Mais saudades

 

Todos os dias o pensamento nos coloca desafios de desejos, uns de aprender muito depressa, outros mesmo ter uma malga de café com pão daquele miolo da broa de milho mesmo grosso.

Temos desejos sem barreiras nem limites no pensamento, e querem muitas vezes ultrapassar mesmo a realidade.

Outros pensamentos com um certo grau de simplicidade quase que conseguimos dar parelha ao que desejamos, dependendo do nosso angulo de visão.

O imigrante deixou ficar tudo preso ao berço, coisa que o pensamento não pode arrancar do solo amado.

Partimos, e isto não significa que temos duas casas uma lá outra cá, apenas significa que nossas raízes se alongaram.

Que tem dois nomes, mas nunca duas Pátrias.

Quantas vezes o silêncio, toma conta da nossa realidade de emigrante, queremos gritar, desabafar para com nossos filhos, que aqui nasceram, mas que já trazíamos dentro de nós, criados com o leite das cabras da nossa terra, com as espigas e batatas e couves do solo que nos viu nascer. Com a alquimia e cheiro das nossas mimosas e eucaliptos.

Nós queríamos dizer-lhes bem alto e perfeito som; perdoai-nos por fazer desta, a vossa pátria; quando vossa Pátria deveria ser outra; mas afinal foi esta a mais carinhosa que nos deu pão, nos deu ensino e nos agasalhou do frio.

Ao ouvir a minha língua, que é minha verdadeira pátria fora da pátria, fervilho com memórias que ressoam em tom doce; as cores são semelhantes ao vôo das borboletas; o sabor é parecido aos desejos satisfeitos duma mulher, harmonia.

Quantas vezes a voz interna, do nosso eu, é que nos cria a satisfação; ela nos arranja também os problemas; gera insegurança, e implanta o medo em situações mais complicadas.

Vencer as saudades é vencer-se a si próprio, e isto é uma; senão a maior barreira, a transpor neste nosso mundo cão.

Saudades nasceram com nós, vem desde à centenas de anos fazendo parte de nossa sina; pois nós viemos do sangue de nossos bisavôs que as levaram para além, essas mesmas, com eles vieram da Índia, seguiram para o Brasil. E para o fim do mundo, eles as levavam na sua imaginação de ignorantes aventureiros; as legaram à nossa língua e nosso sangue; com elas viemos erguendo um pedestal de glórias e saudades.

Até nossas lágrimas são parte do suor que mais salgou as águas dos oceanos sem fim.

Sei que não sou desta terra que vai do Atlântico ao Pacifico, ladeados pelos gelos eternos; sol da meia noite, ventos cortantes, e noite sem dia; aqui não assobia o melro na oliveira do baldio; aqui não tem a casca de pinheiro manso, com que confeccionava meus carros de criança.

Não, aqui não vejo crianças jogando o pião, ou saltar ao eixo; não ouço o roncar do mar zangado com os penedos, querendo galga-los.

Não o queria dizer para não entristecer meus filhos, mas aqui, não corre a água que banhou meu corpo nu e esguio; não foi aqui que escondia calças aos pedaços e camisa sem botões por os ter arrancado para jogar o teipe, para me lançar nas águas do rio Pele, ou do rio Ave que dividia meu Minho.

Oh! Falar do Minho; as saudades aumentam; não porque acredite; mas aqueles mosteiros herança dum passado imponente e erigidos nos mais íngremes dos montes, onde creio que tantas vidas deveriam perecer, ao peso do impossível "mas" do ter de ser; ali onde os monges eram senhores de sua vontade; queriam suas portas mais perto do céu.

Onde apenas as estrelas podem, únicas testemunhas mudas de como as fortunas ali entravam e seguiam para o Banco Ambrosio, Banco especial do Vaticano, que hoje diz que tomará conta de Fátima, porque os Bispos deixaram orar aquele monge Tibetano Dali Lama na Basílica Altar do mundo.

Se eu pudesse descrever as saudades em poucas palavras; apenas diria; saudade é uma coisa que a gente gosta, mas não está presente, e assim ficamos angustiados por não ter presente o que gostamos, e saber que nunca mais volta.

Depois entra em nós preocupação, assim nos culpamos por não termos feito a ultima visita, de não ter dado o ultimo adeus, o ultimo beijo, ou abraço, ao amigo que já não é mais de certeza; certeza é ter deixado de pensar na decisão que deveríamos ter feito.

Desta maneira ficamos com um pressentimento que erramos, ficando com vergonha, desejaríamos um pano preto para cobrir nossa cara; sentimos assim interesse de ver que ninguém descobre nosso sentimento.

Amigos como estou falando de sentimentos vou usar alguns pontos de vista do Jornalista Escritor Arnaldo Jabor, que diz: Todos exercícios que fizemos, tem apenas um objetivo; encantar a mulher, e seus sentimentos.

Esta de dizer, que à frente de um grande homem está uma grande mulher, é uma frase antiquada: deve-se dizer à frente dum homem bem-sucedido está uma grande mulher, de verdade é a mulher que faz mover o mundo; sim, ela é que tem o poder; é a mulher que quando se compra uma casa, ela é que escolhe; o carro e a cor, ela é que decide, quando e aonde vai passar ferias, a mulher tem sempre seu ponto de vista e querer.

E pode-se dizer, bendita a hora que a mulher deixou a cozinha, por umas refeições no restaurante, uns bolos no café e trocou o pé descalço pelo sapato de tacam alto.

Tu que és Homem, já pensastes em casar-te com um anel de mer... Mundo sem sogras imagina, se fossem todos assim?

Tens alguns motivos para não veres a mulher muito mais apetitosa; basta o cheirinho a mulher que toma banho a cada dia mesmo só o cheiro do xampu.

Aquele jeitinho de encostar a cabecinha ao ombro; o jeito de pegar em nossos braços, e depois aquele jeito do beijo quando o desejo é mais que o beijo; aquela perfeição de te puxar ao deitar.

Mesmo aquele jeitinho de comer, e os olhos a revirar, até nisso são encantadoras.

Verdade, elas levam horas a se preparar e vestir, mas no final vale a pena, a gente fica orgulhosos.

Depois aquele jeito quando querem... eiii... Agora não vamos recomeçar a briga não?

Aquele jeitinho de dizer estou cansada, mas com saudades daquelas cambalhotas de ontem...

A ternura de seus beijos quando lhe demos um ramo de flores.

Aqueles sentimentos de família e amigos estampados nas suas lagrimas que nos fazem querer mudar o mundo... Talvez umas férias para apaziguar sua dor.

Creio amigo que deves dar este artigo a ler a alguma mulher que ames, para que elas se apercebam o quanto são apreciadas.

Nas suas maneiras de honestidade e amor, nos seu jeitinhos de nos levar ao píncaros, porque afinal, nós vivemos só para elas!

Por: Armando C. Sousa

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