A Menina e a Rosa V

"Nomes e lugares apenas coincidência
esta historia e produto da imaginação"


Dona Judite ficou muito surpreendida com o convite enviado pela família Pinto... Este apenas dizia... nosso filho David pediu-nos para lhe dar o prazer de convidar sua melhor amiga de escola; Ana Tendeiro, acompanhada de sua mãe Dona Judite Tendeiro.

O prazer de nosso filho é nosso prazer também.

Agradecia-mos vossa presença, pelas 3 PM. A 7 de Setembro de 1955. A Bem de nossa alegria, e satisfação de nossos filhos.

Dona Judite pela primeira vez aliviava o luto com um fato azul feito para a ocasião, foi confeccionado por uma Senhora que sempre recebia flores de um admirador. Esta senhora queria conhecer o segredo que a fazia tão feliz.

Dona Judite apesar da tristeza de ter perdido o marido, sentia-se extremamente feliz, olhado a Filha se destacar em físico e porte.

Alem disso via sua vida caminhar para um ponto nunca sonhado enquanto operária da fábrica da Senhora da Hora; mas tudo porque Ana quis fazer o David feliz. Vendo seu pai com mais felicidade.

Quem mandava entregar as flores, por amor ou agradecimento era.

Segredo que Dona Judite não desvendava, era um segredo do ofício de quem vende.

Dona Judite tinha o primeiro encontro com Dona Clara Pinto, mãe de David de quem Ana tanto falava; mas sentiu um não sei que de nostalgia que afligia seu semblante.

Ana depois que principiou a vender Flores desenvolveu-se física e mentalmente com as conversas francas e amigas de sua mãe; assim como de Alguns Fregueses.

Ana via em sua mãe uma irmã mais velha, uma amiga de quem nunca se desejava separar...e na sua bicicleta e flores o seu desenvolvimento físico e mental; Linda menina e muito desejável; em contra partida David perdeu um pouco de sua vitalidade, com a falta de companheiros da escola e brincadeira; Ana Chocou, mas sorriu.

Ana com seu sorriso aberto e franco foi cumprimentar seus colegas de exame escolar, alguns colegas de carteira; parecendo-lhe sentirem uma certa inveja por seu desenvolvimento.

Três delas continuaram brincando com os colegas; Ana passou seu braço sobre o ombro de David encaminhando-se para um banco do jardim debaixo do olhas de suas mães e da inveja de seus colegas ao ver Ana tão afável a entregar sua prenda a David que tinhas parecenças de ser um livro.

Era mesmo um livro; o título (Como eu quero ser) escrito por um professor de física e saúde...Ana disse não sabia o que te oferecer; mas tenho andado a ler um igual que muito me tem ajudado; espero ver os efeitos que este opera em ti nas próximas ferias de Natal.

Eu ficarei por aqui na escola industrial e comercial; mas tu vais para um colégio interno.

Os homens convidados viam-se jogando cartas, contado anedotas e riam, mas com sua fresquinha ao lado.

As senhoras, mães das crianças convidadas conversavam parecendo falar de Judite que neste momento falava com Dona Clara que a tinha encaminhado para um banco junto ao pé de um grande Castanheiro.

Estas tinham razão de invejar Dona Judite, ainda no princípio dos seus trinta anos, mas duma beleza e porte de fazer inveja.

Olhos de um brilhante místico, um conjunto de tristeza e desejo; mas onde se poderia notar uma forca vencedora da luta que travava, entre o dever e o desconhecido futuro de uma vida onde sua filha era o puder e o ser.

Dona Clara queria ouvir da boca, de uma mulher que estava vivendo um drama de mulher viúva, cheia de juventude, o como resistir ao desejo, e talvez galanteios!...

Dona Judite parou, estendeu suas mãos a Dona Clara, e disse... minha amiga; amava tanto meu marido... as lágrimas escorriam por sua face, molhando-lhe os lábios com um sorriso tão doce e perdido... disse, minha juventude; meus desejos são satisfeitos pelo sonho... vivo minha vida, sempre encontro meu marido no meio das maiores tempestades e miséria, acabando por fazer amor mesmo encima da mesa da cozinha... ate hoje nunca desejei outro homem.

Senhora Dona Clara, o que mais me preocupa é a educação de Ana.

Mas desde que Ana vendeu as primeiras Rosas, e acreditei que tudo será possível se o quisermos.

A rosa da felicidade que brota a cada semana da roseira de minha Filha será sempre a força em quem acreditarei.

Mas Senhora, o futuro não está nas minhas mãos, mas temos de acreditar que podemos. E querer é poder...

"Continua no próximo capítulo VI"...

Por: Armando C. Sousa