|
Reencarnação do Poeta
Capitulo
Xl
As
lágrimas inundaram os lindos olhos de Ana; esta fixava o
papel... o que atravessaria neste momento seu pensar?... O que a
faria chorar?...
Antes
da partida inesperada, esteve esperançada de encontrar o
Chico no Adro da igreja no fim da missa.
Partiu
sem lhes poder dizer adeus, era importante a publicação
de seu reencarnar, de encontrar seu amigo.
Importante
ver o infinito preso no seu pensamento, poder arejar seu coração...
dar ouvidos a seu violino... falar com o amigo que a acompanhou
no momento critico de seu acidente... aquele amigo que se culpava
de seu destino...
Não...
não era este que a fazia chorar... olhava para a carta desprovida
de uma palavra de amor, ou dum valido desejo que a fizesse sentir
mulher desejada...queria sentir a vida mais perfumada, que a torna-se
importante aos olhos de um amor ao nascer no seu pensar... uma carta
onde a linguagem queria dizer que a família seriam os juízes
de sua união... onde nasceria o teu pensar Chico?... O Chico,
um amor que principiava a entrar em seu coração, tratava-a
como um objecto de escolha...
Onde
estaria o homem que a trata-se com a delicadeza e atenção
deste poeta que sempre viveu em si desde a primeira leitura de seus
versos, de seus contos e romances a ponto de tornar em si um desejo,
uma paixão enorme de escrever, entrando nas suas personagens
imaginarias e as fazer reviver, como de uma Reencarnação
se trata-se.
A
febre alta tinha passado... seu amigo sem forcas, mas se ergueu
um pouco na cama ao ouvir soluçar... Ana procurou esconder
o papel que rugia entre seus dedos....
Ana
viu que eram horas de lhe administrar o medicamento, com um sorriso
se aproximou, Perguntado. Sá... meu querido poeta amigo,
temos cinco dias... te parece que estarás com saúde
para viajar para Colónia na Alemanha e apresentares tuas
obras?... este respondeu; pelo que tenho lido nos jornais, o mundo
das artes e escritores estão ainda mais interessados nos
sons melodiosos e zangados com a vida que deitam de teu violino...
mas com uma companheira como tu, de certeza que estarei bom... Ana;
não haverá neste mundo enfermeira mais carinhosa,
contigo poderia escrever e viver 100 anos que nunca sentiria o enjoo
que me tem causado tantas mulheres com quem tenho estado deitado.
Ana
já não estava presente ao sair as ultima palavras
de seu amigo. Foram perdidas no som dos passos de Ana.
Esta
tinha-se retirado envergonhada com as lágrimas a escorrer
pela face...
Ao
regressar Ana pegou numa pena e papel de carta e escreveu...
Querido
Chico... espertei-te no fim da missa, não apareceste, fiquei
desiludida e vexada... haviam coisas que queria dizer-te, estavas
dentro das minhas esperanças... agora tenho uma carreira
a seguir... terei de apagar de meu coração o que vinha
sentindo... não estarei disposta a ser amostra a tua família...
tua família não tem o direito de escolher tua namorada;
recuso viver com tais preconceitos.
Em
duas semanas estarei no Coliseu do Porto, promovendo minhas obras
e tocarei para o publico juntamente com a orquestra dos antigos
universitários.
Se
me quiseres visitar, anuncia-te nos meus estúdios no fim
do espectáculo, ou na apresentação e assinatura
do livro da Reencarnação do poeta.
Ana
de Paço de Margarida...
Um
amor que abortou...
Ainda
com bastante fragilidade estiveram nossos escritores e a violinista
na catedral de Polónia Alemanha...
Sucesso
e loucura foi a secção de assinaturas... houveram
danças e bebidas, e nos intervalos mais assinaturas... no
meio de Tudo Sá Tinoco sentiu alguma coisa estranha...
Um
homem carregava Ana como se esta estivesse bêbada por entre
a multidão.
Nosso
poeta ao ver o que se passava arrebatou sua amiga dos ombros do
homem carregando com ela para seus aposentos... deitou-a e pediu
para um Dr.
Este
depois de a examinar meteu uma sonda para retirar alguma amostra
de seu estômago... concluindo que ela tinha sido drogada,
mas felizmente tinha ingerido pequena quantidade que estaria bem
em duas horas...
Quando
Ana Acordou e viu seu Amigo Sentado Na cama acarinhado seus cabelos...
Abriu
os cobertores e o convidou a deitar-se... fazendo-lhe prometer,
se o fizesse nunca mais por olhos em outras mulheres com intenções
e desejos.
Afinal
são 23 anos de diferença, mas tu Sá, fostes
sempre o meu grande amor de pai de irmão e de amigo, e hoje
um amor que me livrou das garras da podridão.
O
resto da noite foi de loucura de dor e de amor...
Os
dois retiram-se numa ilha cheia de sol e verdura, escrevendo e reencarnando
Os
personagens de seu pensamento... vindo passar ferias no Paço
de Margarida.
Chico
de pois de construir a fabrica de panificação, voltou
ao Seminário...
Assim
obteria a mulherada facilmente.
Por:
Armando C. Sousa
|