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Crença,
amor, e destruição
Era uma beleza de menina, apenas seis anos, quando entrou para a
escola de uma vila montanhosa e mineira; fazia o encanto de suas
companheiras; que todas a queriam ensinar como dizer com perfeição
as palavras que ela desconhecia, traziam brinquedos para lhes ensinar
os nomes, e mesmo os seus próprios, os nomes das letras livros
e cadernos, aquela menina tinha toda a classe como professoras,
pouco mais de um mês passado aquela criança já
falava o Germane suficiente para se podes defender e ensinar seus
progenitores...
A Alice linda e muito educada, ia crescendo num ambiente de meia
dúzia de outras crianças filhas de portugueses imigrados,
e que com eles traziam fortes tradições, as conversas
andavam sempre rondado os feitos e lendas de antepassados que viveram
e ergueram lindos e enormes mosteiros, onde os frade grandes artistas,
criavam de sua mente imagens a que lhes davam nomes de Santos. Cujos
esses santos de pedra, eram advogados de muitos males, tradições
que ainda hoje continuam nos nossos dias. Essa criança já
com seus dez anitos foi com seus pais fazer visita a Portugal.
Dessa visita ficou-lhe a recordação das feiras e de
quase todos os mosteiros e capelas de todos os nomes, aqui é
o São Bentinho advogado dos males ruins; pronto ali ficava
uma dúzia de cravos vermelhos uma dúzia de ovos, e
uma choruda nota em dinheiro corrente.
Em Fátima, velinhas de cera, o comprar de imagem, mais outra
nota, dizendo esta é a nossa rainha, no São Bartolomeu
uma galinha Preta, para os livrar das más olhaduras e de
todos os diabos que poderiam andar á solta, e os fazer tolher...
Na Senhora do Parto era devida a promessa pela boa horinha que tinha
tido no parto dessa filhinha.
Debaixo do travesseiro dormia com uma tesoura aberta, para livrar
a família de todos os males e bruxedos, quando a criança
perguntava; era essa mesma resposta que recebia, juntamente com
um sermão, onde lhes ensinava que todas as coisas dadas por
Deus, a Deus pertenciam, e ninguém poderia desfazer sua vontade
sobre pena de ir para o inferno. Descreviam o inferno como uma grande
fogueira onde ardiam as almas que não obedecessem aos ensinamentos,
ainda reforçada por aquela oração de fim da
missa que dizia, três Ave Maria para que Deus nos livre dos
espíritos malignos que andam no mundo para perder as almas.
A menina crescia, com mais dois irmãos, perguntava se foi
deus que os deu, a resposta era afirmativa, sem mesmo dar a conhecer
à menina o que é a vida, e donde vem, ou como vem,
e como chegamos até aqui; a mãe inventada mentiras
que cresciam na mente da menina que principiava a sentir o crescer
da adolescência.
Mas essa mãe foi assim que se criou, até a carne pedir
diferente resposta; mas o medo de deus ou o castigo do inferno a
fazer recuar aos desejos do corpo.
Isso não durou muito tempo, as amigas lhes ensinaram o porquê
de toda a mudança em seu corpo, e o prazer que sentiria com
um namorado; foi desta maneira que Alice viu a luz da vida, sua
mãe agora conhecia todo o prazer, mas ocultava-o, continuando
a enraizar crenças e lendas na cabeça em formação
desta inocente da vida.
Depois a Alice era linda, e duma meiguice incomparável, como
mel que atrai, assim ela atraía os rapazes um pouco mais
maturos e experientes, procurando encontrar nela um favo de doçura,
uma companheira, quem sabe uma esposa doce e uma beleza em formação.
Ao entrar no colégio, sozinha, e inexperiente, caiu nos braços
dum colega com o ultimo ano de colégio, que muito a amou,
e desse amor em pouco tempo sentiu os vômitos da gravidez;
confessou a seus pais que se sentiram culpados de a não terem
preparado para a vida, mas agora seria preciso velar o mal com um
casamento. Sim, o jovem Fernando muito amava Alice, e Alice via
nele um deus de amor; mas tornou-se num casamento muito apressado,
e Alice a querer guardar o fruto desse amor que não era proibido,
mas foi por ignorância, o feto desenvolvia; mas os vômitos
eram interruptos; Alice foi visitar o Dr. Que disse a sua mãe
e futuro marido; será difícil determinar, a deficiência
do feto, mas nestes casos pode ter uma morte prematura no ventre,
ou nascer e viver por algum tempo com severa deficiência necessitando
de cuidados extremos.
Dizendo, até hoje a ciência nunca interferiu na democracia,
Crença ou cultura das raças, mas pede-nos para aconselhar,
para BEM duma humanidade mais sã. Dizendo, neste caso a escolha,
e consequências que podem advir de sua escolha é sua
Alice. Para mim o aborto seria o caminho mais seguro.... Alice baseada
na sua crença que lhes foi incutida em criança, disso,
é meu crio-o seja o que Deus quiser. O Dr. Ainda disse, o
meu reporte fica arquivado que determinará as acções
a seguir pelo governo.
A criança nasceu no tempo determinado, com pequenas cisuras
de tempos a tempos, mas que foram aumentando, Alice cai com uma
depressão nervosa, coisa que se diz depressão depois
do parto.... os pais e o marido procuraram tratar Alice como caso
de diabos conforme sua crença, rejeitando os concelhos e
medicamentos do Dr. Assim Alice caiu numa loucura irreversível
a ponto de não reconhecer ninguém, foi para o hospital,
mas era tarde demais para que aquela que foi uma beleza de doçura
e física, vivia os dias, balouçando-se com a cabeça
escondida nas mãos, o marido e pais gastaram tudo que tinham
para dotar a criança com os mais modernos confortos, mas
era preciso muito mais que o governo lhes negou, alegando que foi
a escolha que os pais adaptaram.
Portanto teria de servir de exemplo, estes ainda procuraram motivar
através do mundo boas intenções o que conseguiram,
mas como prevista a criança morreu antes que a ajuda chega-se....Alípio
morreu.... hoje seu pai corre o País, ao encontro de pessoas
com o mesmo problema, levando com ele imagens do estado da esposa
e dos dias de seu filho, procurando convencer mães nas mesmas
circunstâncias, afirmando, hoje deus criou o homem para fazer
milagres, e não há promessas ou rezas que sejam capazes
de ultrapassar os prognósticos da ciência. Deixando
liberdade a cada um de se educar, ou viver de cabeça lavada
por ditos crenças e medos...
Eu escolhi reeducar-me... E procuro incentivar a ciência.
Por:
Armando C. Sousa
armando.sousa@rogers.com
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