Caçada do destino IV


Na Aldeia a festa continuava bem viva, as moças e concertinas não paravam; queriam dançar com Lícinio que nesse momento com o braço no pescoço de sua mãe quase num abraço, pedia-lhe perdão, pelo sofrimento que lhe causara na noite anterior, mas dizia talvez eu estava destinado para isto; ao insistir das moças Lícinio fez uma tentativa, mas outra vez como ontem , ele foi acometido pela tosse que o deixava sem fôlego.

Alípio falou com sua mãe, seguidamente se encaminhou para o fidalgo da Cidade dizendo venha senhor, 5 dias a chá, de flor de mato e plicom da montanha, fica sem irritação no peito, pegando-lhe pela mão o encaminhou para o pobre casebre onde vivia,

Lícinio meio a medo, entrou na cozinha de terra batida, onde ardia ainda uns cabeços de carvalho, restos das podas.

A mãe de Alípio deitava a água já fervida com a flor do mato e plicom, coado por um pedacinho de rede de peneira fina.

Lícinio pegou na xícara de tamanho regular, dando-lhe á volta, com os olhos meios arregalados, quando terminou o chá, voltou a xícara, e os olhos ainda mais se espantaram… depois de breves momento Lícinio disse; Senhora creio que vou melhorar com o chá de vossa receita, mas como recordação poderia eu guardar esta xícara?… em troca lhe ofereço um jogo de oito da louça fina, e talheres onde queira escolher, com o respectivo armário: Senhora, este seria o objeto que eu nunca mais me esqueceria, d’onde veio e o porquê; ela pensou;… aqui vão décadas talvez séculos de recordações de família;… mas afinal uma outra relação principia; quem sabe se nessa xícara, estará um futuro mais risonho para todos nós; sim pode ficar com a xícara, mas não quero que sacrifique sua fortuna por nada..

Lícinio deu boa noite e saiu pensando; chegou ao largo e pediu a seu pais se queriam regressar, estes despediram-se do feitor do pai do Alípio, acenando para todos que ainda ficavam seguiram; com Lícinio no meio de seus pais ia dizem; pais, nós não podemos modificar o mundo, mas para Alípio e família, podemos fazer a grande diferença.

O pai olha o filho espantado, sim pai: você tem a casa do caseiro vazia, faz-lhe falta um feitor, assim Alípio e a irmã poderiam ir para escola, e ser uma família ainda muito feliz.

Mesmo a mãe, poderia passar tempo ensinando a irmã do Alípio a tocar piano, e esta fazia-lhe uma boa companhia, e certas horas de ócio.

Assim os pais disseram… tudo que queiras, e se eles estiverem de acordo e sejam razoáveis para nós; está tudo bem..

Pai eu sei que o feitor não dispensará assim o Alípio a correr, mas nem eles nem os pais são escravos, como os fazem a todo esta gente da aldeia.

Pai eu queria pintar no alto da serra, e ao mesmo tempo, dar ao feitor tempo para que ele arranje um outro pastor.

Pai fale com o senhor Conde de Vilarinho diga-lhe de nossos desejos, e eu creio que ele se encarregara de prevenir o feitor.

O domingo à tarde chegou, e Alípio teve que pegar no rebanho encurralado no sopé da montanha e seguir com ele para o bom pasto da serra, do leite dali, se poderia extrair o melhor queijo, com o mato as amoras silvestres, o açafrão, o musgo branco, (diavelha) e língua de ovelha , carqueja, e flor de giesta como pasto, alem de todas as ervas de mil e uma valia medicinal, que por vezes ao descer do pico da montanha, as mil e uma cores, por vezes pareciam formar um manto de rainhas ou Princesa com seus cordeirinhos aos pés; encima mesmo no pico do lado norte aquele manto branco feito de neve salpicado de verde, dava mesmo o condão de estarmos sendo vigiados por sua alteza.

Os pais de Lícinio tinham seguido para as estâncias do Geres, onde presumivelmente encontrariam o conde de Vilarinho.

Lícinio com sua trouxa, tinha seguido para a nascente debaixo, onde o rebanho, chegaria para um repouso e beber, segundo o trajeto de Alípio.

Quando as campainhas primeiras ovelhas do rebanho se ouviram badalar já Lícinio tinha pintado a mais bela paisagem de sua vida, o sol a despontava no pico da montanha do lado sul da grande albufeira tornado seus refletes numa visão única e maravilhosa.

Ao encontrarem-se, Alípio muito surpreso, mas ao mesmo tempo contente por ter companhia; então o fidalgo deu a conhecer suas intenções…estas seriam de ficar alguns dias e noites com Alípio na gruta ...de manhã poder pintar a beleza do sol aparecendo por entre os penedos, se tivesse ocasião pintar os animais pastando ou os mais pequenitos agarrados ás mamas das mães.

Na realidade Lícinio queria pintar, mas ao mesmo tempo, queria expor a sua idéia de que ele deveria aprender a ler e escrever, ora ao ouvir falar de ler e escrever, seus olhos ficavam como dois diamantes com curiosidade.

Lícinio expôs seu plano que seria de levar toda a família para a Cidade de Cintra onde tinham sua quinta, seus pais poderiam ser os feitores e provavelmente freqüentar a escola noturna, tua irmã pode mesmo freqüentar uma escola de música, onde meu tio é maestro e minha mãe primeiro violino.

Lícinio sentia-se fortalecer com os ares sadios da montanha, mas provavelmente a alimentação à base de queijo, carnes fumadas, amoras silvestres, pinhões, e o leite fresco, a sair das tetas, teve na sua saúde enorme benefícios, juntamente com o chá de flor de mato, e plicom…

Continua…….

No próximo teremos o fim

Por: Armando C. Sousa

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