A Trauma e a Dor
Tudo tem um principio, e a dor vai aumentando
ao descobrir o sofrimento a que são deitados certos sentimentos
podendo dizer desprazíveis, conforme deixemos desenrolar
os acontecimentos.
Não sei se deverei levantar o véu a uma historia
verdadeira que tanto me doido a ouvir aos poucos; depois encontrar
as peças dessa historia quebra cabeças, e encadear
essas peças, desvendando a angustia de tanto sofrer.
Estas coisas nunca deveriam ter acontecido com pais atentos, e
menos agarrados a tradições, dentro do destino,
deveriam ter acreditado na justiça da lei humana.
A justiça humana é que rege, e essa sim, poderia
conter e minorar tantas angustias tantas lagrimas e sofrimentos
duma criança que tanto amava a vida, era alegre, amava
a família, tanto como amava a alegria.
Amigos; queria contar uma historia verdadeira, tão verdadeira
como tantas que acontecem por esse mundo fora, mas que os sofredores
apenas choram sua desdita e se resignam ou sofrimento; tenho medo
de ir abrir novas feridas, ou mesmo de fazer alguém sofrer,
porque usou critérios doentios baseados em crenças
e respeitos, ignorando a justiça.
Esta menina que apenas tinha acabado de fazer treze anos em outubro;
numa noite de alegria, em que ela tinha participado num desses
ensaios carnavalescos, no caminhar para casa foi abordada por
um homem que lhe mostrou uma pistola e a arrastou.
Com grande força, e ela sem grande medo de morrer gritou
à força de seus pulmões por ajuda que nunca
chegou.
Sem nada saber da vida contou o acontecido a uma amiga ainda mais
inocente, que lhe disse desta maneira vais ficar grávida
e teres um filho sem pai.
A menina dissimulou a lagrimas entrou em casa e calou-se; mas
em si existia a trauma do ódio a idéia de ser traída
por um desconhecido que nunca entrara nem alguma vez entrará
na conta de pessoas que poderá amar.
Alice (nome fatídico) chorava sua desdita; no seu pensamento
de criança pensava um dia mais tarde poder entregar seu
ser puro, toda sua virgindade, a alguém que o destino lhes
entrega-se como sua alma gêmea, queria ser idolatrada, mas
nesse momento apenas ser criança brincar sua meninice,
folgar, dançar, fazer parte da maior parada carnavalesca
do Brasil, ou da sua vida ainda ingênua, livre de maldades,
de vícios, neste momento essa criança não
queria ser mais que uma criança.
Nesse momento, ponto que escureceu toda a sua vida, vinha pensando
em sua criada de menina, que para a adormecer lhe contava historias
de como sua raça tinha chegado a esta terra onde canta
o sabiá, como chegou o batuque dos tambores e o tremido
do samba, música sem fim só com o batuque entrava
no coração da gente Brasileira, de todas as cores,
o sambar era vida, era festa, era alegria.
Alice ia mesmo lembrado de sua criada de nome fatídico
(Magrinha) por ser uma rapariga alta e de cor, sangue talvez do
tempo da escravatura, restos de mentalidade Portuguesa que foi
obrigada a construir o Brasil de à 200 anos, onde ficaram
sempre os grandes senhores.
Alice sorria, ao lembrar-se das perrices que fazia a sua mãe,
em pedir o que não estava feito para comer, esperando como
sempre que a (Magrinha) a fosse ameigar e fazer o que essa criança
pirrenta desejava e ficasse para mais uma noite de contar histórias
de ninar.
Alice recordava-se dos seus tempos de criança quando sua
avó que era devota de tudo que se falasse sagrado, e de
fortes tradições a levava vestidas com tarjes folclóricos
Portugueses para que desse a conhecer suas origem, o que fazia
Alice ainda mais orgulhos por ser diferente.
Por: Armando
C. Sousa