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Reencarnação do Poeta
Capitulo
IV
Tudo
Imaginação do Poeta
Os
estudos e as palestras de Sá Tinoco, cada vez mais demorados
no estrangeiro.
Seus
romances escritos, entravam como relíquias escritas, nas
bibliotecas mais famosas do mundo.
Os
peritos da literatura cada vez mais impressionados com o saber e
imaginação que este tocava em todas as épocas
da vivência humana; ora com desdém, ora com apresso
e admiração pelo saber e filosofia das épocas...
Amor,
Deuses, guerras e inferno, bailavam no seu pensar... mas Ana, a
menina do Paço de Margarida que perdeu uma perna atravessando
a rua, amava tudo que o poeta escrevia...
O
poeta muitas vezes se culpava pelo destino que marcou Ana para sempre;
a menina recebia sempre uma copia dos escritos de seu protector
e Poeta de renome mundial.
Esta
menina, que a cada dia que passava se tornava num poço de
saber, engolia a leitura com avidez, e a transformava em sonho...
Ana
tornou-se num daqueles poços que quanto mais se lhes deita
mais leva...
Verdade,
um ser que aprende, cada vez mais depressa...
Ana
sempre que lia fazia suas apreciações; pegava numa
personagem do livro, deixando essa personagem entrar num baralhar
místico mental de um próximo amanhã.
Ana
de Margarida mesmo com sua deficiência não descorava
sua escola, seu dever prometido para com as crianças, que
muito a adoravam, como se esta fosse uma deusa que entrou no seu
viver.
A
livraria onde Ana trabalhava, era a mãe de sua universidade,
as horas ali passavam rápidas... mas Ana não tinha
sono, sem ter certeza que o assunto estava estudado.
Os
anos de adolescência passaram, a beleza desta moça
se misturava com não sei que de místico, esta por
vezes olhava o espelho com tristeza.
Era
esbelta se a vissem do meio da perna para cima; mas se olhassem
para baixo logo se apercebiam que uma perna era artificial...
Logo
se lembrava de seu grande amigo poeta escritor Sá Tinoco;
as saudades se transformavam em lágrimas... gostaria de o
ter agora junto de si; a sua presença sempre se transformava
em coragem; amava cair em seus braços fortes e meigos como
se fosse dum pai que nunca teve...seus conselhos eram remédios
mágicos para suas dores de espírito; mas agora, mais
que nunca, gostaria que o poeta entra-se na livraria, e lhes fala-se
daquele mancebo que a cada dia se rodeava de livros de diferentes
subjectivos.
A
cada dia no seu olhar furtivo havia um esboçar dum sorriso
triste...
O
jovem, um dia, depois de muito procurar, não encontrava o
que pretendia; a medo, se dirigiu a Ana perguntando, por uma determinada
obra de Sá Tinoco...
Esta
sorriu, e disse; peço perdão; mas eu a estou lendo;
um capitulo dessa obra, antes de adormecer...
Mas
a manha, trarei essa obra de meu grande amigo, quase pai, para que
você leia; esperarei que termine...
Ana
sorriu... o moço desfez-se em escusas e obrigados; dizendo,
sua amabilidade me toca a mais minúscula das cordas de meu
coração.
Minhas
desculpas menina; eu creio.
A
verdade é que desde o seu primeiro olhar, fui electrocutado
pelo místico da beleza oculta, que só paixão
a pode visualizar...
Ana
deu uma risada, franca e prolongada... perguntando... o Senhor está-me
a cortejar?...
Três
vezes que vi o Senhor na livraria... nunca se apresentou!... nem
boa noite me deu...
Ana
estava a meter as coisas na bolsa, quando uma das penas caiu...
Os
dois procurado apanhar a pena ao mesmo tempo, bateram as cabeças
com bastante força.
Ana
esfregando um lado da testa que bateu e estava dorida, disse; esta
sua gentileza está-me fazendo doer, por favor encaminhamo-nos
para a porta quero fechar a livraria...
Este
tinha desaparecido... correndo por agua fresca para minorar a lomba
que principiava a sair como um pequenino nada que iria nascer...
Continua...
Por:
Armando C. Sousa
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