A Menina e a Rosa II

"Nomes e lugares apenas coincidência
esta historia e produto da imaginação"


Ana e David correram, sentando-se em suas carteiras bastantes distantes, as que lhes foram atribuídas; naquele ano escolar; a escola já era mista; os rapazes sentavam-se separados das meninas.

A professora abriu o livro dizendo, vou ler este trecho; depois teremos um ditado; para finalizar o dia escolar.

Depois que recebeu todos os cadernos dos ditados, a professora disse; podem sair que eu ficarei a corrigir, espero que este ano seja um sucesso total os exames que se aproximam.

Que sejamos a escola com 100% cento.

Ana encaminhou-se para casa pensando em sua mãe; David ainda correu para lhe dizer adeus, mas viu-a desaparecer na curva…Ana, dizendo com seus botões; hoje terei toda a casa limpa quando a mãe chegar; mas antes quero conversar com minha roseira, dar-lhe de beber e limpar as ervas daninhas à sua volta; pedindo-lhe mais uma rosa da felicidade.

Então pensando em David sentiu apertar-se seu coração de criança cheio de dor, pedindo uma resposta à sua roseira amiga e companheira de suas alegrias e conversas com seu pai.

Ana ficou pasmada olhando sua roseira; dois botões estavam quase a abrir. Já se podia notar a cor.

De momento sua roseira perguntou?... Ana, que vais tu fazer depois do exame?... nada nesta vida tua mãe poderá fazer por ti com seu trabalho… hoje mais uma vez a irás encontrar a chorar, as contas são enormes com os juros.

Seu pensamento de criança ouvia sua roseira falar e chorava… Ana, dizia a roseira; se houver alguém que queiras ver feliz oferece-lhe uma das rosas que amanhã poderás cortar; na rosa vai tua felicidade e a felicidade de tua mãe; mas nela esta a felicidade de que não a deixe murchar.

A mãe de Ana chegou do seu trabalho com uma parte de um olho negro, olhou a casa toda arrumada, o terreiro barrido, a mesa posta com pão e azeitonas, sorriu e abraçou a filha.

Ana perguntou; mãe o que foi isso?...

Foi uma lançadeira que saiu do tear; filha, me poderia cegar… foi o guarda-livros, o pai do David que me levou ao hospital; homem caritativo; bom coração… me faz lembrar e ter saudades de teu pai…

Um homem triste mas de bom coração… quem mo dera ver feliz… toda a fabrica sentiria felicidade… um coração douro.

Mãe, tu assim não podes trabalhar… o que será de nós?... Olha mãe, devemos agradecer ao pai do David, lhe vou dar uma das duas rosas que a roseira tem; estive conversando com o David; falou-me da tristeza do pai; creio que o pai vai viver momentos que nunca viveu.

Só que se não pode deixar murchar a rosa… esse e o segredo.

Mãe se eu pudesse principiar uma banca a vender rosas? Andaria sempre a vender rosas da felicidade., seria conhecida pela menina das rosas magicas…a banca não teria mãos a medir e ganhava-mos dinheiro para eu ir estudar.

Tu estarias ao balcão para me ajudar nos meus estudos, mas haverias de encontrar, muitos homens… talvez um dia a mãe, quisesse fazer um homem feliz, usando uma rosa da nossa roseira.

Dona Judite riu e levantou os olhos ao céu… dizendo filha, tu és a minha felicidade.

Há…tens razão filha, se pudesses vender rosas pelo menos ao sábado… quem sabe!... talvez te pudesse ajudar a seguires nos estudos.

Nesse tempo a semana trabalho era de 48 horas… cada dia 9 horas e no sábado três

Horas; quase só para limpeza…

No sábado Ana faltou à escola… foi com sua tia que vendia verduras no mercado do Bolhão…

Sua tia lhe arranjou rosas baratas e fresquinhas; antes das 11 horas Ana estava ao portão da Fabrica da Senhora da Hora, esperando o pai de David…

Antes que este entra-se no eléctrico que chegaria em breve; se ouvia Ana… compre senhor, vendo Rosas que dão felicidade…

Ouviu o homem dizer… meia dúzia menina... és tão simpática, que mereces ser ajudada.

Mas a menina deveria ainda estar na escola… Não te esqueças que na escola se funde a chave que abre todas as portas…

"Continua no próximo capítulo III"...

Por: Armando C. Sousa