| Milagre
da cruz
Já vai há tantos anos que aconteceu, mas ainda hoje
se sente o efeito da astúcia de uma senhora que usava todas
as artimanhas para manter o marido crente nas coisas que ela sabia
que não eram verdades, mas que afinal lhes poderia proporcionar
uma vida desafogada, mas precisaria de começar erguendo seu
castelo pedra a pedra, sem dar a conhecer ser plano de ação.
Tudo
se passou numa ilha pequena mas maravilhosa, onde os olhos seguindo
a terra com o olhar iam parar no firmamento azul, maravilhoso que
a luz do sol concedia à natureza, a ilha ela mesma plena
de flores multicolores dava um tom de encanto, com o reflexo de
tom esverdeado que o mar lhes emprestava, nos dias que as ondas
pareciam embalar-se sozinhas com a aragem quente de que eram dotadas
pela corrente marítima.
De
noite, olhando o céu, a maravilha era ainda maior, um braseiro
de luz juntamente com o luar caia de todos os lados terminando num
disco de água muito redondo, e as ondas que se faziam ouvir
num sussurro mansinho nas noites de calmaria.
Era
na realidade um sonho viver e amar naquela ilha, mas as aldeias
eram pequenas e quase se casavam primos com primos, todos conhecidos,
mas onde a escolha, não existia, nunca se sabendo se era
amor ou a natureza de mocidade que atraia a fazer amor, e daí
o casamento como lhes era ensinado.
Como
de costume o homem deveria fazer a riqueza da família com
seu trabalho, e dele procurar fazer seu pé de meia se a mulher
não retirasse com uma agulha o que o homem enchia com a pá.
Neste
caso do milagre da cruz, a mulher dominava o homem em todas as circunstancias,
claro está para bem da família, o homem não
fumava porque a esposa logo lhes dizia que ele estava a tornar em
fumo o pão que iria fazer falta aos filhos um dia.
Nas
horas de ócio o homem queria divertir-se um pouco na taverna
vizinha, mas logo ela o convencia a ficar e fazer mais uma vez amor,
dizendo-lhe é só o que teremos para dar, é
muito amor, ele enternecido ali ficava saciando a esposa, as horas
passavam, abraçados os dois ali ficavam horas olhando a beleza
da montanha que conduzia seu olhar ao braseiro de estrelinhas que
de vez em quando pareciam cair uma para aquele lado do mar outra
para o outro lado da montanha.
Então
a esposa dizia ao marido, é tão bom estarmos abraçados
vivermos juntos, e juntos deveremos economizar o possível,
ele com um beijo selou o acordo com aquela que o fazia viver o amor.
Ela pegou numa latinha onde já se encontravam algumas economias,
dizendo será aqui que as vamos depositar os dois: ele concordou,
os meses passara o barco do sal que abastecia a ilha, deveria estar
a chegar, seria preciso abastecer-se até que o novo barco
chegasse, se ele esperasse para comprar o sal depois de estar armazenado
custaria o dobro, mas ele não sabia quanto tinha em economias,
porque tudo que sobejava o dava à esposa, mas estava confiante
quando fosse preciso que a latinha ali estava.
Sem
que o homem soubesse a esposa tinha outra latinha onde dividias
as economias em igualdade, só que esta tinha uma cruz no
fundo que só ela sabia que existia, toda a vizinhança
tinha inveja do viver daquele casal tão amigo, onde não
se apercebiam de discórdias, mas ela tinha o seu plano formado
e a seu tempo teria de trabalhar como seu pensamento o concebia,
o dia estaria próximo em que o carregamento de sal chegaria
ao cais.
Uma
noite a esposa pareceu-lhe ver uma centelha de luz longe no mar,
encaminhando-se para a ilha, e logo disse ao marido, deve ser o
carregamento, de madrugada pega no dinheiro da latinha e vai ver
se é o navio de sal que se a próxima, se for, carrega
o que poderes, com o dinheiro do nosso pé de meia.
Madrugada
o homem partiu para o cais disposto a carregar o que podia, e assim
encontrou bastantes marinheiros que descarregavam o sal do navio
para armazenamento.
Porque
restava ainda muito sal, este pode encher sacos, que principiou
carregando para a casinha da serra, ora pegando num, e voltando
atrás para carregar outro, até que chegou com o primeiro
sal a casa, e logo lhes saiu a esposa esbaforida, dizendo: Fernando,
porque não levaste o dinheiro da latinha? Sabes que não
gosto que fiques devendo nada a ninguém, o marido logo respondeu,
mulher eu levei o dinheiro todo porque aqui não há
quem confie ou a quem se possa ficar a dever, logo a esposa respondeu,
mentiroso, aqui está a latinha com todo o dinheiro que tínhamos.
O
homem benzeu-se muitas vezes admiradíssimo e começou
gritando milagre, milagre;
Aos
gritos do homem, apareceu toda a aldeia, todos querendo saber como
foi o milagre
Esbaforido
o pobre do homem contou que levou todo o dinheiro de madrugada,
para a compra do sal, mas o milagre ocorreu porque a minha Maria
tem aqui a latinha com todo o dinheiro que era o nosso pé
de meia. Toda a gente quis examinar a latinha, e uma das mais curiosas
e crentes encontrou a cruz no fundo da lata, gritando milagre de
Deus.
A
Senhora Maria distribuiu o primeiro saco de sal, pois todos queriam
um bocadinho do produto do milagre, com a promessa de erguer uma
grande cruz mesmo por detrás da casinha da serra, então
desde esse dia a Senhora Maria ficou com um dom de aconselhar os
crentes da ilha, a que ela sempre aconselhava a dar amor, dizendo
quem dá amor recebe amor como eu recebi, e o meu marido é
testemunha deste milagre.
Fernando
sempre se benzia quando lhe falavam da latinha, ele acreditava cegamente
na esposa; a lenda principiou dando frutos, sempre que vinham pedir
conselho, a Senhora Maria recebia alguma coisa em troca, mas ela
nunca desvendou o seu segredo. A gente da ilha levantou uma enorme
cruz de pedra vulcânica erguida mesmo por detrás da
casinha da serra, dizendo este é o sinal de Deus contra o
inferno donde saiu esta pedra. Foi assim que cresceu a juventude
da aldeia ouvindo a historia do milagre da latinha com o sinal da
cruz.
Assim
a juventude aprendeu que deveria dar amor, mas no atraso em que
fomos criados, nem todos sabiam como dar amor, e os mais espertos
aproveitavam-se da ignorância e idiotice principalmente das
moças mais jovens. Foi desta maneira que uma sobrinha da
benzedeira, como lhe chamavam, pediu a um rapaz, dos mais esperto
do lugar, para lhes explicar como se dava amor.
O
rapaz, de bom grado explicou à inocente da mocinha como dar
amor, o que ela respondeu, é tão bom dar amor que
o meu será todo para ti como minha tia diz que dá
ao tio Fernando. A rapariga era lindíssima mas muito inocente,
o rapaz ficou numa Meca explorando a inocência da rapariga,
até que a rapariga ficou grávida.
Nessa
altura o rapaz esperto disse à idiota da mocinha que Deus
o chamou para ser padre e ir pregar o milagre da cruz que se deu
na ilha.
A
mocinha ficou desesperada pois já não teria a quem
dar amor, o rapaz desapareceu embarcando para outra ilha, procurando
mais inocentes que quisessem dar amor, a mocinha lavada em lágrimas,
sofria porque a quem ela deu tanto amor continuou com a lenda de
ir servir a Deus ( justo reparai que tantos padre e bispos o tem
feito) pretexto que se alarga, e a estupidez acredita.
A
rapariguinha passava horas junto ao cais chorando com a esperança
de ver voltar seu amado, pois lhe queria dar mais amor.
Um
dia um marinheiro se aproximou da mocinha já com seu filho
nos braços, perguntando-lhe porque chorava, ela lavada em
lágrimas lhe contou a sua história, dizendo o que
mais amava seria dar amor como de sua tia, que, originou aquela
cruz que se vê lá no alto.
O marinheiro prometeu-lhe muito amor, que a levaria para um lugar
onde ela poderia dar todo o seu amor, vivendo como uma princesa.
Um mundo que ela nunca sonhou que existisse.
((continua)
Por:
Armando C. Sousa
Enviar
a um amigo
clique ao lado!!!
|
|
Voltar |