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Reencarnação do Poeta
Parte II
Nomes
ou partes é pura casualidade
de que o poeta é alheio
Depois
de Sá Tinoco sentir Silvia respirar e a sua reação,
descrevendo o que estava pensando no momento, o que causou sua queda;
os minutos seguintes foram mais de meditação e silêncio...
Neste
momento estava pensando se seria possível transportar Sílvia
a casa...
Este
fez um movimento para a fazer sentar; mas as dores reflectiam em
seu rosto e deitou sua mão ao lado; talvez costelas magoadas,
se não fosse partidas...
O
Quinteiro do Castro de Margarida não era longe, mesmo assim
teria de deixar Sílvia sozinha para ir pedir ajuda.
Reflectia
nas palavras que Sílvia Tinha prenunciado e amaria que fossem
verdadeiras mas não queria acreditar que uma ainda tão
nova mocinha se tivesse apaixonado por um estudante poeta.
Mas
a verdade é que esta tinha lido e engolidos seus versos de
preito às flores e aos amores... Sá Tinoco continuava
a pensar... creio que não existe amor para com esta criança...
sim em mm existe desejo de a engolir pedacinho a pedacinho, mas
ao mesmo tempo penso que a honestidade do homem caminhara para todos
os lados que ele se vire, a palavra de um homem o libertara de toda
a inveja mentira e hipocrisia... casar com esta criança e
me sujeitar a todo o ciúme a que ela me queira expor?
O
poeta olhava ainda seu peito meio a descoberto e a cor das cerejas
espalhadas pelo seio... os desejos eram enormes, mas ou ver s dores
que ela sentia a se sentar, principiou a pensar o que seria mais
humano...
Correu
sua mão de mansinho pela blusa aberta, procurando no seu
corpo liso e tremendo o sitio que lhe causava dor...
Sá
Tinoco na sua vida, principalmente na universidade já tinha
conhecido outras mulheres iguais a seus versos de amor, loucura
de noites inesquecíveis, esta seria mais uma... indefesa,
louca e cheia de paixão, amava vencer o amor do poeta, esperando
fazer dele uma rodilha a seus pés e seu caprichos.
O
poeta olhou-a... viu desejos de animal, ciosa de vencer a dor...
O
poeta retirou sua camisa, de mansinho deu duas voltas com ela no
peito dela junto aos seios, as mangas serviram para o remate final...
procurou levantar Sílvia mas esta se estrebuchava com dores.
Desta
vez cortou umas braçadas de centeio quase maduro, deitando
Sílvia com o máximo cuidado, afinal os desejos por
esta mocinha ainda em botão já foram tão grandes
que este só pedia à razão e a sua honestidade
forcas para os vencer...
Este
Com um beijo na testa disse, irei procurar ajuda, creio que tens
uma costela deslocada ou quebrada...
O
poeta deixando-a na posição mais confortável
procurou a casa do Castro de Margaride... depois de certificar de
sua ausência, e já na saída encontrou o filho
do feitor a quem relatou os acontecimentos.
Este
preparou um landó, e os dois se encaminharam para levar Sílvia
ao Dr. Mais próximo... a casa de misericórdia ou hospital,
ficava a quilómetros de distancia .
Uma
costela estalada iria causar dores terríveis mas viveria...
As
visitas de um grande amigo foram frequentes, dando Aspirações
Ao Castro de Margarida de os ver um dia casados, mas o poeta ama
mulheres como senhoras da vida, mas haverá uma só
que o enlouqueça?...
Não...
a liberdade e tão linda para ter de usar mentiras e hipocrisias
para manter uma mulher contente...continuaria a correr atrás
dos passarinhos e borboletas... vendo-as voar... mas as mulheres
as deixaria livres de suas paixões, de seu trejeito, de suas
ilusões, de fazer tremer corações; de se dizer
apaixonadas quando afinal uma noite de prazer as deixa saciadas
ate outra noite acontecer.
Essas
noites acontecem, e o apaixonado e mais um cornicho, coitado...
Sá
Tinoco continuava seus estudos históricos e jornalísticos...
vivia, escrevendo e dando palestras; trazia à luz, os mais
sensacionais casos, desafiando sempre a mentira, desmascarando corrupções
políticas, defendendo prisioneiros políticos, procurando
para o pais uma verdade que não existia no esquema da ditadura.
Vírus
que nunca desapareceu... ainda hoje existe; na equipa mais cara
que joga nos estrados governamentais Europeus.
Um
ano mais tarde, Sílvia estava grávida e se iria casar
com o filho do Feitor, o mesmo que aparelhou o landó, quando
de sua queda da cerejeira;
Sá
Tinoco teve de se ausentar do Pais ou se sujeitaria a ser preso
acusado de patrocinando e escrever no jornal Avante.
Não
era verdade... mas este sempre defendeu a verdade, e os olhos da
corrupção e algozes da ditadura não o viam
com olhos de pertencer a mesma ganga que fez muitos Portugueses
como eu cravar de fome e sentir frio a romper-lhe a pele.
Do
Casamento Sílvia do Castro de Margarida ouve uma linda menina
que lhes deu o nome Ana...
O
poeta algumas vezes fugiu a tentações e armadilhas...
aquela menina poderia ser sua filha, mas o amor pelo respeito o
tornou mais uma vez livre o fazendo ainda mais poeta.
Sílvia veio a morrer do segundo parto sua herança
foi desbaratado pelo marido com outras mulheres...
O
poeta sempre que escrevia enviava seus escritos a Ana que desde
seus tenros anos devorava as leituras e principiava a escrever historias
de criança baseadas na boa moral , onde La Fontene não
era estranho... as crianças do orfanato cedo principiaram
a amar os contos da pequenina escritora.
Mais
uma palestra, os amigos jornalistas e políticos corriam a
ouvir Sá Tinoco... num desses dias Ana que atravessava a
rua em lugar duvidoso, foi atropelada por um dos apressados que
corria para não chegar tarde a palestra.
Mesmo
tendo parado e pegado na criança levando ao hospital não
impediu que uma das pernas lhe fosse amputada...
Horas
mais tarde o poeta sabendo do acontecido veio sentar-se junto ao
leito da pequenina que tanto amava... esta era querida quase como
uma filha…
Por:
Armando C. Sousa
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