Voltei à vida

 

Estremunhado meio a sonhar voltei à vida ao acordar; as lembranças amarradas à minha mente.

A tristeza que sentia tinha cheiro de saudades; procurei nos papeis, consultei calendário, vi que já se passaram tantos anos que os meus ente queridos não vi, pedi a meu coração para decretar um decreto de alegria da mesma maneira que o fez anos, muitos anos atrás na capelinha da freguesia.

Nessa ocasião ainda o espelho era magico; não mostrava rugas, o cabelo não tinha voado, não mostrava preocupações. Era eu e aquela que se encontra naquela fotografia velhinha. Mas era-mos assim na nossa juventude, vivia-mos agarrados ao amor.

Nessas lembranças, encontrei nossas brincadeiras quase inocentes, maneira linda e alegre de viver; mesmo quase sem pão.

Quantas vezes o luar descia em cascatas, filtrado pelas folhas de Eucaliptos jorrando cheiro.

O luar luz branda e meiga, quantas vezes ensopou nossos lábios em amor.

Sobre ela caía o meu braço protetor, defendendo-a dos chispes doutros olhares; os dela faiscavam brilhos de poesia, dado pelas estrelas que não se ouviam a clamar.

Depois de acordar essa manhã foi-se alargando no dia, e senti que nosso amor continuava a florescer, mas a vida descia no escurecer; eu sentia ainda como milagre o nosso encontro, alma irmã quase igual.

O sol se erguia; o tempo seguia; fui ao chuveiro para lavar lembranças que juntei durante tantos anos, depois de limpo, vi alguém como um anjo de ontem, anjo de à muitos anos, que sempre foi meu, e hoje o será também, e amanhã, …e além e mais além…..depois já sem saudade, mais uma promessa até a eternidade.


Por: Armando C. Sousa

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