Reencarnação do Poeta

Capitulo V

Conto Imaginário

 

Ana sentía-se cada momento mais dorida, mas acreditava que iria passar com um pouco de água... assim se encaminhou para os lavabos da livraria...

O moço que tinha desaparecido vinha correndo com um rolo de papel higiénico ensopado em agua... ao depor-lho sobre a testa, disse me perdoe por tudo...e pelo rolo de papel, mas não encontrei outra coisa que lhe pudesse minorar a dor...

Ana riu-se, apertando o rolo contra o sitio dorido, fazendo escorrer água pela face, e mesmo sobre a blusa, deixando o Chico padeiro espantado olhando a beleza desta moça.

O rapaz era o filho do Padeiro que vivia do outro lado da Vila... Chico tinha estudado ate ao 5 ano, no seminário dos Pastorais, mas deixou os estudos quando fez uma pergunta...

Como podem os Padres, suportar o vicio da carne?

Resposta... nós os padres temos toda a escolha; nas confissões podemos excitar toda a mulher, saber o que ela deseja... vês aquelas que demoram na sacristia no fim da missa?... Deves imaginar o porquê... poderás conhecer
homens se for o teu caso, eles saem do armário contigo; podes fazer ainda mais do que isso; creio que tens lido os jornais a respeito de padres pedófilos em todo o mundo... olha isso e grande erro e abuso; ou podes ser o que o prometemos ser, o que é muito difícil ser prefeito, ou então terminares o estudo e seguires a vida normal como o faz todo o homem, uns bem sucedidos outros com menos sorte.

A verdade, Chico deixou os estudos agarrado a princípios honestos, mas contra a vontade dos pais... então Chico procurava conhecimentos na livraria, par fazer uma aplicação de trabalho; Chico não queria trabalhar com a farinha...

Repassava no seu pensar toda a historia de sua vida, dizia para si mesmo, estou no caminho de ser um homem honesto, se esta beleza sentisse por mm o que eu sinto por ela; seriamos felizes;

Ana agora com menos dores levantou um pouco a cabeça e olhou o Chico de cima abaixo esboçando um sorriso triste e atirando o rolo de papel para o cesto dos papéis disse; vamo-nos; quero fechar a livraria que já é tarde...

Chico ainda se aproximou, mas esta indicando a porta, pegou no casaco e sua bolsa, Chico esperava... esta disse-lhe; o senhor não esta habituado a obedecer?... trarei o livro que procura, amanhã... boa noite.

Chico, pegando nos livros, desnorteado, mas obedeceu, segui caminho lançando o último olhar, segui caminho ficando pensando, poderia obedecer assim a uma mulher autoritária toda a sua vida?

Mas enfim, amava tanto o chispe de seu olhar, a fogueira que sentiu ao olhar sua blusa colada ao seio do lado do coração naquele momento que aquela beleza estava dorida da turra que deram para que ele se mostra-se gentil.

Chico noite fora parava a leitura, ficando momentos a olhar aquela imagem que não abandonava seu pensar... será isto amor?... será isto a dor de ter sido comandado sem apelos de resposta?... ela fez alguma coisa que não devia ter feito?...

que deveria esperar eu...um beijo por lhe ter machucado a cabeça...e logo acalmava, pensando amanha terei mais uma oportunidade, e continuava os estudos.

Ana a herdeira do nome Paços de Margarida, nome outrora cheio de realeza, agora reduzido a uma simples empregada de livraria e a uma amiga das crianças menos protegidas... tendo como maior amigo e quase protector, um escritor poeta de nome conhecido no mundo, pelas suas obras, Sá Tinoco... mas que nunca estava presente.

Ana depois de comer um pouco de queijo, e um chá verde, principiou a escrever mais um capitulo duma imagem retirada de uma das obras de Sá Tinoco, a que Ana, lhe deu o nome (REENCARNAÇÃO do POETA)... Ana entrava neste romance, procurando nos seus desejos entrar nas personagens do seu querido poeta, para que um dia que alguém lesse Sá Tinoco e ler seus escritos pudesse dizer o poeta não morreu, ou então reencarnou, porque aqui está a continuação prefeita do que li outrora.

Ana não fazia uma escrita sem se interromper... sempre lhe vinha a mente aquele rapaz que para parecer gentil quase lhe abria a cabeça com a turra... via como em sonho o olhar do moço fixo na sua blusa... lembrava-se que para alem da dor estava a viver momentos lindos com o rapaz, e seus peitos cresciam e saltavam...

Logo se lembrava... Sá Tinoco muitas vezes lhes tinha dito, nunca te sintas inferior, tu podes ser tudo na vida sem tua perna, eu te ajudarei nos momentos mais difíceis que penses ter; basta me dar a conhecer teus problemas.

Logo voltava a pensar como foi autoritária para com aquele moço... que estaria este a pensar dela como esposa... seria que alguma vez lhes passaria pela cabeça?... Seria que a rejeitaria por não ter uma perna?...

A noite foi longa e de sono curtos e por vezes horríveis... acoroçoou cedo; resolveu escrever a seu amigo que se encontrava em repouso para numa das ilhas Espanholas, onde o florido, o cheiro, o sol, e a tranquilidade eram verdadeiros companheiros de seu pensar.

Ana queria lhe falar da mocidade, da atracão deliciosa da carne, de seu escrever e dos desejos de reaver o ninho de sua mãe, a honra de deus avos, a realeza duma família que vinha dos princípios da nacionalidade.

Amava ser feliz, mas não queria ser conhecida como o trapo de família em que o destino a tornou...

Esta assinou sua carta e com todos os escritos do romance reencarnou o poeta, depois de ajustar sua perna artificial, encaminhou-se para a libaria esperando fazer copias do escrito.

Chico padeiro acordou com grandes esperanças de rever a moça da livraria, e lhes pedir para serem amigos e namorados, pois ele estava constantemente em seu pensar, seu coração doía ao vela de rolo de papel e a água caindo sobre seu peito.

Nesse dia sua mãe disse, Chico, hoje precisamos de ti para gerares o negócio, teu pai esta com gripe e sem forças para se levantar.

Continua...

Por: Armando C. Sousa