A Menina e a Rosa I

"Nomes e lugares apenas coincidência
esta historia e produto da imaginação"


Os dias foram de uma tristeza enorme vendo sua mãe chorar, por vezes amparada pelas vizinhas que também choram abraçadas a sua mãe.

Era ainda muito criança para avaliar a situação.

Alguns dias passaram, a mãe mandou a filha vestir-se com os vestidos pretos que chegavam da tinturaria… as posses eram diminutas para comprar vestidos novos pretos.

Os momentos eram ainda de maior negrura quando os vizinhos lhe disseram.

Chegou um telefonema que o caixão chegara a igreja dentro de uma hora… dizem que a morte foi momentânea, deus não quis que teu marido sofresse.

A mãe pôs-lhe um xaile preto sobre os ombros da filha, que lhes emprestou a vizinha.

Sempre a chorar pegou no seu xaile e disse para a filha, amoreeeeeeeee vamos para a igreja passar os últimos momentos com teu pai… este morreu esmagado por um desabamento de pedra quando trabalhava na mina, ganhando o pão…

Os dias passados depois do enterro foram de morrer de tristeza… sua mãe não parava de chorar, e quase sem tino para continuar a vida.

Ana procurava consular a mãe, mas não tinha palavras que respondesse as suas próprias perguntas.

Como poderia continuar a viver sem o sorriso e a mão de seu pai que sempre a acompanhava, para o jardim, para a igreja e mesmo ao cinema.

Seu pai e sua mãe eram inseparáveis a cultivar o jardim.

Sua mãe dizia. Ana, o teu pai esta no céu; sempre foi bom para nos…fui muito feliz, alem das dificuldades para construir esta casinha, sempre me ajudou depois que chegava do trabalho… agora Ana, se não fosse por ti, não queria acordar depois de principiar a dormir.

És tu querida, que me vais fazer viver…veremos se com o meu trabalho poderei pagar os juros do dinheiro pedido para esta casa… vai ser difícil.

Os dias foram passando; mas as saudades aumentavam.

Ana nos seus dias de criança tinha o seu canteiro de jardim, e nele uma roseira que ela tratava como fosse sua companheira; todos os dias, Ana passava tempo com aquela planta que parecia falar.

Regava-a, pedia a sua roseira, pelo menos uma rosa para levar no domingo a campa de seu pai, onde ficava tempo falando com ele, avivando ainda mais o amor no seu servo de menina.

Sua mãe sempre vestida de negro escurecia ainda mais seu modo de viver… na escola recolhia-se num canto, quando todas as crianças brincavam.

David um rapaz de sua idade, filho do guarda-livros da Fabrica de tecelagem onde trabalhava sua mãe, por vezes vinha a buscar para brincar; se Ana não ia, muitas das vezes David ficava sentado junto dela sem nada dizer…

Outras vezes falavam das suas coisas de criança…

Ana dizia, só minha roseira me da alegria…

Cada sábado me da uma rosa que me faz muito feliz, assim no domingo no fim da missa levo-a à campa de meu pai e ali ficamos a conversar…

David dizia…Ana, por vezes me apetece chorar; penso na tua tristeza… se pudesse ter também uma roseira… oh, queria fazer feliz meu pai e minha mãe… se tivesse uma roseira como tu que te faz feliz… eu passaria minha vida a cultivar rosas para meus pais.

Por vezes me vem lágrimas quando meu pai chega do trabalho e minha mãe lhe vira as costas sem falar.

David; vamos; tocou a campainha, terminou o recreio… Olha David, quando falar com minha roseira escutarei o que me diz…

"Continua no próximo capítulo II"...

Por: Armando C. Sousa