Meu 13 de Maio de 1943

 

Vinha apenas de completar dez anos de idade, professor Arnesto homem miúdo de cara, mas alto e forte de corpo nos seu 35 anos; viajava os 10 quilômetros de bicicleta que separavam sua residência do grande casaram restos da grandeza de colonos no Brasil, que servia de escola masculina.

A escola ficava a meio da calçada, logo acima da casa do Arieiro, outra casa de Morgadio da Freguesia e como considencia a escola das raparigas do meu tempo; como professora, a Dona Justina, com três filhas solteironas.

Ora nesse dia havia a transmissão direta das cerimonias de Fátima, Professor Arnesto foi convidado por dona Justina para ouvir a transmissão, sei lá qual a intenção.

A verdade é que a nossa escola foi aberta por um dos alunos de quarta classe com a intenção de ficarem a estudar, os de terceira e quarta e mandar os de primeira e de segunda para casa… ora esse casarão estava preparado com madureiro para conservar frutas.

No outono anterior um dos mais rudes alunos brindou o professor com uma cesta das mais belas maçãs, que o Professor foi depositar no madureiro; no regresso disse, eu não quero receber nada de ninguém, nem nenhum aluno receberá favores de mim, a não ser ensinar o que sei por igual.

Chamou o aluno e disse-lhe eu já tinha dito tudo isto, como recompensa e teres desobedecido tens uma dúzia de bolos, seis dados por mim outros seis por teus colegas de classe, e aquele que não o fizer com mesma gana que eu faço recebe meia dúzia dados por mim.

Hora o ano de escola foi maravilhoso de aprender e de respeito até esse dia treze, motivo porque ao outro dia fomos todos marcado para a vida com esta lembrança.

Então como ficamos na escola dois dos mais brutos alunos foram ao madureiro comer as maçãs e obrigar aqueles que como eu não queria comer com medo, esses dois alunos nos fizeram comer em igualdade, ora na verdade as maçãs apenas um pouco murchas eram uma delicia, e nós os alunos de terceira e quarta classe as comemos todas.

Dia 14 o Professor entrou na escola cabisbaixo, pousou a cabeça na secretaria e ficou por minutos, por fim levantou-se e disse os dois Antônimos que se levantem e vão pelas maçãs ao madureiro.

De regresso os dois disseram, Sr. Professor lá não tem maçãs, então o Professor chamou o Domingos o mesmo que lhe tinha ofertado as maçãs e deu-lhe duas dúzias de bolos, dizendo primeiro por teres causado tudo isto, segundo por denunciares teus amigos e colegas de escola, que te vão chamar toda a vida traiçoeiro, ou acusa pilátos.

A vós os dois Antônimos levais uma duzia de bolos por mim e outra dada por vossos colegas que obrigaste a comer as maçãs, eles não o fariam se não fossem obrigados.

Depois eles tambem irão conhecer a cor à palmatória, por não saberem resistir.

É assim desta maneira que se forma uma quadrilha mafiósa.

Eu sei que não deveria haver tanta palmatória, mas…

Sentou-se e mandou-nos todos sentar, dizendo, existe lei e tribunais, é ali que o queixoso se deve dirigir, se o entender que vale apena o fazer e que o deve fazer, espiões é coisa detestável, mas obrigar a fazer quem não quer fazer é abusar de sua força ou posição, o que não resiste é fraco, e virá a ser um covarde.

Pois meus rapazes temos apenas mês e meio para escrever vossos exames, eu quero que sejais tão bons ou melhor que as raparigas de que dona Justina se pavoneia de ter sempre classes superiores, espero que de hoje para o futuro não haja vinganças, por tudo isto passado hoje, no fim dos exames teremos um magusto com os rapazes da escola de minha freguesia.

Todos os alunos passaram o exame com distinção, mas o magusto não correu assim cordial, deflagrando-se numa guerra de pedrada onde ficaram algumas cabeças partidas.

Tudo por causa daquele 13 de maio de 1943.

Recebi lições que ainda hoje passados 60 anos não me esqueceram e serviram de guia na vida.

Por: Armando C. Sousa

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