São Martinho do imigrante de Barcelos



Mês de Novembro, o vinho foi enfiado nos barris, mas ficavam os milhos dos campos lentos para desfolhar; os dias começam a emagrecer, curtos e frescos, as folhas amarelecidas caiem sacudidas pelo vento cosidas pelas primeiras geadas. São Martinho lançou sua capa e não foi só o verão curto que recebemos...


O cheirinho das castanhas veio como um manto de amor, por todos os da nossa língua através dos quatro cantos do mundo e é nesta última desfolhada que se celebra o São Martinho.

São Martinho no Migrante de Barcelos tem o mesmo significado em quase todas associações; o amor familiar, amor pelos vizinhos, pelas tradições dum lugar da província, ou dum país, que aqui é mais a língua que nos une com os mesmos costumes; procurar o calor amigo da nossa língua, onde as palavras ditas com amor são mais doces.

A água pé tem o sabor do melhor vinho, e parece que estamos recebendo o cheirinho que entrava nas nossas narinas pelas frestas e cantos das vilas ou aldeias onde vivíamos.

Pare-se que estamos a ouvir os pregões das vendedoras, (é que são quentinhas e boas).

Aqui neste sossego, onde existem homens que se agarraram a tradições, e lendas para nos dar um viver mesmo melhor que aquele do torrão natal, aquém a saudade tantas vezes nos arranca, e nos leva a esses tempos de nostalgia, que não voltam mais.

É aqui que todos contentes picando as castanhas bem assadinhas dos Pratos, mãos amigas que se cruzam para as pegar; mas é entre gestos de amor que deveria ser a arma para enfrentar todas as guerras, e gestos de avareza e ambição.

Como sabemos hoje as castanhas são como um pitéu, mas em criança já me substituíram o pão, para enganar a fome. Castanhas cosidas assadas ou piladas sempre foram um alimento gostoso e popular que vem dos nossos pré-históricos antepassados
São Martinho no Migrante de Barcelos foi sem duvida mais uma festa Minhota. No Dundas Banquete onde ouve grande alegria entre para cima de 300 celebravam o São Martinho.

Depois do delicioso jantar com sopa de agriões e rojões com fígado, coisa bem Minhota foi demonstrado que o sangue Português traz os viras e malhões desde embrião, o rancho De Barcelos um dos melhores daqui e de Portugal, dançam como filho de peixe.

Esta rapaziada do grupo de danças e cantares de Barcelos merece o nosso melhor carinho, pois é gente desta casta que não param no tempo, num espaço de 5 anos regalam-nos com as melhores modas de antigamente do baixo Minho.

Esta Gente de Barcelos representou-nos em grande nos estúdios da RTP do Porto o quanto vale os Minhotos aqui radicados; os Portugueses para o ano terão mais demonstrações dos minhotos de cá, segundo me disse um passarinho.

O folclore Minhoto é de grande classe, em qualquer uma das regiões que representam o Minho, nestas nossas paragens que escolhemos para viver.

Aqui, depois deste rancho nos regalar com uma moda iniciada em Famalicão (minha saia velhinha) e com seu instrumental de concertinas cavaquinhos violão e viola minhota, (raquerraque) ferrinhos e bombo, veio-nos com chula de barqueiros, uma moda recolhida nas vindimas do douro, e mais malhões e viras, de Braga e Guimarães.

A musica do DJ Íris atraíram muitos a recinto de dança, onde a noite parecia não ter começado; mas um dos regalos maior veio com Casemiro Pinheiro e sua concertina uma de seu museu de Quarenta, oito concertinas aqui, e trinta e duas concertinas em Portugal, mas suas cantigas picantes deram a boa disposição ao resto da noite. Uma delas.

Estava a assar castanhas
Estava o lume a arder
Queimei a minha (pilinha)
A tirar e no buraco e meter.

Sem duvida Casemiro Pinheiro aqui no Canadá mata saudades dos muitos cantadores que ouvimos em Portugal, ou por aqui vindos de lá, teve de regressar e deixar o Baile de São Martinho organizado pela gente de Barcelos.

Mas aqui quero deixar expresso o excelente trato com que o Sr. Lucinio presidente desta agremiação Migrante de Barcelos e chefe da sala e dança de São Martinho distingue a impressa Comunitária presente, em nome pessoal e do The Portugues Poste, muito obrigado.


Por: Armando C. Sousa

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