Santoinho

Organizado pela
A associação C. do Minho



Cheguei tarde, os ranchos tinham terminado de atuar, perante um mar de gente alegre por se encontrem em festa no mesmo recinto, mais de mil e duzentos Minhotos ou amigos dos Minhoteiros, esta associação vem trabalhando sem cessar para mais uma vez pudessem trazer até estas terras Torontinas Canadianas a flor da tradição do Minho dos nossos tempos.

O cantar ao desafio ao som das concertinas; com quadras bem picantes, que essa gente que outrora cultivava os píncaros das serras do norte, para sobreviver, ali se encontrava. Uma senhora de 78 anos talvez uma das mais velhas Minhotas que se encontrava no recinto do Hangar do Dwoniew Parque, único lugar Coberto capaz de conter tanta gente ao mesmo tempo, esquecendo-nos dos domes de golfe, essa Sra. ria a bom rir talvez lembrando tempos da sua mocidade e dessas cantigas marotas e bem picantes.

Não vi a atuação dos ranchos do PCCM, mas sei por antecedentes atuações, que esta gente leva o gosto das danças que se dançavam do Minho ao Algarve e das danças vividas pelos Ilhéus, dos Açores à Madeira; é sempre com expectativa e alegria que se vê esta gente atuar.

Cerca de cem figurantes da associação Minhota bem ensaiados pelo incansável Otávio Barros davam os últimos rodopios quando cheguei, e logo se encaminharam, para dar uma idéia do que era a desfolhada e o malhar do milho, uma cultura que hoje esta associação teima em mostrar ás raízes o que era a nossa tradição.

Depois foi um desdobrar de uma tradição que os minhotos em geral não deixaram morrer, e esta gente de todas as idades vivia com grande intensidade; o vira geral.

Este é o ponto culminante da nossa gente a matar saudades; e a associação Minhota tem um homem que descreve estes momentos com tanta intensidade e amor ao passado que faz vibrar o coração de cada um, transportando-o a um passado presente, não conheço ninguém que saiba também descrever as tradições minhotas como O Sr. Paulo Pereira, indispensável a este transportar e viver de coração Minhoto.
Esta Associação guiada pelo Sr. Alexandre Barbosa, mesmo com deficiências no seu elenco, mostrou que os Minhotos podem ser um mundo.

Houvesse mais do seu índole onde paira a verdade sem interesse pessoal, e Toronto estaria à frente do mundo com a mais importante casa Minhota, porque realmente o que se viu neste Santoinho foi um mar de gente, e alegria irmanada, apenas dividida por pequenas frações, que se não quiseram irmanar.

O dia e a noite foi dividida, ora saboreando a bela sardinha assada, que deixou de ser prezigo de pobre para se tornar em pitéu.

Foram 58 caixas de sardinhas pesca de mãos, que lá longe ainda dominam o mar, portanto 600 sacos, 2.500 febras bem temperadas saladas de toda a qualidade batata e o sempre bem vindo caldo verde, que graças aos imigrantes se tornou de estimação em todas as partes do mundo…

A alegria reinava e esta gente para melhor mumificar as festas de Santoinho apresentaram suas marchas com a alegria das crianças, bombos e gigantonas.

A banda 'Português Suave' soube dar o ritmo e calor necessário para chamar uma enorme quantidade de gente para o recinto, vivendo uma noite de dança e de alegria, Parabéns.

Depois estiveram o conjunto de concertinas e cantares ao desafio que mais uma vez lembraram o passado, e como era da praxe antigamente visavam sempre o nome das moças do lugar, onde se realizava a cantoria, e desta vez abusaram um pouco do nome das mulheres de Toronto, nem a todos cai bem, porque nossas mulheres são obreiras e rainhas duma vida embora de saudades, mas dum nível que mesmo no velho cantinho tem feito a diferença.

Fora disto, este grupo de concertinas foi maravilhoso, mas nunca fez esquecer Quim Barreiro e o Marinho, a noite iria ser longa e de alegria, mas cansado da noite anterior regerei a casa para preparar este escrito.

Antes de partir; aos voluntários foram muitos, que estiveram no sucesso deste mar de gente em festival Minhoto, merecem de todos nós um grande obrigado, e a todos os que ainda não conhecem a palavra verdade, que se lembrem que a mentira fere.

Pela enorme paciência e compreensão do presidente desta associação Minhota, o meu obrigado!

 

Por: Armando C. Sousa

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