Ferias para todos

 

Verdade,estamos no pino do verão, quando eu trabalhava a 1.500 metros a baixo da surfasse quando chegava há este tempo aproveitava todos os minutos de sol e de ar fresco, os vivia e guardava essas recordações como relíquias e o sol na pele, coisa que poucas vezes via durante o resto do ano; como passava minhas ferias?...Pescava passeava nas cidades e florestas, ia matar saudades á terra que me viu nascer.

A idade chegou, a família cresceu. O amor pela família aumentou, porque agora não eram só filhos e filhas, vieram os netos, nós vivemos com os ombros sub-carregados, por uma carga que a nós impomos, precisávamos ver a família unida e com saúde, financeiramente estável.

A reforma desta maneira acarretou-nos responsabilidade mesmo que fossem por nós impostas, fazer o possível pelos netos, leva-los a tempo e horas para a escola, ter certeza que nada lhes faltava até a chegada dos pais.

Sim meus amigos; o viver como imigrante ou como filho de imigrante acarreta mais responsabilidades, e com elas o orgulho de viver de cara levantada.

A mim alegra-me quando alguém da minha raça e da minha língua vence, e mostra os resultados de seu trabalho, alegra-me quando alguém segue em frente e nos procura defender nos meios escolares ou governamentais; para nós será sempre melhor uma pessoa da língua Portuguesa, que outro doutra língua que puxe a brasa para seu peixe.

Por vezes irrita-me sentir tanta aversão.

Leitores estava-me a deixar levar na onda de assuntos que se aproximam, mas não será momento para tal, é das ferias que estava a falar e vou continuar.

Depois das nossas festas de família e juntamento dos membros para ajuda mutua, veio o tempo de ferias, ir ver diferentes lugares, separar-se para viver e sentir talvez a saudade.

Ou sentir a diferença de estar só em mar desconhecido, ou até ir rever cantinhos, que não os viam desde sua meninice, cada um seguiu caminhos diferentes, apenas eu e minha esposa resolvemos ficar perto do ar condicionado derivado à bronquite que nos aflige.

Talvez no inverno procuremos cantinhos mais quentes e teremos ocasião de nossas ferias de reformados.

Mas o amor que sentimos pelo verde da natureza um dia, depois do café como é habitual na Nova Era, desta vez com dois amigos que nos procuravam com noticias de Portugal, nos despedimos e meu carro rolou ao longo da Queen, via Niagar, pelo caminho revi muitas indicações para prova de vinhos nas mais renomeadas adegas dos vinicultores de Niagara Península.

Ouve uma que mais me despertou a atenção, porque era um vinicultor com meu nome; De (Sousa's winery) tomei a estrada por entre pomares bem alinhados de pessegueiros e cerejeiras, já nem falando em um sem fim de videiras bem alinhadas e bem tratadas, seguindo sempre as indicações, saindo num desvio à direita lá fui encontrar um pedaço de arquitetura e beleza Açoriana.

Ali naquele pedaço de Canadá encontrava-se o encanto, a magia, o cheiro, a cor a cordialidade Portuguesa, a senhora Sousa recebia os visitantes com provas de seus néctares, não, não provei, porque quando guio não bebo, nem mesmo a brincar.

Mas deliciei-me comendo meu (almeiro), ou seja, febras bolinhos coelho galinhas e salada etc etc… junto ao lago artificial, com peixes de muitas cores, dando voltas e reviravoltas, como se fossem andorinhas da água, coisa que faz reviver todo o ser de que viveu para além da muralha do mar, a cor das hortênsias, um rosa leve, leva a paz ao espírito de quem as admira e quebra a saudade daquele mar que levava a imaginação ao infinito.

Lá dentro voltamos nossa imaginação ao tempo de crianças olhando o lagar e a imprensa, onde hoje repousam flores e saudades do tempo que já não volta.

Até os garrafões de quatro litros nos traz à lembrança aquele amigo que tínhamos em criança, quando lemos (Dois Amigos)… para vos falar verdade a frescura da fruta da região não me encantou, e muito menos os preços, quase se pode dizer exploratórios, mesmo que estejamos perante uns dos melhores vinhos do mundo com a composição de vinhos vindos doutros países, não justifica os preços praticados e expostos.

Mas quero dizer para aqueles que gostam de provar diferentes qualidades de vinhos

Niagara Península, é uma região privilegiada, vale a pena um dia de ferias naquele ambiente e frescura.

Por: Armando C. Sousa

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