Transformação
Alcino,
apurando os ouvidos, parecia ouvir os seus colegas pastores
boiando: os sons pareciam vir do penedo do forno.
Era
par lá que se encaminhavam as cabritas, ovelhas, e o
Joli; depressa o penedo do forno estava à vista . Os
pastores saltando de alegria, traziam consigo duas pedras lascas,
pedras estas destinadas ao Alcino jogar a malha com eles.
Alcino
pegando nas pedras lascas disse: "só jogarei duas
partidas," quero ir cedo par casa.
Hoje
vou dar o penso do lameiro grande aos animais; preciso aprender
a ler e escrever.
Ora
o que Alcino queria, era saber, se a senhora que diziam ser
fada, sua madrinha, se realmente lhe tinha dado o saber como
lhes disse.
Alcino
estava ansioso de pegar nos livros, que pertenciam ao Sr. Conde
senhor de Margarida, e ver se compreendia toda aquela gama de
riscos e sarrabiscos.
Qual
surpresa o esperava. Alcino entrou no quinteiro, recolheu os
animas, dando-lhes uma ração extra, e , sorrateiramente
entrou na alcova da biblioteca do conde de Margarida, seu tio:
pegando numa carta de selo quebrado, que estava sobre a escrivaninha
, abriu-a, e pode compreender o que dizia, ou estaria louco!
Louco
não, talvez sonhando!... pegando no livro que dizia registos,
viu que o último nome dizia, Alcino de Sousa e Margarida.
Pai
- Diôgo Teotonio de Margarida
Mãe
- Isabel Arriaga de Sousa
Filho
- primeiro Morgado, do seguido filho do Condado de Margarida.
Alcino correu e entrou na cozinha onde se encontrava sua Mãe
cantarolando entretida fazendo bolachinhas de mel e farinha
de aveia. O bater dos socos de Alcino, veio arrancar Isabel
aos seus cantos de sonho, fazendo-a tremer em sobressalto, não
lhes saia do pensamento os acontecimentos do dia anterior; num
gesto rápido, agarrou no espeto de remover as brasas
do lume, virando-se empunhando-o como um florete.
Alcino gritou:
Mãe, mãe, sou eu! Alcino deitando as mão
sobre o pescoço de Isabel disse: Mãe diz-me se
estou sonhando, ou se é verdade que sei ler este livro?.
Começando lendo o seu registo de nascimento de seu pai,
de seu tio, de seu avô, enfim, donde vinha o nome do condado
de Margarida, e de todos os seus antepassados. Isabel abraçava
Alcino e saltava de contente, perguntando ao mesmo tempo: Onde
aprendeste tu a ler Alcino?
Ontém
a chegada de tu pai...Hoje tu a saberes ler... vou enlouquecer
de alegria; impossível, dando uma forte sapatada no própria
cara, disse, acorda Isabel, tu estas sonhando, pegando mesmo
num caneco de água fria, atirou-o sobre os seus olhos,
dizendo: Mas meu Deus eu vejo o lume, o sol, estou vendo meu
filho.
Não,
não estou louca, sou eu mesma, esta é a minha
vida predestinada.
Sigo
ao sabor das ondas de um deus que me mete louca de alegria;
ai se teu pai estivesse aqui, seria o memento mais feliz par
nós dois.
Diôgo
vem, diz-me que é verdade.... Alcino batia no ombro de
sua mãe perguntando: Mãe, mãe, o pai não
esta?... tanto queria falar com ele, contar-lhe todos os segredos,
irei dizer-vos que estou fazendo parte d uma máquina
da vida que é estranha a mim mesmo, mas que eu acredito,
que será uma realidade. Isto é. Tendo a ti mãe,
e com o pai a meu lado.
E
agora, diz-me, para onde foi o pai?... Isabel sentando Alcino
nos joelhos cobriu-o de beijos e disse-lhe: Tu ias-me matando
de medo, quando me falaste que estivestes brincando com teu
pai na ilha do degredo, hoje vejo que somos pessoas que pertencem
a lógica de um Deus que em sonhos nos leva ver o impossível,
o que eu vejo em ti, no teu saber, um bem para o mundo; como
a mostarda se pode propagar por uma só semente, nós
poderemos ser essa semente.
Alcino
para responder à tua pergunta... tenho de me acalmar
primeiro, para evitar conseqüências, olha segundo
o que teu pai me disse ; ele iria ao esconderijo dos piratas
buscar o princípio da transformação do
condado, será o mais moderno.
Quem
sabe, talvez o mais bonito do Pais... De momento o silêncio
foi quebrado pelo trotar de cavalos e o rodar de carroças
na estrada calcetada que diziam ser o caminho de São
Tiago. Isabel estremeceu, mil e um pensamentos se cruzaram e,
por momentos, o medo se apoderou do seu ser, mas, depressa se
dissiparam ao ver Diôgo galopando um belo cavalo, seguido
por uma dezena de cavaleiros e duas grandes carroças
puxadas por duas parelhas de cavalos, cujas carroças
vinham carregadas de comestíveis e de outros haveres.
Antes
de entrar no quinteiro do condado, Diôgo mandou que se
instalassem no terreno dos daninhos e ali armassem suas tendas,
Entrou
no condado para vir abraçar Isabel e Alcino, também
matando a sede do ardor e poeira do caminho.
Isabel
beijando Diôgo disse-lhe: Grande surpresa. Nosso filho
sabe ler, e nunca teve escola! Logo Alcino diz: Vou vos contar
tudo se me prometeres que não me chamareis louco.
Sentando-se
entre seu pai e mãe contou todas as peripécias
que todos vós conheceis, deixando os seus pais atônitos
e de boca aberta. Alcino, respondeu seu pai; eu acredito, porque
eu vi muitas mãos com asas lutando a meu lado para defender
a nossa honra da maldade do feitor, do capitão da guarda,
e dos soldados
Fiquei
surpreendido com o desconhecido e desconhecida que se ofereceram
par tomar conta da prisão da Torre, dizendo embora prisioneiros
que seriam tratados com dignidade ate que fosse instaurado o
processo de conduta, o que eu irei pedir ao Senhor de Vermoim:
isto porque não quero minhas mãos sujas com justiça.
Irei
por as minhas forças organizando a transformação
de ouro em estruturas, o trabalho em saúde, os lamentos
em cantigas, de pragas em graças, de animas em amigos
da humanidade; as espadas em ferramentas de construção,
procurando uma vida em comum cheia de alegrias.
Tudo
se tornará em prosperidade, para todos que se queiram
enquadrar.
Os
que se encontram no maninho agora acampados, serão o
principio da nossa Aldeia, da nossa Vila, da nossa Cidade.
Talvez
num Pais onde a igualdade será irmã da justiça.
Alcino sorria ouvindo seu pai, e disse: Pai, parece que queres
o mesmo caminho que minha madrinha me traçou.
Se
é isso que tu queres, eu te poderei mostrar a maqueta
que fiz. para o condado; essa maqueta está perto do penedo
lasco, perto do penedo do forno.
O
casal que se ofereceu para tomar conta da prisão eram
fadas transformadas vindas do pendo da fraga onde se encontrava
as pocinhas das lágrimas.
Diôgo
sabia que era preciso confiar, para que tivessem confiança,
então Diôgo disse a Alcino, o sol ainda vai a meio,
poderei examinar o teu projeto, porque acredito em ti e tuas
fadas.
Essas
tuas fadas também tem sido minhas.
De
manhã cedo seguirei para Vermoim; toda a ajuda será
necessária.
Conversando
e chutando bugalhos foram-se aproximando do penedo lasco coberto
com musgo verde nas saliências, e pachos de musgo branco,
com algumas flores silvestres.
Aqui
e ali, umas pedras espalhadas, mas exposta de maneira estranha;
estas pedras, só a mente de quem as colocou poderia explicar
o mistério.
Diôgo
pondo uma mão sobre os ombros de Alcino disse, nada compreendo.
Meu
pai, isto que vês é o principio, justo acabou de
sair do nada; está aqui dentro do sem fim da cabeça,
o pensamento; confia , dá-me tempo e verás todo
o projeto; mas para hoje irei dar-te uma pequena idéia
da minha idéia.
Este
musgo verde, para alem do branco, serão jardins. Esta
pedra ao lado, representa o hospital, o musgo verde para lá
da pedra, serão espaços de passeio, aquele musgo
branco naquela cova representa campos de jogos olímpicos,
aquele (fiinho) de água representa o rio dos escalos,
do outro lado do hospital aquela grande pedra será a
catedral do condado aberta a todos os credos, aquela, naquele
(altinho) representa a torre de abastecimento, estas, aqui,
serão as moradias, as pedras que vês além,
representam lugares de trabalho e de negócios: enfim
Pai amanha poderei dar-te mais pormenores da minha maqueta ao
chegares do Condado de Vermoim".
Capitulo
IX da pocinhas das lagrimas terá o nome de Aldibel da
Fraga
Conto
inédito de Armando Sousa