O amarrar do amor III
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Corvo
azul com doçura retirou os braços e os lábios
de Pena Amarela, esta olhando em redor corou, mas não pode
dissimular a meiguice de seus olhos, e mais uma vez lhe atirou
um beijo como um obrigado, Corvo saiu da tenda ao chegar viu Gloria
da Manhã rodeada pelo feiticeiro das tribo dançando
atirando as penadas de fumo para jovem que não sabia o
porquê.
Neste
momento porque ninguém sabia onde se encontrava Corvo Azul
todos os guerreiros e as jovens o procuravam nos arredores de
seu acampamento junto à grande Queda de água e a
pequena lagoa do precipício.
Mocho
Graúdo o feiticeiro, pai de Curvo Azul fazia todas as sortes
de bruxarias para saber de seu filho, mas nada conseguia, havia
apenas uma solução, enviar sua águia real
em sua procura e ela lhe ensinaria o caminho.
Neste
momento Corvo Azul encontra-se dentro de tenda real, pedindo a
Olho Certeiro sua filha Gloria da Manha, pretendia-a para sua
esposa...o Velho índio disse rapaz vê que não
te enganes. Eu vi Pena amarela que creio que está apaixonada,
e aqui um que cometa bigamia em família morre
Precisas
de ter tempo Corvo Azul, de tempo para pensares; alem disso uma
moça que corra o fado, mesmo depois deste cortado; volta
a o correr a cada sexta-feira do dia 13 se lua alumiar, o fado
correra nesses dias, e o fado só termina quando for cortado
e escorrer sangue de amor.
Havia
uma algazarra entre as crianças, uma águia real
em luta com um falcão nos ares era o motivo. Todos saíram
para ver.
Nesse
momento a águia real deixou a luta e desceu como um chumbo,
pousando no ombro de Corvo Azul, que retirou um bilhete dizendo
manda a águia de volta estamos preocupados, e ela voltará
para te guiar no caminho.
Olho
certeiro mandou entregar uma canoa a Corvo Azul, dois cavalos
arco e flechas e peixe seco, dizendo espero que o amor não
faça guerras entre famílias e entre nações;
Corvo Azul abraçou e beijou Gloria da Manhã enquanto
os olhos de Pena Amarela desciam umedecidos.
Montou
no seu Pintado, era este o nome do cavalo oferecido por Olho Certeiro,
e seguiu os vôos rasos da águia, ouve festa chegando
ao acampamento.
Apenas
disse que tinha estado noutra tribo para alem dos grandes lagos
e das montanhas. Lá tinha deixado tudo que amava, e era
mais que a própria vida.
Pediu
a seu pai o calendário das luas, pois estava perdido de
amor por Gloria da Manhã, teria de a resgatar desse maldito
fado. Ho, Corvo Azul sonhava em fazer amor com ela logo e se poder
banhar os dois na lagoa da cachoeira, assim librar para sempre
seu amor do seu triste fado, mesmo que tivesse de amarrar o seu
amor. Isto entre nós ele pensava na Pena Amarela, mas duma
maneira, cheia de compaixão, esperava que a Gloria da Manhã,
tivesse arte e manha de convencer Pena Amarela, que afinal existe
muitos homens no mundo.
Depois
de uma conversa Pena Amarela confessou a Gloria da Manhã
que caía de amores por Espinha de Serpente, mas este foi
expulso da aldeia por seu pai Olho Certeiro, mas amei Corvo Azul
quando ele levantou o vestido de cima da minha anca, toda tremi,
mas já passou, sei que Espinha de Serpente tem chorado
por me ter magoado, esta noite ele levantou a tenda no canto onde
durmo, para saber como passava; eu para o convencer deixei-o por
a mão na ferida que estava quase curada...ele partiu porque
o pai deu sinais de acordar.
Gloria
da Manhã chorava, pensando quando voltaria a ver o homem
que lhe deu melhor viver, e se sentiu pela primeira vez tremer
todos os pêlos e cabelos, amarrada nos seus braço
e lábios colados,
Pena
Amarela convenceu o pai a deixar Espinha de Serpente voltar ao
acampamento, se ela casa-se com ele acabaria guerras na família.
Sexta-feira
13 de Maio de 2005 estava a chegar, corvo Azul desceu á
gruta da cachoeira, estendendo arame farpado e laçada ao
longo da gruta, sem nada contar no dia 12 pela noitinha desceu
e entrou na gruta, a lua mais parecia uma canoa que entrava nas
águas que caiam; Corvo azul de aguilhão em punho,
flechas e arco à tiracolo esperava...os olhos e ouvidos
sempre alerta ao menor ruído; horas passaram, de repente
grande vento passou, mais longe um relinche e ai ai ai...outro
estrondo na água, vento, Corvo Azul espetava sem aguilhão
por todos os lados, e uma figura de mulher nua em sua frente,
era Gloria da Manhã, que desta vez estava libre de correr
o fado, se verte-se sangue por amor.
A
capa de Corvo Azul estava estendida, os dois se abraçaram
e rolaram como loucos.
Gloria
da Manhã, sentia um ardor de paraíso entrando de
seu corpo, nunca em sua vida tinha visto céu tão
lindo, onde ela mesma se sentia dentro desse céu, sensação
mais agradável que se pode sentir, depois das maravilhosas
sensações acalma, a madrugada despontava, os dois
desceram ás águas da lagoa, que estas juntaram os
dois num só amor
Como
predestinado pelo fado, as águas agora lavaram o sangue
do feitiço, unindo dois seres para a eternidade... os relinches
e ais que Corvo Azul ouviu nunca soube de onde saíram,
a sim, este pensou; foram talvez despistes do feitiço prestes
a ser quebrado.
Corvo
Azul tinha preparado uma túnica de duas peles de veado
para a Gloria da manhã que ficou surpreendida com a beleza
da prenda que recebeu em estado de nudez.
Os
dois subiram na corda feita de peles e com muitos nozes para facilitar
a subida; os dois se encaminharam para a tenda de seu pai o feiticeiro;
Corvo Azul pediu ao pai para com seus ispiritos os unir eternamente;
o pai respondeu, o amor não se pode amarrar, este tem de
ser libre como o vôo de andorinhas, estas se beijam constróem
seu ninho e nunca se sente a haver ciúmes, o amor tem de
ter liberdade e por ele se amarra para a eternidade.
Olho
certeiro e família foram avisados que Gloria da Manhã
lhe fora cortado o fado por Corvo Azul, e que os dois lavaram
o sangue do amor; estes que seriam unidos na próxima grande
lua; esperando que Olho Certeiro traga o grande espirito para
os unir e fumar o cachimbo da vida com o povo do outro lado dos
grandes lagos.
A
festa foi rija, e as benções múltiplas; foi
fumado o cachimbo de paz entre os dois povos.
A
ultima vez que foram vistos Corvo Azul e Gloria da manhã
estavam abraçados junto ao reguinho onde Corvo Azul se
ia lavar cada manhã, onde se podiam ouvir os sussurros
das águas caindo na pequena lagoa que lavou o sangue do
Amor, unindo dois seres para a eternidade...
(3ª
parte...???)
Conto Inédito
de Armando Sousa
Por: Armando C. Sousa