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Depois das noites vem as
madrugadas com frescas manhãs, quando elas chegam precisamos
de reviver e deixar a morte onde estivemos mergulhados; esperamos
sentir mais uma vez o sol ou a chuva; mas quantas vezes sentimos
o vento fresco que gela o corpo.
Assim notemos que o mundo é complicado para nosso pensar;
precisamos deixar entrar em nós uma grande serenidade, e
falamos para nós mesmos. Palavras que nem compreendemos o
significado.
Quantas vezes naquelas manhãs geladas pegamos num pouco de
neve branquinha que caiu enquanto nosso pensar ou espírito
passeava por lugares tão distantes, nunca vistos ou habitados,
mas como se fosse natural este nosso viver.
Fazendo bolinhas com a neve, até nos vinha à mente
de a jogar contra alguém iniciando assim um novo dia de vida,
mas mesmo com vontade de brincar e de viver.
Apertamos essa mão cheia de neve fria encontrando nela a
doçura e a harmonia da vida.
Acabamos de nos levantar do limite do sono que contem a maior proximidade
da morte.
Nesse momento ninguém conhece a verdade suportável;
a vontade perdeu os limites, e o sono é livre de mover nossa
consciência; nele as nossas vontades terminam até que
no corpo venha habitar a vida.
Ao acordar nossa mente pode dizer que é liberada do oculto
que nos dominou durante as horas de sono; nesses instantes deveremos
abrir um sorriso de agradecimento à vida.
Ao acordar fica a vida liberta para receber os elementos que nos
faz viver, e naquele punhado de neve acontece o milagre da água.
Pedra continua a ser a raiz do planeta, a terra e o mar a ser o
suporte do nosso viver, se lhe juntarmos aquela brisa suave que
faz correr os rios de sangue que transporta todos os microorganismos
da vida.
Todos que podemos apertar um pouco de neve ou terra na mão
é porque sentimos a brisa ou o sol que aquece o universo
o verdadeiro suporte de todo o ser vivente.
Quanto tempo?... Ninguém te pode responder com verdade...
“mas” encontrarás sempre quem diga que está
tudo escrito, estará? E desde quantos milhões de anos
que todos procuram a resposta sem obter nada depois da vida ser
nada.
Assim ficamos amarfanhados com memórias que não decifremos,
e nos vem da escuridão do nada.
Procuramos sempre encontrar o fio da incerteza, que nos parece solto
em algum lugar...
À procura desse fio, encontramos o medo solto e liberto,
mas é medo que os mais medrincas procuram afastar com uma
reza de medo e hipocrisia.
Este fio de vida nos leva ver o azul do céu, a beleza das
estrelas, as cores lindas que galvanizam todo o nosso ser, o orvalho
da manhã, as nuvens em castelos de algodão, o frenesi
de sentir as vibrações, dum corpo cheio de desejo.
Se ainda retemos o que restou da neve, sentimos as mãos molhadas
e frias, que se vão tornar num formigueiro de calor; são
nossos microorganismos a fazer mover os rios de sangue que ficou
gelado e paralisado.
A água que passou entre os dedos; já não sei
se veio de dentro de mim, porque agora é salgada, como aquela
que navegaram nossos antepassados, que ainda estão neste
momento navegando no meu pensar.
Portanto estou voando no espaço bem longe da realidade, mas
é aí o lugar das novas descobertas.
Os átomos do espaço entram em meu sangue e oscilam
entre o que será alem e o meu viver, correndo imprecisos
no sopro que me dá a vida.
Como são belas as manhãs, quando há pássaros
que deliciem nossos ouvidos, naqueles momentos depois de acordar,
nos dando o assobio matinal que acorda em nós a alegria.
Essa nos relembra que ainda vivemos para ver mais uma vez o azul
do céu, ou mesmo esse mesmo céu carregado de algodão
macio onde repousa todo o nosso ser.
Ao fundir as verdades de lembranças confusas de um passado
jovem, onde meu corpo navegava aos toques do querer da Ditadura.
Ditadura essa vencida, mas nunca conquistando a verdadeira liberdade
de viver.
Mas está perto o momento que minha mente vai terminar seu
turno de pensar e o futuro se tornará num eterno silencio.
Alguém me juntará as mãos; descendo o já
nada de meu eu, sete palmos; ou me tornarão em cinza, que
poderá condicionar a terra, que alimentará outros
olhos; olhos que do sono irão admirar novas madrugadas, e
sorrirem para a vida.
Por: Armando
C. Sousa
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