Um dia de pesca inesquecível

 

O destino me levou ao nordeste do Ontario, uma pequena vila de nome Elliote Lake… em Português se pode dizer Lago Elliote; mas onde se concentravam as maiores ressarces de Unário conhecidas depois dos anos 1955 até aos fins de 1980, quando foi descoberto Urânio a céu aberto numa das províncias das mais ao nordeste desta nossa província do Ontario, esta descoberta e a queda da USSR que atirou para o mercado mundial Urânio ao desbarato, originou a queda dos preços, e com o partido de N.D.P. em poder contrario ao desenvolvimento da energia nuclear no Ontario destruiu o que foi considerada por muitos anos a capital do Urânio, ELLIOTE LAKE, dos restos que se chamavam (Talings) era portanto extraído um produto de nome Ytrium que serve para dar cores a TV e tinta aos computadores…

Nesse tempo o Urânio extraído por tonelada de pedra aproximava-se de um quilo, ao passo que na outra Província era mais de 10 quilos por tonelada.

Com o agravante de um operário apenas poder estar no trabalho com tamanha radiação menos de duas horas ao dia, e mesmo assim sujeito a contrair células cancerosas em poucos anos de trabalho.

Ora para passar tempo de folga, o mais saudável era a pesca no meio dos lagos, ou caçar no meio da floresta, quer uma coisa quer outra, não se vinha para casa sem nada, e os pulmões vinham cheios de ar fresco depois de uma semana quase sem ver o sol e trabalhar no meio do fumo de 350 veículos a gaz-oleo, com um sistema de ventilação sem filtros outros que não fosse água a descer a poeira com suprais, ou mascara que fazia os pulmões se esforçar para respirar.

Porque digo tudo isto?…talvez para justificar o porquê que mais de 50% dos mineiros tinham barco e Skidoo, ou jipes ?…sim mas ao mesmo tempo era um dos meios de entretenimento mais saudáveis, para a vida de trabalho que o destinos nos brindara.

Alem de tudo isto para reviver saudade de ontem, de tempos que não voltam e cada dia mais nos distanciamos a caminho do nada.

Mas as coisas más da vida trazem sempre alguma coisa de bom, mesmo a morte é desejada para por fim à dor.

Claro que poderia falar da guerra, mas vós estais cheios de ouvir falar e sofrer por causa desses espíritos de egoísmo ou ocos.

Poderia falar-vos da bola, mas de bola estais com a bola cheia, poderia falar-vos de políticas, mas disso estais vós cheios de ouvir mentiras e promessas vazias, enfim resolvi falar-vos da minha saudade.

Naquele dia de junho mais de um quarto de século passado, de manhã, de pois de levantar da aurora atrelei o barco ao carro, meu filho Idalino como companheiro, seguimos rumo ao lago Danlup. Cerca de 25 quilometro de longo em certos pontos dois de largura, águas calmas, deitamos ancora numa das muitas casas de castor onde o peixe se mergulhava no leito ou entre as pedras ou trocos de arvores caídas, talvez ali adormecidas por centenas de anos, bom o certo é que naquele dia apenas bass da pedra vinha ao anzol; guardei uns tantos para dar às gaivotas, mas estendendo avisto a cerca de 50 metros nadava um enorme urso preto, então encaminhei o barco para esse urso e lhe atirei o peixe destinado para as gaivotas, o urso o engoliu com sofreguidão, outro peixe, mais outro, e o urso começou nadando em direção ao barco, mas de momento avistei dois pequenos filhotes atirei-lhes com o resto dos peixes e arranquei a alta velocidade não fosse o diabo tece-las; procurando outro lugar de pesca, desta vez de trole.

Dois ou três quilômetros percorridos avisto como sendo um tronco de arvore flutuando, mas ao aproximar-me noto que era um Murso, animal de grandes hastes , estes animais de grande porte abundam nos lugares, seguindo a direção do animal vi numa baía mais ervosa cerca de meia dúzia desses animais alimentando-se das ervas do lago, e assim a batizei como seja a bay dos Mursos.

Preparei as amostras, (arvores de natal) como alguns pescadores lhes chamavam isto por serem longas de diversas cores…. Normalmente entre o Prata e o ouro….. eu preparei uma nikel e vermelho, (atração total) preparada com uma líder de 40 centímetros anzol e minow .

Atarefado a pescar, dominando barco, motor, e cana com linha de chumbo 40 libras de pressão; retirei a primeira truta: retirei a segunda: agora pensando na a mostra atração total;… de momento meu filho diz pai vai ali um peixe todo vermelho e grande, eu olho e ainda vi a grande rapela vermelha a desaparecer na profundidade das águas.

Apenas lhe disse, deixas-te ir a amostra vermelha, apenas me disse estava brincando pai e a amostra fugiu.

Estava muito habituado a perder amostras de valor, mas a pesca é assim, um quilo de peixe pescado por amadorismo e passa tempo custava 10 ou vinte vezes mais que o peixe comprado.

Depois de fumar um cigarro e dum copo de café retomei a pesca, a minha surpresa foi grande pois não tinham passados 5 minutos e sentia a cana vergando de uma luta tremenda que as trutas me davam, depois de retirar quase toda a linha vi qual o mistério de tanta luta; na ponta do anzol debatia-se uma bela truta de cerca de dois quilos; mas via que entrançada na amostra vinha a tal de atração total de nikel e vermelho que apontava para o fundo debatendo-se com estrema forma.

Ao barco a dar a volta porque ou teria de olhar a cana ou o motor que fazia de leme, Idalino lançou mão da amostra vermelha, onde trazia uma truta maior que a primeira, a alegria do Idalino foi enorme por ter recuperado a amostra e a mais bela truta da pescaria

E eu lembrado-me do ditado que diz, nem todos os males vem por mal, existe males que vem por bem.

Este dia de pesca é inesquecível para mim e para ele, e hoje serviu para me fazer voltar a um passado na corrida de minha sina até hoje.


Por: Armando C. Sousa
armando.sousa@rogers.com
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