Que lembranças terríveis

 

Amigos, voltei por momentos ao meu tempo de menino, e da miséria que vivi antes de pegar na mala, dentro dela com um cobertor, um par de sapatos a precisar de meias solas, uma garrafa de aguardente, um par de calças já coçadas e pouco mais.

Dentro de mim um coração cheio de esperanças, pois estas não são feitas de esperar, mas sim seguir o caminho que nos leva pela vida fora, no destino traçado sempre desconhecido para todos nós.

Desta vez peguei nas malas para ir saborear a riqueza, com um coração que se retalhava em pedaços ao sentir a pobreza

Meu destino levou-me a uma ilha Cubana que se chama Caio Coco, onde apenas mora o turismo, e podemos apreciar o que é ser servido com tudo que o ser humano pode desejar

Ali, se encontra gente expressamente educada para servir, em cada face um sorriso e um bom dia, mas um sorriso franco cheio de comunicação, esperando um pouco de compreensão da nossa parte, digo da nossa parte porque mais de 90% dos turistas eram Canadianos que procuravam fugir um pouco das agruras do nosso inverno, onde a neve e o frio parece não ter fim.

Mesmo a nossa pele o denunciava, somos brancos e com uns extra quilos que não procuramos perder de tanta e tão deliciosa comida que encontramos.

Não meus amigos, falar-vos de bebida em todos os cantos, e de toda a Qualidade seria um insulto há miséria vista nas cidades e aldeias por mim visitadas.

Mas ali naquele recanto apenas reservado ao turismo, coberto de coqueiros cheios de cocos, ao ponto de me enjoar de cocos quer seja da agua ou de leite, sem que lhe tivesse tomado o gosto; apenas meus olhos se deliciavam com a beleza nativa, e a criada pelas mãos dos homens.

Ali apreciei o azul do céu muito mais azul, denunciando pureza, muito mais oxigénio, se é verdade o que tenho aprendido que o azul é formado pelo mesmo oxigénio.

A areia linda e macia, formada pela brancura das conchas, e de um coral que enriquece aquelas praias das ilhas Cubanas... o mar mesmo de maré alta era meigo, acariciava meu corpo sedento de ser molhado pela meiguice da agua salgada, a melhor que até hoje bateu na minha pele; Ho sim, senti-me noivo, das ondas que me beijaram os poucos dias que tive para viver tão grande delicia.

Mas ao mesmo tempo sentia-me confrangido por ver que os naturais não podiam desfrutar do mesmo conforto, ou mesmo ali podem viver, para eles era impossível; apenas trabalhar servindo o turismo, falei com os homens da limpeza das praias, fiquei abismado; aquela gente teria de viver com 10 pesos turísticos por mês, mesmo assim ainda se sentiam gratos por poderem trabalhar nas hotéis virados ao mar.

Sim amigos, pediam restos de pasta dos dentes, ou mesmo algumas sobras de pastilhas de dores de cabeça, como Taylanol, Adevil, ou Asperine, ou mesmo pastilhas de Acidez.

Sim amigos meu coração abriu-se e posso dizer que senti prazer de oferecer minhas sapatilhas, meus calções e uma das minha camisas, mas tivesse eu mais conhecimento da miséria teria levado muito mais.

Verdade que me senti feliz de ter oferecido gorjetas de todas as vezes que era servido, desta maneira sentia-me menos culpado, ao receber um muito obrigado e um franco sorriso, creio que bem o mereciam por me deixarem desfrutar daquela beleza de temperatura, e do azul do céu nunca por mim visto; a não ser na minha vaga memória de menino.

É sempre um enorme prazer encontrar alguém bem conhecido em terras distante e ser guiado nos primeiros passos pelo tom de nossa língua; esse alguém eram pessoas queridas e bem conhecidas nos meios Poveiros e Minhotos, muito obrigado.

Depois de conhecer a riqueza, querida conhecer por dentro Cuba e sua gente... com o coração dilacerado pelo que meus olhos viam, uma pobreza ainda maior que nos meus tempos de criança, me deixei deambular pelas ruas de uma cidade accionado pela força das pernas de um homem pedalando para que eu e esposa poderes-mos ver um pouco daquela miséria; apenas sementes nascidas do nosso passado; fazia dor, ao mesmo tempo sentia-mos que pelo menos naquele dia haveria mais pão por aquele suor, mas pão soado tem mais sabor, seria indispensável dar gorjetas para para nos sentirmos mais aliviados.

Amigos entrei na estação de correio daquela cidade, era ainda mais exígua e com menos conforto que a minha cozinha de terra que deixei para sempre no meu torrão.

Na minha visita á fabrica de açúcar transportado num velho comboio que nos esperava, ali estava parte da economia Cubana. Mas era um desterro de pobreza e de segurança de trabalho, e para falar de limpeza desse produto ninguém me acreditaria, fico calado que é mais doce.

Fora da fabrica mais alguém esperava para demostrar de como são feitas parte das bebidas alcoólicas e seu paladares; uma garrafa de melaço com cerca de 120° de álcool agua e uma lasca de limão, esperavam obter mais um rasgo no nosso coração de já muito dorido... sim conseguiram, mas a bebida foi directa ao cesto do esterco.

Uma visita a uma confecção de charutos, fez-me retirar com o cheiro incomodativo do tabaco, a espera fora da pequena empresa foi dolorosa, ao ver mãos se estenderem e mostrarem a nossa folha de maple vermelha em sinal de respeito por Canada com o firme propósitos de nos fazer compadecer.

A experiência num restaurante de estrada, foi desmotiva pela maneira pouco, quase posso dizer honesta, dos serviços e quantidade de bebida; acreditem, duas onças de vinho mais dois Pesos turísticos.

O terreno pobremente manejado e muita falta de agua de rega, mas uma quinta pertencente a alguém Canadiano desfazia-se com belas laranjas quilómetros e quilómetros, tomates como cerejas, eram campos e campos, assim com feijão verde, também dava gosto ver, mas o resto meus amigos, imaginai pobreza como nós nunca tinha-mos visto, que mesmo as nossas lembranças terríveis se tornavam doces em comparação.

Voltei, mas fiquei com saudades daquele azul e das ondas que me beijaram, e do ar que se embrulhou na minha pele.


Por: Armando C. Sousa

Clique na imagem
e envie esta página!

Voltar