O raio do telefone outra vez!


Quantas vezes já lhes saíram estas palavras ou outras semelhantes da boca, com ar por vezes decepcionado; outras vezes mesmo zangado, a ponto de desligar mesmo esse aparelho tão necessário à vida que desenvolvemos com esta tecnologia.

Isto acontece quase sempre quando estamos a recostar-nos com a esposa, e ver um desses filmes que nos abre o apetite de… e o telefone toca no momento mais emocionante, vamos atender para nele encontrar um vendedor de jornais, a querer estragar a nossos momentos de amor, este vendedor a oferecer o jornal de desgraça, só pagando o jornal de fim de semana.

Claro que lhe respondes, há esta hora não são horas de negócios, e pousas o raio do telefone sem esperar desculpas.

De outras vezes mal ouvem a tua vós dizendo alô, logo se ouve desculpe creio que tenho numero errado, mesmo que tu lhes perguntes como sabes agora que tens numero errado?
O telefone silencia-se sem respostas… mas o que mais enerva é quando as pessoas telefonam, põem-se a escutar depois desligam sem deixar traços.

Mas meu amigo tu já te imaginaste sem telefone?...Sem Internet, ou mesmo sem televisão?… seria uma negrura voltar a um passado onde vivi, quando as pessoas precisavam de se comunicar, iam, e por vezes quilometro até às casas das pessoas ou escritórios, quantas vezes para fazer contratos e vendas ou arranjar trabalhos ou meios de sobrevivência; telefone para todos, não havia quem sonhasse.

Fazer contrato pela Internet, ainda não tinha nascido o cervo para sonhar nisso.

Estive trabalhando em França na década de 60, e o dinheiro para sobrevivência de minha esposa e meus rebentos demorava mais de um mês a ser processado viajando do Banco Português ultramarino, à filial em Santo Tirso, e daí chegar ás mãos de minha esposa, já com os descontos que teriam de ficar nas mãos do governo.

Comunicar entre eu e ela era por carta que demoravam entre duas semanas a um mês parte delas já chegavam às mãos dela, ou minhas já abertas, outra nunca chegavam.

Era preciso conhecer os segredos dos imigrantes, ou ver se a carta trazia dinheiro, ou outras coisas de valor, quando afinal apenas enviávamos uma fotografia matando saudades a quem ainda não tinha tido oportunidade de seguir os passos do marido,

E as saudades daqueles rebentos que ficaram esperando pelo pai eram terríveis.

Se minha mãe hoje se levantasse dos mortos, logo diria que se tinham realizado muitos milagres desde que ela adormeceu a volta de 30 anos.

A tecnologia avançou em todas as frentes, e é dele, do telefone, que dependemos para resolver todos os problemas; bom nem todos, os de amor resolvem-se com bicadinhas!


Imagina se há uma avaria nos telefones quando se queima um transformador elétrico com uma temperatura de 20 abaixo de zero, quantas pessoas resistiriam?… ou como seria gerida uma empresa? , ou como moveriam os produtos?

Pois as diretorias não poderiam seguir por fax ou Internet, por falta de corrente elétrica, Neste caso teriam de regressar ao passado, com sinais de fumo e o batuque de tambores, ou o barco e o Pony Expresso, o que se tornaria num desastre de comunicação humana, e falta de viveres.

Foi com falta de comunicação efetiva e em tempo real, onde tiveram inicio as lendas, aumentadas, e tidas como verdadeiras, como no caso da arca de Noé, comparação, as cheias de Moçambique ou Madagascar.

Imagina só por imaginar, uma vida sem telefone, Mas o perigo que nos acarreta com as mentes que não tem mente para pensar.

As estradas hoje estão cheias de gente perigosa no caso do telefone, mas também te podem descobrir ás tuas aventuras; que te enchem os bolsos de dinheiro e um País cheio de misérias, e drogas.

O guiar e falar no telefone, tem causado muitos acidentes, os prêmios de segurança sempre a subir, e nós não temos um governo que tome em conta este perigo nas estradas,

Assim como aquelas corridas loucas, onde o telefone deu inicio (meu carro é superior).

Creio que quem não deve não teme, se não usas o telefone indevidamente, lamento as escutas sem aviso prévio; mas lamento muito mais existir segredos bancários ou de justiça, que te prejudicam muito mais que aquelas ringadelas a meio do sono que te obrigam a dizer, o raio do telefone outra vez.

Por: Armando C. Sousa

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