| Uma
carroça vazia minhota
Era muito jovem e tinha um amigo que era Padeiro, ou por outra os
pais eram padeiros e o filho ajudava em todas as lidas do cozer
do pão e distribui-lo, pelas tabernas e depósitos
de venda.
Eu como trabalhava em turnos, no meu turno de noite procurava ir
com meu amigo para conversar um pouco, da nossa mocidade, das moças
e muito mais.
Quantas vezes para ler o jornal meu amigo ou o pai comprava diariamente,
e o meu magro ordenado não dava para nada.
Então diversas vezes acordava e perguntava a minha mãe:
O Chico padeiro já passou?…
Em certas ocasiões ela respondia-me, ouve –me? Eu respondia-lhes,
soa como rodados duma carroça…
Ela me respondia, sim d’uma carroça vazia: eu perguntava;
como sabe mãe se ainda não a viu!? Ela me respondia:
É que, uma carroça vazia faz muito mais ruído.
Outras vezes, respondia: Vem ai uma carroça carregada, e
era verdade, lá vinha meu amigo, e com ele o jornal.
Quantas vezes nos ponhamos a conversar de como esta gente Minhota
era de trabalhadores, e gente amigas das rugas, noites de desfolhadas,
das cantigas ao desafio a caminho das romarias, dos magustos pelo
S. Martinho onde toda a aldeia era convidada.
E dessa maneira, se encontrava um namorico, que os levava ao altar
mor, para receber o sacramento do casamento.
Mas noites de espadeladas, desfiadas, e mesmo de bordar, onde as
cantigas e as vozes das moças e mulheres cortavam a escuridão
da noite, atenuando o medo, na mente dos que acreditavam em deuses
e diabos.
Estamos quase fazendo meio século que chegaram aqui ao Canadá
os primeiros pioneiros, entre eles os primeiros minhotos.
A sua carroça vinha vazia, nela carregaram apenas os sonhos
duma casinha, uma concertina, um pedaço de pão de
milho, uma garrafa de cachaça e um garrafão de vinho
verde tinto, isto porque eram Minhotos: a carroça fazia barulho
(como dizia minha mãe) vinha vazia: os Minhotos nunca foram
alem de sonhos pequeninos, resignaram-se com o barulho dos bombos,
com as vozes bonitas das moças, que sempre mostraram sua
cara risonha e seus lindos trajes.
Os homens sempre com aquela força, antes quebrar que torcer,
mas nunca quiseram mostrar de onde vinham, com medo de ganharem
uma identidade verdadeiramente Minhota, talvez com medo de perder
o lugar de pequeno comando, porque lhes falta uma visão mais
larga.
As visões pertencem apenas a grandes mentes; será
que as mentes Minhotas ficaram amarradas aos montes e nomes de seus
lugarejos !???…
Pensas que esta gente não tem capacidade de atravessar o
medo?, e embrenhar-se numa idéia muito mais larga; como seja
de construir uma casa Minhota?…Tenho certeza que aos Minhotos
tudo é possível, e que os Minhotos são capazes
de um sonho muito mais largo ainda, depois de construída,
a sua casa, abri-la a gente de nossa Pátria, porque afinal
aqui nossa pátria é nossa língua, e o Minho
é apenas uma Província da nossa Pátria.
Tenho certeza que os filhos dos pioneiros estão mentalizados
para encherem sua carroça, não apenas de conversas
e sonhos, muito mais que isso; encher a carroça de mentes
realistas, que construam realidades, e se alguns não quiserem
entrar na carroça é porque nem minhotos são,
devem pertencer a algum lugarejo que nem sabem, a que províncias
pertencem, e que se acomodam com criticismo, os tais que nunca foram
capazes de grades sonhos, tolhidos pelo medo que lhe enraizaram
na cabeça, ou por interesses egoístas.
Nós, Minhotos pertencemos ás famílias que ajudaram
o primeiro Rei a construir um País; também pertencemos
ás famílias daquele que veio dar o nome a uma das
terras famosas deste País (Lavrador) ao Conde Peres de Caminhas,
que descreveu a historia, da chegada dos Portugueses ao Brasil,
assim como de nós, faz parte o grande dramaturgo e poeta
Gil Vicente.
Tem calma, amigo! Tu não estas só, nós também
estamos aqui, não terás de fazer tudo sozinho, e ainda
terás muitos Portugueses d’outras Províncias
que te ajudarão.
Isto porque todos sabem que o construir uma casa Minhota é
uma aspiração justa, e possível; uma casa Minhota,
com lugar para tudo, e todos, que se torne no orgulho de todos os
Portugueses, que seja abrigos dos da nossa língua, o ninho
do folclore, de toda a província, sobretudo o celeiro da
Gastronomia minhota.
Amigo tu crescestes vendo o milho crescer, vendo as folhas ondular,
viste o correr das águas do Rio Minho, Lima, Cavado e Ave,
não gostarias de ver nascer uma casa Minhota nesta terra
dos grandes lagos? Sendo a herança tua e de teu País,
doada a teus filhos e netos, descarregando os sonhos e enchendo
a carroça de realidades.
Por: Armando C. Sousa
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