| Portugues
C. C. de Mississauga
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Entrou
na primavera, com o baile dos Continentais, verdadeiro convívio.
Ao entrar
na sala de visitas e entrada, via-se uma exposição,
que mais considero um museu de saudades duma infância como
a minha sem eletricidade e a casa das necessidades perdida no meio
do quintal.
A
primeira coisa que me bateu nos olhos foi o pote da noite, outros
diziam o vaso da noite, que se escondia na mesinha de cabeceira
se a houvesse uma; eu metia-o debaixo da cama e apenas lhe chamava
penico.
O
lampião e candeia a petróleo, as panelas de três
pernas. A galheta do azeite e ainda aquela louça azul que
enfeitavam os louceiros, com uns raminhos de loureiro, para dar
bom cheiro, isto já lá vai mais de meio século
…
Ali
se poderia ver o artesanato de linho, cobertas de coroa de Rei,
toalhas e panos bordados e mesmo sacos de guardar o pão das
moscas; sim, é certo, certas lembranças fazem doer,
mas é a palavra companheira da saudade.
Em
exposição estavam também os utensílios
de cozinha feitos em cobre, talvez trabalhos das mãos artesãs
da gente de Caminha
Mas
porque digo verdadeiro convívio… é que cada
família levava o seu pitéu, para ser junto e servido
aos presentes, cerca de 500 almas, unidas pela língua, demonstrando
um grande apego e amor por este Clube.
Digo
isto, porque alem de se mostrem verdadeiras fadas da cozinha, estas
mulheres Portuguesas, também são doceiras, com uma
infinidade de doces, receitas de todos os cantos de Portugal Continental
e Insular. Toda a gente pagava a entrada e também ao servirem-se
em tipo bufete, deixavam cair $10 dólares na peneira para
o jantar convívio.
Gilberto
Diniz, no fim do jantar agradeceu a amabilidade de entre ajuda dos
presentes para este convívio; anunciado para o dia três
de Abril, uma noite de fado, com fadistas vinde de Portugal, como
Jantar, (queijo Fresco, Caldo verde, Bacalhau da grelhe, e batata
á murro, e deserto).
Ao
bater da meia noite outra vez caldo verde fresquilho e chouriça
ao (flambê.) quase assada na mesa.
Gilberto
deu ordens para a banda do Tony Gouveia dar inicio a uma noite de
carinho e de desgaste das calorias ingeridas, anunciando a apresentação
e danças do magnífico e color fulo, inédito
rancho folclórico de Mississauga; digo inédito porque
engloba trajes e danças de todas as regiões continentais
e Insulares numa comunhão de amizade inigualável nestas
paragens.
Tendo
como ensaiador, um Minhoto de raiz, e como diretora do mesmo rancho
uma Sra. Insular, tem ensaiado 26 números de danças
do nosso basto folclore, formando dois grupos, os mais pequeninos
e os juniores e adultos.
No
dia dois de Agosto partem cerca de 100 dançarinos e estúrdia
que compõem este conjunto de danças populares Portuguesas,
para a terra mãe desta cultura que espalhamos nestas terras
fias e longínquas, tornando em reverso o fenômeno da
cultura, estes vão fazer quatro aparências, em Portugal
Continental, mostrando que o outro terço dos Portugueses
espalhados pelo mundo não se esqueceram de suas raízes,
e da cultura de seus avôs.
Nesta
demonstração, primeira noite de primavera, os mais
jovens dançaram (Rosmaninho) (está aqui mas não
é para ti) e dos Açores (Pezinho) os Juniores dançaram
(Rosinha) (senhora da carreira) Ratinho e vira furado, terminando
com o hino do Clube.
Uma
travessa de lagosta a favos do Rancho foi rematada por $500 dólares
e uma argola Pão de Vila Franca por $100. Dado o amor que
nutrem pelo rancho.
A
noite continuou animadíssima com música do magnífico
conjunto Tabu de Tony Gouveia.
Aos
diretores do Rancho meu muito obrigado em nome pessoal e do jornal,
por mais este convite de convívio com a nossa língua
e nossa gente.
Por:
Armando C. Sousa
armando.sousa@rogers.com
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