Regresso
ao Lar
Alcino tirou a flauta do bornal começando a tocar a ária
de todas as tardes como dizendo adeus aos outros pastores das
redondezas e logo Joli começou a fazer meios círculos
á volta dos animais encaminhando-os carreiro abaixo.
Alcino
enxugava as lagrimas com as mãozitas sujas da poeira
e do cajado de marmeleiro: lagrimas de alegria e de dor; de
alegria porque acreditava na volta de seu pai: de dor porque
viu em sonho seu Tio estatelado na lama e sem acordo e que apesar
da sua avareza e maldade era irmão de seu Pai: Alcino
acreditava que uma ovelha perdida pode voltar se não
for devorada pelos Lobos.
Filho
de uma grande mulher que tinha sabido resistir a todas as investidas
e maus tratos por amor ao homem que deus lhe pôs no seu
caminho, com a coragem recebida pelos sonhos que a cobrinha
de olhos azuis lhe incutiu: entrou no Quinteiro dissimulando
tudo que lhe ia na grande alma incutida no corpo de uma criança.
A
mãe abraçou Alcino demoradamente, as lagrimas
rolavam indo cair nos cabelos de seu filho que tinha tirado
o seu capucho com respeito por sua mãe que tanto adorava.
Sim Isabel pensava nas palavras de Alcino que lhe tinha falado
de ter visto seu pai em sonho e que esse amor voltaria um dia
não distante.
("vamos
deixar Alcino e Isabel encurralando os animais e vamos dar uma
olhadela na ilha do degredo") Ali o filho do capitão
corsário abria os olhos, a febre descia, a pulsação
antes tão acelerada, normalizava: se a palavra do capitão
pirata for cumprida.
Diôgo
de Margarida voltara ao País, aos braços de Isabel
e poderá dar educação a Alcino fazendo
do Condado de Margarida uma verdadeira aldeia com Escolas campos
de jogos Igrejas doutores e hospitais: a lei será igual
para todos: nunca mais as torres sombrias e úmidas do
palácio acastelado voltaram a ser lugar de lamurias de
inocentes: todo isto corria na mente de Diôgo nesse momento.
Alma nobre essa de Diôgo!…
Depois
que o filho do capitão corsário começou
a normalizar Diôgo deu-lhe umas papas de papaia com umas
folhas que só eram dele conhecidas: o rapas levantou-se
dizendo ao Pai, estou bem poderemos continuar a caçada.
O
Pai levantou-se falando papa todos homens do navio. Promessas
sobre o leito de um moribundo devem ser cumpridas: nós
alem de ser piratas também temos as nossas promessas
para cumprir.
Virando-se
para o timoneiro, ordenou rumo ao País mais ocidental
da Europa, dali ruma norte ao esconderijo da Moura perto de
Mindêlo.
Com
um mar calmo mas de vento a favor galgavam as águas:
neste meio tempo Diôgo contava ao capitão sua desventuras
e seus projetos.
A
resposta do Capitão fez-se ouvir por todo o convés,
no esconderijo da moura nós te deixaremos moedas de ouro,
jóias e diamantes, coisas que nós extorquimos
a vilões como teu irmão.
Esses
vilões tinham roubado as gentes humildes que os serviam:
porque afinal deus criou tanta beleza, por vezes escondida nas
montanhas ou nas águas correntes dos rios, dando o saber
aos homens para as encontrar e as trabalhar.
Mas
essas riquezas devem pertencer a toda a humanidade.
Aos
presentes e vindouros: tu irás fazer a tua parte para
que os avarentos não usem essas riquezas para aumentar
o poder e tirania. "já estavam perto do Mindêlo
na bacia do esconderijo da Moura;----" deixamo-los por
um pouco de tempo e vamos ver o que se passa com Isabel e seu
único filho Alcino.
Isabel
depois de ter deitado um pouco de palha na corte dos porcos
para amaciar o ninho da ninhada de oito lindos bacorinhos, pegou
nas agulhas e na lã. que tinha fiado nos dias anteriores
e de suas mãos o tricote crescia, crescia, mas via-se
pela sua fisionomia que seu pensamento vagueava por paragens
bem distantes.
Alcino
tinha adormecido ao canto da lareira, talvez embalado pelos
lindos sonhos que a deusa do penedo da fraga vinha pousando
no seu pensamento de criança.
A
noite já ia alta, e a lua envergonhada por vezes espreitava
por entre nuvens que vinham correndo do lado do mar, as estrelas
visíveis eram poucas e nem as aves noturnas se ouviam
piar, apenas uma ou duas arrás no quinteiro se ouviam
quebrando o silencio. Três pancadas soaram secas e sinistras
na porta do escadaria do solar.
Alcino
acordou em sobe salto tremendo, Isabel atirando o tricote para
cima da mesa, pegou no espeto de mexer as brasas que ainda ardiam
na lareira, encaminhou-se para a porta perguntando em voz firme….
Quem
esta aí!… de for a uma voz bruta mas conhecida
respondeu; é o Sr. Feitor, abra a porta…. Não
a esta hora, eu não lhe quero nada; se o Senhor precisar
de alguma coisa venha amanhã depois das oito.
No
meio da noite os olhos daquele homem chisparam de fúria,
e respondeu com voz aos gritos, ainda esta noite terás
de sair do palácio.
O
Conde esta moribundo; serei eu o senhor em comando do palácio:
tu Isabel só poderás ficar no palácio se
aceitares ser minha concubina.
Isabel
ficou furiosa, repentinamente abre a porta e o espeto já
vai no ar para castigar a que homem detestável e insolente;
mas uma mão firme deteve Isabel, e uma voz que lhe fez
estremecer o coração fez-se ouvir:
Isabel,
ninguém, mesmo ninguém, tem o direito de fazer
justiças pelas próprias mãos, deixa que
eu me encarregue de fazer justiças pela ordem que todos
teremos de respeitar.
O
Feitor já tinha desaparecido no escuridão da noite
com os olhos em chispas de ódio, jurando vingança.
Isabel caiu nos braços do homem desconhecido que acabara
de a deter de ensangüentar as suas mãos para defendendo
a honra e honestidade de esposa e mãe.
Dizendo,
és tu Diôgo, eu adivinho que és tu meu grande
amor, eu sinto a ternura de teus braços e o calor de
teu corpo, sinto-me enlouquecer de felicidade.
Era
realmente Diôgo.
Que
montando o cavalo fornecido pelos corsários, galopou
chegando no momento exato ao palácio de Margarida.
Momentos
de sonhos para Isabel e Diôgo: 'Alcino falando com seus
botões dizia!…
Portanto
é verdade o segredo do penedo da fraga!… agarrado
ás pernas de seu pai entraram para a cozinha do palácio….
Isabel
com voz terna disse: Alcino vai te deitar que eu vou preparar
água para o banho de teu pai, mas o rapaz não
deixava de abraçar o homem com quem tanto tinha brincado
em sonho na ilha do degredo.
Meus
amigos, vamos deixar esta família beber da taça
da felicidade por algumas horas e seguiremos as pegadas do Feitor,
que nesse momento estava convencendo o capitão da guarda
Real, par que este fizesse um despejo ao palácio em nome
do Conde de Margarida.
Não
sabendo que aquele que deteve a mão que o salvou de uma
valente estucada era o irmão do onde: Diôgo marido
de Isabel.
As
fadas do penedo da fraga estavam vigilantes: fizeram adormecer
Alcino; deixando para Diôgo e Isabel uma noite que só
tu meu amigo e minha amiga podereis imaginar.
O
espírito de Alcino vôou nas asas das fadas do penedo
até ao Condado de Vermoim; ali, se deteve fazendo vigília
a seu tio, que estava rodeado de alguns doutores vindos de ‘Bracara
Augusta’ que depois de se consultarem diziam: ele vai
viver, mas terá muito a sofrer.
A
seguir:
Mãos de Fadas