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O Medo e o Sapo
Na
pujança da juventude quando o homem deseja mostrar sua valentia,
também existia o medo não confessado... afinal o medo,
e coisas ruins, era a conversa de todos os rapazes da aldeia nas
noites amenas do Outono, quando se juntavam depois da ceia, era
o único entretimento nas aldeias dessa depois da noite chegar,
isto se não houvesse uma desfolhada nas redondezas... gostávamos
de ajudar; mais pelas mocas e uma pinga de água pé,
uma sardinha e naco de pão.
Na época, meio do século 20; todos gostavam de contar
sua peripécia e como foi vencido o medo que lhes pôs
os cabelos em pé como um (ouriço cacheiro)... a verdade,
é que toda a gente, sempre falava de ver fantasmas nos lugares
mais desertos e sombrios.
Mulheres
que estivessem do parto... isto era nos trinta dias depois do parto,
cruzavam umas calcas do marido sobre os ombros para as livrar dos
maus-olhados, e dos maus ares da noite...
Enfim;
nossa mente era bombardeada com a existência de maus espíritos
a todos os instantes... ainda para agravar, para não parecer
mal, tínhamos de ir à missa do domingo; e cerca do
fim da missa, o padre pedia para rezar-mos um pai-nosso para que
deus nos livres dos espíritos malignos que andam pelo mundo
para perdição das almas... isto agravava e confirmava
os medos.
Falava-se
de bruxas e bruxedos, de maus olhares e feitiçarias.
Estava-mos
de cabeça lavada como esses homens bombas, esperando as 75
virgens depois de se arrebentarem...
Eu
na verdade pouco acreditava nessas coisas... mas coisas naturais
me fizeram estremecer diversas vezes...
Esta
que vos vou contar, foi uma das vezes que tive medo.
Namorava
com a que hoje é minha esposa, mãe de seis filhos,
meu sangue também.
A
distância que separava nossas aldeias era grande; não,
eu não tinha bicicleta, a pobreza não me dava possibilidades
para adquirir uma... caminhava, e o amor pode ultrapassar todas
as dificuldades...
Nessa
noite cercas das dez horas atravessava quilhas e carreiros o caminho
mais perto para casa, mas em cada esquina se falava de ser visto
bruxas e espíritos que assombravam; eu assim caminhava entre
a dúvida e o medo, apesar de não ser um verdadeiro
crente dessas coisas... mas sozinho e de noite dava tempo para pensar
em tudo.
Nesse tempo, não havia luz em parte alguma, noite era noite...
luar era nosso melhor amigo, mas por vezes combinava com o medo
e fazia sombras criadas na nossa mente crescerem descomunalmente,
a mente era capaz de ouvir vozes que não existiam, e o medo
crescia.
Lá
vinha eu por um carreiro de um campo de milho que suas folhas já
secas rugiam com a aragem... mas isso era natural não tinha
medo.
Estava
a desembocar no caminho quando me pareceu ouvir vozes no lavadouro.
Estranhei
naquela hora haver alguém a lavar... me aproximava, as vozes
diminuíam, cerca de dez metros do lavadouro as vozes se extinguiram...
Atirei
a pedra que trazia sempre comigo para a água do lavadouro...
Vi
por entre lucernas do luar a água saltar e fiquei aliviado...
mais uma vez reconheci que nossa mente e criadora do impossível,
das mais complicadas historias de medo ou das maiores fortunas,
das mocas mais lindas ou da diabruras dos vizinhos.
Então
compreendi, que deveríamos procurar ser verdadeiros como
escudo a estas alucinações.
A
verdade e que 50 metros a diante sai-me um cão gigante a
ladrar ferozmente... eu já não tinha pedra, então
procurei na berma do caminho por uma pedra para atirar ao cão...
e o que me veio a mão foi uma coisa movediça e mole...
era um sapo que principiou a chiar...
Com o medo, atire-o ao cão que lhe acertou em cheio...
Este
desapareceu pelo buraco do esgotamento das águas temporais...
ganindo.
Então
mais aliviado ri sozinho... pensando que ate um sapo serve para
arremessar ao medo.
Meus
netos hoje não acreditam como os antigos eram tanto ingénuos,
e como as religiões viviam dos medos, e os santos eram a
maneira dos padres serem riquíssimos e poderosos e suas famílias...
Por:
Armando C. Sousa
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