Caçada do destino I

 

Era mesmo filho de pais riquíssimos; na escola não gostava da opulência de seus companheiros, que tratavam aqueles que por vezes apareciam na escola de pés quase nus, quantas vezes, cobertos com pano de sapatilhas azuis, mas os dedos dos pés a roçar as areias do caminho.

Lícinio sempre se inclinada para conversar com os jovens menos afortunados, mas que na realidade, desfrutavam de uma alegria contaminante, que se estendia a todos, com menos opulência; durante sua estadia na escola primária, sempre que tivesse oportunidade desafiava seus colegas de escola para brincar no seu quintal, e então era uma correria para ver os alvores, e aves mais exóticas, desconhecidas da pobreza, quando não tinha companheiros para a brincadeira seu passa tempo preferido era o desenho.

Os anos passaram e Lícinio entrou para o colégio privado, onde apenas a riqueza teria lugar, mesmo só quem fosse rico teria o privilegio de ali aprender.

A tendência de Lícinio era apenas para as cores, pinturas lindas do por do sol, ou o levantar da alvorada, a beleza do correr da água dos rios, os pomares, o voar das gaivotas, e o vôo a pique nas águas do mar para o engolir duma tainha.

Nas ferias do colégio Lícinio sentia a solidão, sentia a falta de admiração de suas colegas para com seus magníficos postais e pinturas, sentia a falta dos olhares admirativos, e das exclamações…

Um dia Lícinio resolveu sair do colégio sem autorização de seu superiores e sentir o calor da multidão; num dos passeios da grande cidade, anexo à avenida da universidade principiou trabalhando os seu enumero gizes a cálcio de cores.

Das suas mãos e imaginação saiu uma pintura em grandes dimensões que chamava a atenção aquém passava, ficando muita gente de boca entreaberta admirando e cismando no significado.

A pintura expunha um grande poço vomitando chamas, no meio das chamas viam-se corpos de crianças esfarrapadas e descalças ardendo, com cara e olhos de horrível sofrer.

Fora do poço homens fardados atirando as crianças para o fogo, isto em pintura claro; os carros com gente de poder passavam sem querer ver o porquê daquela multidão.

Foi quando uma jovem de saco as costas atirou uma moeda para o posso e perguntou o significado da pintura, nesse momento, ao gesto da jovem, foi como um chover de notas de todas as cores, ao mesmo tempo que, prestava atenção ao que o jovem dizia.

E as palavras soaram; esta pintura significa no que terminam estas crianças; fruto do capitalismo; estas são crianças sem pais e sem abrigo, fica muito mais barato ao capitalismo queimar estes indesejáveis que lhes dar pão e educação.

Entre a multidão encontrava-se meio dissimulado o pai do jovem pintor, que tinha passado pela universidade para pegar seu filho para passar o fim de semana com a família, numa das suas quintas em Cintra.

Depois de escrever em grandes letras, (ajudem os sem abrigo) pegou nos seus lápis de pintura de pavimento e seguiu seu pai entrando no carro.

Seu pai abanando a cabeça como reprovando a ação do filho entrou no carro e guiou em .direção a Cintra…

Verdade, seu pai esperava que Lícinio fizesse seus estudos em direito e jornalismo, ou talvez em contabilidade, e assim via desmoronar todos os sonhos acalentados durante tantos anos.

O ano escolar, estava prestes a terminar, mas Lícinio dava uma aparência doentia, e uma tosse seca que o paralisava de tão convulsa era a tosse.

Depois de ter passado pelo consultório medico para tranqüilizar a ansiedade de sua mãe foi resolvido de Lícinio passar os últimos dias fora do convívio universitário, em caso de ser contagiante aquela tosse e aparência pálida.

Um daqueles dias estando Lícinio com seu estojo pintando a maravilhosa vista que seus olhos podiam desfrutar; era o castelo da Pena: seu pai se abeirou, admirando o trabalho de Lícinio, dizendo; maravilhosa pintura; e continuou; como gostarias tu, de viver este verão numa casa solarenga do Alto Minho?… ali, o repouso é quase total, e tu poderás pintar as mais belas paisagens de do Norte de Portugal!…

Lícinio mesmo um pouco contrariado aceitou a proposta do pai, e dias depois os pais Lícinio e a criada iniciaram a viagem via a uma casa solarenga de Terras do Bouro.

Casa esta pertencendo ao conde de Vilarinho.

Ali fora dos meios citadinos não havia passa tempo, a não ser olhar a beleza da paisagem, os terrenos eram picos cobertos de penedos e mato, fazia doer o pescoço olhar para o cimo ao mesmo tempo em certas ribanceiras fazia calafrios o olhar o abismo e pensar o que poderia acontecer se houvesse uma queda.

Uma tarde depois do almoço Lícinio pegando em seu estojo disse vou subir a serra e procurar pintar o vôo das aves ou a beleza do sol por descendo no prateado das águas ou nas névoas do mar.

Mas por sim ou por não pegou na calibre doze e alguns zagalotes no caso de se ter de defender do lobo que por vezes apavorava a vizinhança…

Depois de encontrar um sitio despraiado donde poderia ademirar uma imensidão do universo, montou seu estojo com a arma carregada encostada a um pequeno penedo próximo.

Principiou a pintar, umas nuvens cor de fogo que subiam do mar de encontro ao sol, era maravilhoso, o encontro das nuvens no seu abraçar, mas a tarde perdia a claridade brilhante que o induziu a subir a encosta, pousou o estojo neste momento a visão que esperava era desolada, foi quando reparou que entre os pinheiros e carvalhos do lado da serra viu um lindo veado como espreitando atrás de uns arbustos.

Lícinio pegou na arma, mas o veado desapareceu descendo a pequena colina antes do verdadeiro subir da montanha, Lucinio seguiu os rasto e cheiro do animal; agora o veado aparecia aqui, logo aparecia ali e Lícinio esqueceu-se do tempo, das horas e do perigo de se perder sem sol e sem nada que o poderá guiar, a não ser o seu instinto…

continua...

Por: Armando C. Sousa

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