Elliot
Lake
Vila
a onde meu destino me guiou ao chegar a esta terra de grandes
lagos neves eternas e tendas reais de Índios, com quem
convivi. Confraternizei e aprendi a pescar, olhar as nuvens e
as correntes para determinar o melhor lugar onde o peixe deveria
pegar.
Aprendi
que a trinta quilômetros ouve uma missão cristã
que deixou muito traumatismo, mas nunca me contaram o motivo,
aprendi que numa Ilha do Lake Elliot num grande penedo se destacava
uma grande pintura, e que era um monumento boreal daquela gente
noutros tempos que os anos iam apagando.
Entrei
aqui no Canadá com quatro filhas e esposa, formando corrente
humana; a mais velha vinha de acabar de completar seis anos, a
mais nova tinha acabado de completar seis meses, e a esposa com
vômitos sinais de um outro filho, que haveria de nascer
a 15 de agosto desse ano de 1968.
Elliot
Lake, Vila ideal para ajudar a crescer uma família, que
viria a crescer com mais um filho a 12 de julho de 69.
Primeiro
ano e meio vivi com família que me fez a carta de chamada,
a mesma que me negou de telefonar para o hospital para que uma
ambulância viesse por minha esposa, para esta parir o ultimo
filho, a mesma que sempre procurou causar-nos angustias.
Ponto
final neste passado de tristes recordações.
Quando
principiei a escrever esta crônica, era apenas para descrever
um episódio de tantos que se passaram comigo naquela jóia
de beleza encravada no meio do mato, a 600 quilômetros a
Norte Oeste de Toronto.
Era uma beleza rodeada de lagos, ali as trutas que se pescavam
com um quilo eram consideradas pequeninas, ou um pike de três
quilos era considerado bebê.
A
pesca nos lagos do provincial parque abria no terceiro fim de
semana de maio o que condizia com o dia da Rainha Vitória.
No
dia anterior pela noitinha tinha lançado o minou trape,
então no sábado muito cedo, acordei meu filho Idalino,
tudo preparado do dia anterior incluindo alguma coisa para o jejum,
e um termo de café fresco, entramos dentro do carro para
pegar nos minous, e seguir para o Cristmax Lago, onde se pescava
de cima de um penedo, e então procurava chegar cedo para
os melhores lugares, só que muitas vezes o diabo contradiz.
Naquele
dia deixei o filho no carro e segui uns 100 fitos para pegar nos
minous.
Ali
de joelhos e de cu bem para o ar para chegar à corda, que
não a encontrava com tão pouca claridade da manhã,
foi quando de momento sentir um arfar de calor no meu traseiro,
ainda de joelhos olhei de lado o que seria, quando deparei com
o corpanzil de um grande (Murso) em língua Francesa (Orinhal)
em Português não sei o nome, com hastes de 6 ou sete
anos.
Fiquei
com tanto medo que saiu um peido tão alto, e o cheiro devia
ser aterrador que o animal pôs-se em correria, creio mais
pelo cheiro que pelo barulho do peido. Eu por sim por não
desci as calças e lavei o traseiro no lago, limpando-me
à pequena toalha que trazia sempre para limpar as mãos,
para as mãos não gretar, com a brisa no Norte, é
fria nesse tempo.
Voltei
ao carro e contei a meu filho o sucedido, que se mijava de riso
e seguimos para o lago onde da estrada precisávamos de
caminhar, cerca de um quilometro por entre pântanos e uma
floresta fechada, apenas pelo carreiro de animais mal visível
nessa época do ano.
Chegamos
ao penedo ainda o sol não tinha despontado, as canas estavam
preparadas do dia anterior, pousamos o balde dos minous, colocamos
um mino no anzol e toca de lançar para a pesca do dia.
Incrível, ainda não tinha encontrado lugar para
segurar a cana, já ela estava dando sinais de peixe no
anzol,
Rolei
a linha, espanto e desolação, ali estava um link,
peixe feio que arrepio, chamavam-lhe o diabo do lago, nem lhe
queria por a mão, então tive de cortar o anzol e
colocar outro.
Então
disse para meu filho, este é o segundo azar do dia e não
há duas sem três, mas logo a cana do Idalino vergou
e vai de enrolar saindo uma bela truta de quatro libras, então
ouvia-se vozes de gente que chegava, o sol despontava e os mosquitos
principiavam a morder.
Quem
acabava de chegar era o meu amigo Pereira, seu irmão Manuel
e o cunhado Alves. Enquanto se preparavam para fazer o lançamento,
a minha cana deu sinal, e logo me preparei, e tirei uma linda
truta superior a três libras.
Então
lancei o fio outra vez e passaram-se duas horas sem minha cana
e de meu filho tivessem mais sinais de peixe, enquanto meus amigos,
tinham pescado dois cada um.
Desolado
deixei ficar a cana sozinha e vim para junto da fogueira que fizemos
para a afugentar os mosquitos e nos aquecer; de momento minha
cana dá sinal, corro, mas já atrasado; o peixe tinha
lhe dado tão grande esticão que a cana caiu ao lago
e eu vi, a
retirar-se no lago, depois de uns 10 minutos de sondar com uma
vara das mais compridas. Desisti e preparava-me para regressar
a casa, quando de repente o Pereira diz:
Tenho peixe e pesado!
Ao retirar a linha viu que havia outra linha, e que esta também
fazia força, puxou pela linha extra e recuperou a minha
cana, mas a linha continuava na água aos puxões,
Pereira já não se incomodou com o seu peixe que
se debatia, para como amigo me entregar á cana; estava
no anzol, era uma truta com pouco mais de uma libra, retirei-a
do anzol, cortei-lhe um pouco duma (fine) badana, e lanceia ao
lago, para se um dia alguém o pescasse, saber que mãos
humanas já a viram; era pequenina e merecia por tanto ter
lutado pela sobrevivência viver.
Neste
dia aprendi que não há duas sem três, aprendi
que a sorte só bate quando quiser, naquele dia poderia
ser desfeito, pelas hastes do animal selvagem, mas tive sorte.
Aprendi
que os verdadeiros amigos deixam tudo para que estão lutando
para valer ás coisas perdidas de amigos, que a sorte lhe
trouxe à mão.
Aprendi
também, nem sempre o que mais cedo madruga, para ser o
primeiro, obtém os melhores resultados.
(História real)
Por:
Armando C. Sousa