A cultura de um povo

 

A cultura de um povo é um tesouro inesgotável; da cultura sai um ensinamento que encanta novos e velhos; as regiões do País se entrelaçam para transmitir às suas raízes que estão crescendo a magia cultural onde nasceram.

Cultura é um encanto incompreensível. As mãos são modeladas para a arte, a boca torna as frases em rimas, estas em cantigas, formando lendas, enrendilhadas de risos e prazeres

Perpetuando-se através de gerações, as raízes da memória são colunas quase que se estende à infinidade do tempo, que a cultura não deixa quebrar.

Da cultura se pode identificar uma raça ou uma nação, nesta, se pode englobar a poesia ingênua mas com graça nas rimas, muitas vezes maliciosas, mas se enquadrando na beleza de sua composição, quer em prosa ou em verso.

As duas são pura arte de embaralhar as palavras que enchem todo um ser de ritmos de prazer, quantas vezes de loucura de viver nesse prazer.

Na cultura se engloba o drama de uma vida ou de um amor vivido que nos ensina a forma de compreender deixando nossa mente expressar a mais bela forma de compreensão.

Na literatura enriquecida encontra-se as mais belas formas de descrever-se a si mesmo transformando-se no meio mais seguro de transmitir a arte que a cultura engloba.

Mas o genuíno cultural é mesmo o que cresce com a pessoa, quando procura imitar seus progenitores desde o berço.

A literatura produz a palavra, propriamente baralhada e escrita, que acorda o sentido ao ser humano, amaciando quantas vezes o despertar de torrentes de raiva, dando ao homem a calma que o torna num ser belo e sensível.

Nesta maneira de descrever gostaria de ter um vocabulário maior. Mas sem a mania de ostentações; isto porque sou avesso aos esdrúxulos e agudos; gosto da língua clara e genuína da terra que me viu nascer, e onde eu iniciei a minha aprendizagem.

Ainda o que mais amaria seria que a gente de todos os cantinhos que falam a minha língua me podessem compreender, mesmo sabendo da grande diversidade de palavrasque querem dizer a mesma coisa.

Já li bastante, e o instrumento mais importante da literatura para mim, são a inspiração e a técnica de baralhar as palavras, mas que toda a gente alcance a magia da compreensão, deixando o sentimento pontuar as esdrúxulas ou agudas que possam faltar.

Sim amigo, da mesma maneira que escreve José Saramago e chegou ao prêmio Nobel e considerado um dos cem melhores escritores de todos os tempos, mesmo debaixo dos criticismo dos que se consideram peritos da literatura.

Hoje a nossa cultura está dividida em partes distintas que muito nos enriquece a maneira de a viver quando o nosso egoísmo dá liberdade aos gostos de viver uma vida, livre de preconceitos, e aceitar os gostos de cada um, mostrar o quanto valem.

Somos diversificados, e por tal poderemos degustar da gostosa espetada Madeirense ou passar uns momentos de alegria dançando o seu bate o pé, deixar nossa mão baralhar os dedos, tecendo suas belas rendas, cultura de riqueza ancestral.

Nos Açores, cada ilha tem o seu não sei que de magica na sua cultura, seja no trabalho do marfim da baleia, na maneira de sua cozinha, nas suas flores, nas suas danças da (chamarita), na música que lhe entra no coração desde meninos, no seu estilo de falar, enfim na sua maneira de ser gente do mar, que lhes incutiu fé no divino e infinito…

Toda esta gente procura dar supremacia ao que é seu, pena é que esta cultura rica, esteja dividida, Literatura, Cultura, Artesanato, cozinha, marchas e danças, vivida em conjunto com a língua seria maravilhosa.

Língua, com pequenas diferenças, somos a 5° mais falada no mundo, e com uma boa percentagem compreendendo o Inglês e o francês, mas estaremos nós à altura de misturar as nossas culturas?… vivendo-as como sendo genuínas dessa província, e não dum lugarejo?… porque não demos mérito ao que é justo, e deixarmo-nos de procurar diferenças, onde essas diferenças não existem.

Nasci no Minho, quase tocando o Douro, conheço as grandes romarias do Minho, Srª da Agonia em Viana, Santo Gualter em Guimarães, as Festas das Cruzes em Barcelos, Santa Marta, Penha ou Peneda ou S. Bento, existe cultura de oferecer e promessas...com fogo, romeiros ou danças, simplesmente folgazões estas gentes Minhotas e não só Minhotas, dançavam pelo caminho.

Seus viras, são sempre Minhotos, seus Malhões são sempre malhões; as chulas e as rusgas marcam cada uma seu compasso, o artesanato cultura do linho, quer de Fafe ou Monção era e continua sendo Minhoto, a escultura de jugos ou cangas para bois estava espalhada, nas mais diversificadas partes do País, as mãos que faziam caras de santos feitos de pau ou gesso estavam na oficina de S. José em Braga. Trabalho feito em caulino vinham de Barcelos; assim como seu galos pintados, que fazem recordar uma lenda, onde a verdade de justiça não dá lugar a duvidas.

Rendas de bilros a que quem as tecia davam por nome de rendilheiras, eram e são mais conhecidas em Vila do Conde.

As gaitas de foles e danças com paus era e continua sendo marca de Trás-os-Montes

Claro que gosto de apreciar a cultura de outras Províncias, que se diferenciam em grande parte nos cantares, como os Alentejanos, onde tornavam a dureza do calor ardente das ceifas, em poesia e fado e aquelas baladas de encantar mouras que apenas vivem nas lendas do povo.

As touradas e pegas aos touros dos Ribatejanos, ou ainda a tourada à corda dos Ilhéus, tudo isto é bonito, tudo isto é cultura, mas não compreendi ainda onde os Minhotos vão encontrar as diferenças para se diferenciar e dividir.

Sei que não cai o céu por causa da diferença, e adoro-os quando estou presente nas suas festas, mas sentiria-me muito mais feliz ver uma só família de Ilhéus, de Beirões, ou de Minhotos, que demostra-se nossa verdadeira cultura, artesanato ou literatura sem deixarem confusões ou duvidas.

Por: Armando C. Sousa

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