Fonte da Lareira

Jorrou o fado na Casa do Alentejo

 

Sábado 23 de Agosto do terceiro ano do terceiro milênio a fonte poética desta casa jorrou linda musica de fados, saída dos dedos, e da guitarra de Antonio Amaro e as cordas da viola de Leonardo Medeiros faziam um complemento de som, que nos arremessava para a saudade de um passado bem distante, mas sempre presente e que nós procuramos viver quando as vozes de uma guitarra estão presentes.

Depois de um jantar onde o típico caldo verde esteve presente que deliciaram cerca de uma centena que faziam honras aos sempre sacrificados de um clube, (cozinheiros e serventes) que dão seu melhor para que a comunidade não perca o senso da nossa música Nacional, por excelência o fado, mas desta vez como em noite de farra, o fado vadio.

Mas ali não faltou o prato quase também Nacional, que apesar das espinhas todos teimam em gostar e amar, hoje dos mais expansivos pitéus, da nossa tradicional cozinha, o sempre bem vindo bacalhau assado, batata e legumes verdes.

As garrafas do delicioso vinho Alentejano e do inconfundível verdinho, lá estavam como espectadores mudos, mas que serviram como antídoto para combater a tristeza e solidão que as vozes causavam com lamento o querer outra vez vinte anos.

Como a lembrar-nos á noite de farra, lá estava a fonte e o lampião que no meu tempo de criança ainda era a petróleo. Tempo que o vivemos esta semana passada com os apagões… depois da guitarra de Antonio Amaro de Medeiros a presentearem umas rapsódias, (ó ramo ó lindo ramo) entrelaçando, eu não sei o que tenho em Évora, seguindo com modas bem populares que encantaram.

Desta vez foi chamada uma voz muito querida e conhecida na nossa comunidade Luciana Machado, que mais uma vez principiou pelo seu trecho preferido foi (Maria Madalena) seguindo com (Ai solidão).

Fernanda Diniz, mais uma voz veterana, mas bonita, cantor com saudades (Ai quem me dera ter outra vez vinte anos)… levou a assistência a cantar com ela, lembrando-se duma mocidade que não volta… muito baixinho para não desafinar, também a acompanhei.

Maria Gomes com saudades de seus tempos que deu tantas alegrias a Toronto, com a ferrugem instalada nos seus joelhos, mas ajudada por uma cadeira andante, e uma voz bonita e fresca cantou (Sr.a da Saúde) e (Maria da Cruz,) um aplauso merecidíssimo que apesar de tudo o amor ao fado não abandonou ainda seu espírito.

Nesta seção de fado vadio apareceu um homem de nome João (Garrana) que mais fez lembrar aquelas noites de farra da nossa mocidade que contou aquele fado brincalhão (Quando eu Era Rapazote e o Trabalho) que deixou a assistência hilariante.

Veio depois Teresinha de Jesus que cantou muito bem (Lágrima) e (Tudo isto é Fado)

Seguidamente Maria Julieta cantou de olhos serrados balouçando ao som da música, vivendo com alma a música que cantava, terminando assim a primeira parte, que depois de um pouco de conversa entre amigos e mais um copo de água para combater o calor,

Disse adeus ao fado para esta noite, pois estou ciente que a casa do Alentejo organizará mais serões de fados, no outono que se avizinha, de minha parte um obrigado á Sra.

Responsável pelas boas maneiras de receber, está de parabéns pela maneira afável como fomos recebidos em nome do Jornal Nove Ilhas, obrigado!

Por: Armando C. Sousa

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