Ao fechar dos olhos
Mais um dia e mais uma vez Celito caminhava
pelo carreiro por entre mato e gesta que o levaria ao grande penedo
que se sobrepunha àquela praia onde os turistas armavam
suas barracas contra o penedo fazendo face amar.
Algumas vezes teriam de fugir para lugar mais alto quando o mar
se encapelava; mas havia sempre por ali alguém para apanhar
as algas e escolher as algas mais estimadas para cosméticos;
por ali viviam desde os primeiros meses de primavera.
Naquela manhã, Celito depois de depor seu passe sacos iniciou
o seu ritual; montando o trapézio onde iria iniciar uma
nova tela.
Não tinha decidido o quê quando avistou um rapazinho
que juntava as algas com os pés na areia ainda molhada,
causa, maré ter subido e depostos todas essas algas.
De momento viu correr para junto do menino, uma menina que não
aparentava mais de seis anos.
Ela se abaixava e atirava alguma coisa para o mar; o rapazito
que provavelmente seria seu irmão fazia outro tanto, atirava
para o mar alguma coisa.
As nuvens se amontoavam e o nevoeiro do alto do penedo via-se
subir, quase deixando sem visão as águas do mar.
Celito vendo que naquele momento não tinha lindo cenário
para fazer boa pintura, mesmo as crianças ficaram envolvidas
pelo nevoeiro, e visão era abstrata; assim decidiu descer
a encosta e ver de perto o que as crianças faziam.
Olga a pequenina menina, de cabelos em tranças bem postas
e luzidias, vestido de chita um pouco desbotado, mas limpo, veio
correndo para Celito, dizendo bom dia Sr.
O senhor não quer ver minhas esmeraldas?...Não,
agora estou a chegar, depois talvez se a menina não me
chatear muito; sim não chateio, mas se o Sr. Quiser brincar
comigo fazendo castelos na areia?... Celito respondeu, se o tempo
estivesse bom, eu estaria no alto pintando teus castelos, e em
seguida perguntou: como te chamas? Ela respondeu, o meu nome é
Olga, aquele é meu irmão Tabico, que escolhe algas
para remédio da leucemia.
Celito deu um ar de espanto; mas perguntou, do alto, eu te vi
atirar alguma coisa ao mar; o que te estorvada aqui na areia?
Olga depois de pensar respondeu, eu apenas atirei três ou
quatro estrelinhas minhas amigas com quem falei ontem à
noite. Depois que foi dormir elas me disseram que me vinham visitar,
então; ao vê-las aqui, atirei-as ao mar, d'outra
maneira morreriam com o calor do sol, eram tão lindas quando
as via no alto do céu, e tantas vezes piscavam para mim...
E aqui mesmo nas águas da praia.
E meu irmão atira ao mar todas as estrelinhas que vê,
ele diz que no mar é a casa delas, e são como uma
criança que pode morrer se não tem casa, ou alguém
que lhes déia mimo.
Sr. Eu queria que você visse minhas esmeraldas, são
raras; eu jogo pedrinha com elas: você já jogou pedrinhas?...
Naquele momento Celito olhou para cima e viu um veado que roçava
as antes no seu tripé e o derrubou. Celito ficou furioso
e subiu ao penedo, o sol principiou a erguer-se e o nevoeiro a
dissipar-se.
Célio rebocou seu estojo de pintura para o lugar desejado,
a menina sentou-se fazendo castelos, o irmão Tabico, neste
momento carregava baldes e copos de areia molhada e o castelo
crescia, a vista do mar tornou-se maravilhosa, as ondas com cristas
brancas pareciam gaivotas voando à procura de tainhas.
Enfim aquele foi o quadro mais rico que já mais pintara,
mas uma coisa o preocupava, o ter sido rude com Olga que queria
mostrar suas esmeraldas.
ao outro dia Celito desceu à praia quando viu chegar sua
companheira do dia anterior, logo disse que poderia ver essas
esmeraldas, Olga rebentada de alegria dizendo estas esmeradas
podem ser meteorolitos que passam e não falam com ninguém,
mas pararam em minhas mãos e eu falo sempre com eles. Estes
Caíram no mar e deram milhões de cambalhotas antes
de chegarem à praia e eu os apanhar.
Celito examinou as esmeralda de Olga, eram realmente pedrinhas
lindíssimas com que a menina se entretinha a jogar pedrinha...Olga
olhou para cima e disse como eu goste do Sr. Poderei ver suas
pinturas?... Não Olga, minhas pinturas só são
vista nas exposições e custam minto para comprar
uma replica.
Mas Sr... Então eu nunca as chegarei a ver essas pinturas,
minha mãe diz para eu aproveitar os dias lindos, e os mais
lindos dias tenho-os tido com o Sr.
Minha mãe diz que meu irmão apanha algas para corar
minha leucemia, se ele não as apanha poderei morrer e irei
viver com as minhas amigas estrelinhas, essas que me vem visitar
pela noitinha quando o mar está sereninho.
As lagrimas rebentaram na face de Celito que ele escondeu e voltou
as costas dizendo. Até amanhã Olga, não percas
tuas esmeralda, eu gosto muito delas. Na próxima vamos
fazer castelos os dois e atirar as estrelas do mar ao mar... Jogaremos
com as esmeraldas também; a criança ficou louca
de alegria.
Uns dias chuvosos e outras obrigações retiveram
Celito de voltar ao penedo donde se poderia ver essa paia, entretanto
Celito não esqueceu Olga, e em memória dos que sofrem
de leucemia ofereceu três quadros dos seus mais belos onde
sobressaía o esboço de Olga e deu irmão Tabico.
E assim engrossou o fundo a favor da exploração
do osso da cura, Celito quando voltou ao penedo mesmo com dia
bonito não viu Olga nem seu irmão, desceu a encosta,
e foi espreitar, dento se encontrava Tabico enrolado num cobertor,
chamou e a mãe veio, Celito deu os bons dias dizendo estranhei
hoje não ver Olga e Tabico na praia.
Seus olhos umedeceram e disse Olga morreu, sofria de leucemia,
Tabico está doente e eu temo que seja o mesmo, espero para
o levar ao hospital, ao mesmo tempo dizendo Olga falava muito
do Sr. E ao fechar os olhos deixou suas pedrinhas para lhe entregar.
Celito pegou no envelope das pedrinhas virou costas chorando:
uma hora depois pousava um helicóptero na praia com doutores
para examinar Tabico. Que contataram que era apenas tristeza e
solidão de ter perdido sua irmãzinha.
Celito alem de Grande pintor era poeta, iniciou uma grande campanha
a favor da leucemia. As esmeraldas de Olga foram leiloadas, rendendo
muitos milhões para um fundo que nunca mais tem fim.
Creio que Olga do meio das estrelinhas esta vendo sua contribuição
gigantesca a favor dos que como ela não encontro motivo
de cura.
Para Celito foi um aumento enorme de vendas de replicas de seus
quadros, este retribuía ao fundo quantias razoáveis,
encorajando outros a darem, isto poderá salvar talvez um
dia, um de nós.
Por: Armando
C. Sousa