Reencarnação do Poeta

Capitulo VII

Pura imaginação

 

Ana por uns momentos sentiu sua alegria que invadia seu coração de juventude... por um momento se esqueceu do correio e de seu escritos... esqueceu da poesia que escreveu para o desconhecido que principiava a tomar conta de seu pensar e a fazer parte se sua via.

Esta esperou que este despose-se os livros e reiniciasse sua entrega no livro de descargas, Ana esperava por uma palavra ao entregar o livro pedido que esta estava lendo...

Chico estendeu a mão, dizendo, só anjos tem tamanha gentileza... mil um obrigados... há... menina; meu nome é Francisco mais conhecido pelo Chico padeiro, a família vive do trabalho de meus pais, donos da padaria... (pão e doce fino) mas meu pai esta acamado com pneumonia ou coisa parecida

Ana olho-o e suspirou... respondendo... tenho ouvido falar maravilhas do pão dessa padaria... e deu um ar de riso com sabor de meiguice... dizendo meu nome e Ana... sou a única descendente do Paços de Margarida... a bem dizer o trapo da realeza que foi Paços de Margarida.

Os olhos de Chico humedeceram ao lembrar-se do que tinha ouvido, ainda era puto de arca e pião... mas eu lembro que a única descendente dessa família com realeza, foi atropelada; já lá vão tantos anos....

Foi acolhida por uma família de um grande escritor... ao mesmo tempo que olhava sobre a mesa e viu os escritos e aquém eram dirigidos...

Sá Tinoco... Bla, Bla, Bla...Ilhas Canárias Espanha... A Tristeza já invadia a cara angélica de Ana, agora sabia que não podia esconder sua deficiência e seu passado, não poderia alimentar a ideia de poder amar aquele rapaz que já também conhecia seu passado... Ana ergueu-se e disse; já que me conhece também, nada mais tenho a ocultar; tenho de ir ao correio depor estes escritos para meu grande amigo; por quem eu perdi uma perna; este se encontra nas Canárias escrevendo e fugindo das palestras; disse-me que desapareceu das vistas do público para poder escrever...

Olhando Chico para ver sua reacção; encontrou-o de face molhada... Chico com seus olhos escorrendo lágrimas escondia sua face...

Ana, deitou-lhe a mão perguntando... porque estas lágrimas?... Que se passa?... Choras por teu pai?...

Chico agarrou-lhe a mão dizendo... desculpa-me, deitando os olhos ao chão... eu... eu... choro por ti... sem te conhecer sabia que te amava, agora tenho a certeza que adoraria como namoro e esposa se tu me aceitasses... esta olhou para todos os lados sem ver ninguém, deitou a mão a sua perna artificial e duma só vez a arrancou-a ao resto do corpo, a depondo em cima da escrivaninha... Ana virando para o Chico também com lágrimas a marejar seus olhos, dizendo... olha Chico, olha para mim... vê agora se tens coragem de dizeres que me adoras desta forma!... Lembra-te que me falta um pedaço de mim mesma, mas o coração, esse, esta completo, esse pode amar, ainda esta vazio de ilusões... Meu coração sei que está cheio de doçura... minhas mãos serão penas das mais macias, meus lábios serão mel para o homem que os merecer.

Mas só terei uma perna para cobrir o homem de meus sonhos...

Chico caiu de joelhos e beijou o que restava da perna... Ana tremeu e quase caia... deitou-lhe a mão para Chico se levantar... disse; não me toque mais dessa forma... sou uma moça sozinha sem defesa... poderemos conversar, talvez amanhã... hoje tenho de deitar estes escritos no correio... entretanto não se esqueça de assinar pelo livro que lhe entrego...

Mas... Ana; como poderei eu dizer-lhe e fazer-lha sentir o que invade meu ser que principiava a acreditar que existiria felicidade no sentimento que me invadia desde criança?... Tudo só por ouvir na menina que perdeu uma perna, tinha perdido a mãe ao nascer e seu pai que desbaratando uma fortuna, tinha desaparecido da face da terra... ainda estudava no seminário Ana; foi a sua imagem que me fez fazer algumas perguntas que me levaram a deixar a vida eclesiástica pela seriedade de homem... um dia que haja entre nós mais intimidade, falaremos sobre este assunto...

Ana querida; meu pai esta bastante mal, terei de tomar conta dos negócios com minha mãe, não terei tempo para ler o livro...

Mas dê-me a esperança que a poderei vir visitar aqui e a convidar para sairmos ao cinema no sábado?...

Ana respondeu... amanhã estarei com as crianças, mas no domingo no fim da missa poderemos passar alguns momentos juntos... já esta estava sentada a repor a perna artificial para sair...

Ana ao abaixar-se para repor a perna, Chico num gesto rápido e tímido deu-lhe um beijo na face e desapareceu...

Ana, ficou a acariciando aquele beijo que tantas vezes o tinha desejado e sentido em sonho.

Continua no próximo capítulo...

Por: Armando C. Sousa