do ano, mas que não se ouça nunca os
estrondos das bombas destruindo a casa dos mais inocentes.
Que as balas se transformem em migalhas de pão; que volte
a surgir o verde dos campos e as flores nos jardins; que cada
estrela se possa transformar num abrigo de luz e suas danças
recebam musica de paz.
Que a chuva não fustigue mais a pele desses desamparados
sem abrigo, mas se possa ouvir nas vidraças no pátio
ou no telhado; e ou ouvir a musica melodiosa da chuva seja mais
um motivo de nos enroscar de prazer e amor.
Que venha o natal, mas nunca venha encher a cabeça em formação
de tantos inocentes com mentiras; essas mentiras que povoaram
minha mente, e muito me fizeram chorar e tomar realidade que o
mundo é mau e interesseiro.
Todos sabem que existe mentira, nas vestes e nas pinturas do pai
natal. Mas o mundo veste milhares e milhares desses fingidores
mentirosos para distribuir a mentira que povoará a mente
da criança e satisfará a meninice dos maiores.
A igreja sabe de tudo que se passa; mas é muito mais importante
encher os sacos de cobres, que encher a mente da criança
de verdades.
A religião pintou, e fica verdadeiramente zangada se alguma
mind pintar de diferente maneira, como aconteceu em Inglaterra
com o presépio de cera.
Em meu
tempo de criança acreditei; minha mente inocente queria
receber do menino a recompensa de ter sido bom em tudo que podia
ser; e na minha mente pequenina de criança fiz tudo para
merecer recompensa.
Meu soco. Porque não tinha sapato, lá estava entre
as achas que secavam acima da lareira; o dia ainda não
tinha amanhecido, mas minha mãe tinha saído para
a missa com meus irmãos e irmã, apenas eu e o Joaquim
meu irmão mais velho três anos, ficamos a dormir;
ele dormia, eu fui ver o soco...
Estava vazio sem um rebuçado, barafustava eu com o menino,
quando minha mãe chegou da missa, me acariciou e beijos
dizendo a chorar; filho, tudo que tens ouvido a respeito do menino
é mentira, não existe deus; teu menino sem dinheiro;
nem todos os pedidos e rezas podem substituir o dinheiro; filho,
o pai morreu, e a miséria reina em nossa casa; só
o trabalho, e dinheiro que do trabalho resulta pode trazer milagres.
Estas mentiras circulam através do mundo para conseguirmos
um dia de mais alegria, mas em nossa casa a miséria reina
e a tristeza é muito maior por eu não poder contribuir
para que essas mentiras continuem a tornarem-se em verdades nas
mentes inocentes das crianças; desculpa filho, mas agora
te digo filho; existe duas coisas que te levaram muito longe,
a escola e depois o trabalho; as palavras de minha mãe
ainda hoje ressoam como ressoavam os sinos da minha aldeia na
noite de natal; só com uma diferença, as palavras
de minha mãe eram verdadeiras, o que o sino dizia, nunca
cheguei a saber.
Se me perguntares se gosto do natal...te direi; sim gosto, pela
alegria que traz em família, a garridice das crianças
que hoje não são bobas como eu era na idade de 7
anos.
Ao mesmo tempo aumenta em mi a tristeza ao saber da maldade do
mundo.
Saber que
existe tantos homens disparando contra homens inocentes, os canhões
destruindo o que resta duma cultura; os homens que se dizem seguidores
de deus, são sempre eles os primeiros a desencadear estas
guerras sem sentido, mas sabemos que são as gentes que
se dizem religiosas que põe no poder esses seres sanguinários
que em nome do poder destruirão toda a humanidade; e afinal
o deus apenas tem poder para encher os sacos e bancos; para encherem
de virgens a mente destruída da realidade.
Mesmo aqueles
que dizem desconhecer o natal, dizem que venha o Natal...
Este traz
dois dias de folga, e muitas vezes traz presentes e jantares,
sim o interesse dá mãos à hipocrisia, e eu
não sei que diga.
Ponho-me a matutar nestas mentiras e a minha mente diz-me; ainda
se as bombas rebentassem no deserto e se fundissem em enxadas!...se
os soldados fizessem cavar as enxadas e nascer grão este
distribuído por famintos faria nascer a paz a alegria e
esperança duma vida melhor; onde o naco de pão fosse
igual para todos.
Se assim fosse eu diria que nasceu o céu.
Que o
vento, o sol, a chuva, e a neve, nunca batesse na pele sem agasalho
involuntário.
Que a fortuna desse para todos poderem ir ver com prazer ás
maravilhas do mundo, criadas para os olhos de todos mas apenas
alguns quase sempre os mais maus poderem desfrutar, seria Natal
se o amor nunca tivesse medo ao ódio, e todos poderem ter
alguém por companhia, para nunca conhecer a tristeza da
solidão.
Que a palavra Deus e Natal, venha sempre acompanhada de pão
e flores, que nunca mais traga a mentira para governar o mundo.
Traga sim um governo com igualdade, e em cada lábios possa
sair um sorriso e palavras de amor, mas nunca a mentira que tem
governado o mundo, então Deus se me ouves anda, e que o
natal viva a cada segundo de nossas vidas.
Por: Armando
C. Sousa