| O
medo
Medo,
apenas existe na nossa mente, medo é uma palavra mágica
criada para nos assustar associada aos sons ríspidos e muito
agudos que criam em nossa mente calafrios.
Medo
é palavra da nossa língua que aprendemos em criança.
Dizia
a nossa mãe com sua inocência, quietinho se não
vem o papão; depois com o crescer essa palavra foi-se associando
, a crendices diabólicas, ou mesmo boatos de almas penadas
aparecerem em forma de gatos, em certas quelhas e caminhos mais
escuros, e portanto menos freqüentados, exatamente por causa
do tal medo.
No
meu tempo havia a crença de que existiam bruxas, que se podiam
fazer feitiçarias, que apareciam lobisomens, uma outra espécie
de diabo, que as pessoas pintavam em quadros e os padres vinham
benzê-los pela páscoa, para não terem medo de
olhar para os quadros, representando um morto a ser arrastado para
o inferno… isto era conforme a terra que agente vivia.
Mas
na verdade os padres para aumentarem ainda mais o medo, que já
de si trazia as pessoas aterrorizadas, ainda no fim da missa dominical,
vinham com aquela oração… para que deus nos
livre do fogo do purgatório e dos espíritos malignos
que andam pelo mundo para perder as almas.
Hoje
tenho a certeza que não existe nada de diabólico ou
feitiço sem existir o medo.
Tudo
que acontece são fatos naturais, mas associados ao medo,
e este medo associado às historias de lendas associadas as
portelos de cão, sete pontes sete fontes, gatos pretos e
sobretudo defumadoiros. Que diziam ser para afugentar espíritos,
ou doenças nervosas que o Dr. desconhecia, ou não
acertava com os medicamentos; naquele tempo que eu era jovem, desconheciam
o que poderia ser medicamento milagroso para mim, poderia ser letal
para outros doentes.
Então
aquelas mulheres abruxalhadas, que só tinham mais que as
outras uma língua bem afiada, faziam as tais feitiçarias,
para atrair amor não correspondido, tu acreditas hoje nisso?…
Quando
eu tinha 14 ou quinze anos associava-me com outra juventude para
contar historias desse gênero.
Verdade,
os de espírito mais fraco e crédulo, revisavam essas
historias sempre que se encontravam sozinhos, em sítios duvidosos
altas horas da noite.
Eu
fazia parte desses crédulos, até o que vou contar
aconteceu.
Tinha
eu cerca de 17 anos, o verão tinha sido longo e seco…
para atenuar a falta de energia nas industrias têxtil do Vale
do Ave onde eu trabalhava; era preciso repartir a mesma pelas industria
a determinadas horas.
As
horas que eu trabalhava eram das quatro à uma hora da tarde,
precisando sair de casa, uma hora mais cedo par palmilhar os 6 quilômetros
que separava a casa do trabalho.
Quatro
e quinze da manhã, a noite estava escura, caminhos estreitos,
rodeados de eucaliptos e pinheirais, eu lá seguia assobiando
para esquecer as historias de diabos bruxas e lobisomens, quando
de repente senti qualquer coisa a queimar-me um pé, estorceguei
por cima de uma pedra, então senti um cheiro forte a alecrim
alho arruda e funcho, os ingredientes principais juntos com brasas
de defumadoiro.
Nesse
momento o meu cabelo ficou mais teso que o de um porco espinho,
não sentia nada na cabeça, as pernas tremiam e um
suor frio corria de todo o corpo; minha boca abriu-se para dar um
grito estrondoso, mas logo se fechou, meu pensamento trouxe-me à
realidade, dizendo existe gente mais crédula de que tu e
mais estúpidos.
Agora
com forças redobradas segui meu caminho, mas logo me lembrou
que teria de passar ao cemitério de Delães e que era
ali a cento e cinqüenta metros.
Meus
amigos minha histamina nesse momento redobrou, mas ao mesmo tempo
pensava, porquê hoje sexta-feira e dia 13… coisas do
caralho ou do acaso.
Neste
momento principiei a ouvir um barulho dentro do campo de milho que
rodeava o cemitério…zzzzzzzeet zzzzzeeeeet zzzeeeeeeeeet
de momento por entre das pedras que vedavam o campo saiu qualquer
coisa que passou por entre as minhas pernas e logo a seguir outra
maior; o meu pensamento abriu-se espontaneamente, isto não
é mais que uma raposa ou um cão atrás de um
coelho, e logo a seguir ouvi chiiiiiiiiie chiiiiiiiieeeeeee, pobre
animal estava seguir a lei da natureza, alimentar o mais forte.
Mal
me tinha refeito disto e já ouvia mesmo encostado ao cemitério
geeeet geeeet.
Desta
feita subi a cima da parede, pois já me estava a subir os
cabelos pensando outra vez em crendices e ditados, mortos e diabos,
logo que subi acima do muro vi que era água que corria dentro
do tanque e que já não fazia falta para regar.
Tudo
o que se passou foi exatamente por eu ter associado o medo à
crença; respirei fundo, agora era outro homem.
O
meu pensamento dizia, tu és mais forte que todos os diabos,
não temas Armado, diabos não existem, assim pensado
segui meu caminho desta vez olhando bem de frente as campas e os
mausoléus do cemitério ainda a desconfiar de ver alguns
espíritos a espreitar.
Sai
desta experiência inventaria mais homem.
Sei
hoje que todo o fenômeno tem uma explicação,
mas os padres de meu tempo devem muito há justiça,
por ter enraizado estas crenças nas mentes frágeis
que não conheciam outra educação.
Acreditai
que nunca devemos pedir conselho ao fanatismo, ou a religiões,
todas as religiões procuram um motivo para extorquir dinheiro
ao que está dominado pela crença
Drs.
e homens de ciência querem ajudar a demolir esta podridão
mas não os deixam, os governos amam tanto o poder que se
ligam a todas as crendices impingidas pelas religiões…
reparais onde vai ter vosso dinheiro de promessas!… reparai
que essas benzedeiras que dizem que ajudam, não são
capazes de se ajudarem a si próprias.
Se
eu não retirasse a crendice de criança de minha cabeça,
como poderia eu trabalhar a 1.400 metros abaixo da face da terra,
muitas das vezes sozinho, com o estalar das pedras com a pressão,
ou o estalar dos canos de ar com 40 centímetros de diâmetro
e quilos de pressão de ar, muitas vezes terminava a bateria
da luz, e ter de caminhar em escuridão total e lembrar-nos
que estávamos muito perto do inferno com forme os ensinamentos
da nossa religião, sim fui mineiro, só que tive foi
de atar deuses e diabos atira-los no fundo das (raízes) poços
e cobrir-los com a pedra de urânio, o que extraia, quem sabe
talvez eu estivesse a trabalhar para ajudar a tecnologia que talvez
um dia destrui-a o planeta.
Mas
trabalhei debaixo da terra 11 anos, mas trabalhei sem medo.
Por: Armando C. Sousa
armando.sousa@rogers.com
Enviar
a um amigo
clique
ao lado!!!
|
|
Voltar
|