45° aniversário de Armando e Felicidade Sousa
Será o fim do principiar?
Ou o reconhecer da satisfação
dum dever cumprido
Meus
princípios, nascer, abrir os olhos para a luz e a vida,
mamar sorrir, crescer, brincar, aprender os primeiros números
escrevendo na areia, botam e pião, inicio de escola, aprender
o valor do saber e da amizade; o trabalhar em família,
o a prender a sobreviver, a obedecer; dentro de mim aprender a
guardar a critica da revolta, crivar o bem do mal, procurar ser
igual, receber, dividir.
15
anos, sentir a atração do imã da pele; conhecer
que os dois pólos se podem tornar em atração
e amor; principiar a viver amordaçado, medo da mentira
ensinada, vergar-me ao peso do poder e da fome; principiar a reconhecer
que a pobreza nunca teria lugar no meio da sociedade com mais
educação; ao mesmo tempo, engolir e reconhecer,
que dentro duma sociedade de ditadura e de igreja, era muito melhor
nada saber, que saber: que afinal, o calado diz tudo, palavra
fora da boca não volta, a revolta sentida tinha de ser
muda.
Uma
certeza: o chispar de diferença de peles, fazia-se cada
vez mais sentir, a solidão, procurava agarrar o imã
do amor num toque final de principio de evolução
de vida.
Aos 21anos outro principiar; procurei com afinco o átomo
do amor, aquele que poderia produzir vida: um dia encontrei essa
atração, mas tinha medo do futuro, daí anos
esperando melhoria que não chegava para principiar. Então
a idade requeria uma decisão final; Principiei, decisão
foi tomada pelo amor e desejo; cujo vírus se tornou em
vida: meia volta, mais vida e mais vida; veio a loucura de não
poder suportar tanta vida.
Uma
grande depressão, tomou conta da saúde desta minha
companheira de 45 anos; precisava de mais pão e de sair
para um mundo com mais igualdade e menos lendas de diabos e bruxedos.
Principiei
outra vez; parti; agora caminhando para o saber, mais igualdade
e amizades; as mãos sangraram, mas nunca mais faltou pão,
(bem dita França) assim principiou em mim o espírito
da aventura; arrastando a mão de minha companheira, e esta
confiante arrastando os rebentos do nosso sangue.
Ali
criamos grandes amizades, que com um outro principiar ou seguir
o destino se tornaram em enormes saudades, que são como
o badalar dum sino, me acordando para me recordar o muito que
recebemos daquelas moças, e de toda a família Gonçalves.
Minha
vinda para o Canadá; mais um principiar; um destino traçado,
de que pouco quero falar; corrente humana; esposa , quatro filhas
de 6 meses a sete anos, vômitos dum outro; nas malas, parcos
vestidos; duas panelas, cobertores que cobriramnossa
nudez de casamento, e pouco mais, uma enorme vontade de vencer.
Aqui
encontrei cheiro da grandeza... homens antes amigos, eram senhores:
as senhoras passaram a Senhora Dona... nós que chegávamos
éramos aqueles miseráveis; o frio no batimento úmido
que vivia era grande... tive de by passar os fios de aquecimento,
mesmo assim, só depois de uma constipação
de deixar marcado alguém na familia.
Principiei
vivendo, ajudado por um Senhor de nome Bouços e sua esposa.
Nesta
gente não havia hipocrisia, mas coração e
espírito de ajuda... saímos da lama para nossa casinha...
livres da quase escravidão em que vivíamos, apesar
de sermos familia única aqui no Canadá.
Mesmo
com rejeição e retaliação da parte
de alguns da nossa língua, principiamos a singrar e vencer;
conseguimos ultrapassar em amor e honestia todos os críticos,
continuando unidos, vendo grandeza caindo na podridão.
Meus
anos deste novo principio no Canadá, foi trabalho de baixo
do chão; mineiro.
Partir
a pedra que nela contem a maior potencia conhecida até
hoje.
Esposa
trabalhando na limpeza dum hospital, foi chave verdadeira do viver
da familia; desgaste de tantos anos; fim do trabalho, reforma
prematura, ajudados pela união em repor a verdade e vencer
o direito...novo principio; desta vez, os netos foram motivos
E
o meu principiar a escrever, deixar desenrolar a poesia que vivia
dentro de mim, e estende-lá no lençol da nossa língua;
vela crescer em diferentes línguas acionadas por o destino.
Sim
amigos, estudei na universidade da vida onde todos vós
fostes professores, todos contribuíste para minha maneira
de pensar e escrever.
Hoje, 45 anos depois das chispas do amor ter dado inicio; estas
raízes que aqui estais vendo, vieram do alem, dentro do
amor e lealdade de nós os dois; vieram do outro lado do
mar, onde se ouvia a assobiar o melro, comendo a vaga do loureiro,
onde o amarelo da mimosa anunciava a primavera, a água
cristalina, descia de cascata em cascata cantando, o cheiro do
eucalipto cheio de frescura, é hoje igual ao cheiro da
saudade.
Mas o choro
da fome, nunca será igual á alegria de ter vencido.
Obrigado
destino, por nos ajudar a cumprir o dever.
Por: Armando
C. Sousa