Aldibel
da Fraga
Diôgo
e Alcino regressaram ao solar do Condado. Isabel com um braçado
de flores distribuía-as por quatro jovens senhoras, estas
muito risonhas e encantadas com a graça, franqueza, e
mais ainda, a beleza de Isabel.
Então
Isabel dizia, quando tudo estiver organizado, a vila de Aldibel
da fraga estiver construída; haveremos de nos divertir
e viver uma vida mais alegre; até esse dia, teremos de
trabalhar em conjunto, tornando-nos numa comunidade de entre
ajuda.
Desde
hoje vos digo, que venceremos apesar de muitos trabalhos e sacrifícios
que teremos de enfrentar.
Todos
que vierem por bem, serão recebidos de braços
abertos, esses terão lugar no coração de
todos nós, e em Aldibel da Fraga.
Alcino
viu ainda umas mãos, entre umas asas que batiam palmas
às palavras de Isabel.
Diôgo
ouvindo as ultimas palavras de Isabel, foi lhes dar um grande
abraço, pela sua visão de comunidade, traços
gerais e até o nome que Isabel dizia o encantava, achava-o
engraçado.
Diôgo
disse a Isabel que voltaria em uma hora; precisava falar a todos
que o seguiam desde o Mindelo.
Homens
e mulheres com bons hábitos de trabalho; mas que tantas
vezes sofriam privações, quando o mar se recusava
a dar alimentos, dias as fio.
Homens
e mulheres tinham preparado as suas tendas, esperando ordens
de Diôgo.
Este
aproximando-se do grupo disse; eu não darei ordens, mas
obedecerei apenas à inspiração do bem estar
de todos os membros desta comunidade, que virá a ser
vila, cidade e talvez País.
Cada
membro recebe hoje 10 libras em ouro para principio de vida:
comprar ferramentas para trabalhar os campos, transformando-os
em espigas de ouro.
Trabalhando
a pedra, tornando-a em diamantes, tornando as águas do
rio, no braço direito dos homens; mas as águas
devem conservarem-se puras e límpidas.
Espero
para onde fores espalhareis editais convidando os gentios a
se juntarem a nós.
Aqueles
que querem viver em paz, do seu trabalho, e do produto de seu
trabalho são bem vindos .não haverá acumulações
de riquezas; mas alegria, essa sim se deverá espalhar
a todo o universo.
Quando
isto acontecer estaremos vivendo num país terrestre onde
haverá dor e morte, porque somos mortais; mas sem nos
esquecer que só à natureza deveremos a nossa existência,
essa não precisa de dinheiro para viver, ela, só
ela, guardará todas as fortunas, pois é ela que
Rege.
Haverão
sempre os que criarão imagens, chamando lhe deuses para
viverem dessas falsas imagens; criando na mente dos fracos medos,
dizendo-lhe que os diabos estarão escondidos nas trevas
da noite.
A
natureza se encarregará de governar a seu belo prazer,
reparai nos temporais dilúvios ventos e neves.
Se
acredito num ser onipotente?... sim acredito, mas que esse ser
entregou todo o poder à natureza, e só ela se
encarregará
de
governar conforme as necessidades do universo.
O
deus que os homens escolheram, é o deus dos ódios,
das guerras, das invejas, do ciúme e da destruição
do planeta.
Amigos
agora que conheceis o meu ideal, vamos à construção
de Aldibel da Fraga. Não esqueceis da historia da folha
amarelecida do outono, morre e cai ao pé da arvore alimentando
o ciclo da natureza....
Desculpai-me,
ia-me esquecendo que estava contando uma historia, sem querer
embaralhei-me com uma filosofia que nunca saberei dar resposta.
Caso
é, que todos ofereceram de fazer o melhor que sabiam
fazer, amando o próximo como a si mesmo...
Diôgo
veio para o solar de rosto alegre, Isabel estava-o esperando
para a refeição da noite; meigamente deitando
o seu braço sobre o ombro de Isabel, perguntou; onde
foste tu buscar o nome de Aldibel da Fraga, para o nome de nossa
aldeia!...
Bom,
respondeu Isabel: o nome veio de Alcino, de teu nome Diôgo,
e do meu, o da fraga é natural, dela tem saído
jorros de felicidade e esperança dela nascer um mundo
melhor.
De
braço traçado encaminharam-se para a alcova onde
se encontrava a biblioteca de seu irmão Rafael, Conde
de Margarida.
O
que ali viram debaixo das mãos de Alcino, deixou-os pasmados;
tão pouco tempo e. enfrente de seus olhos o desenho de
uma Cidade simplesmente de sonho.
Maravilhas
atrás de maravilhas, as mãos prodigiosas de Alcino,
transmitiam ao papel uma visão extraordinária
do futuro de Aldibel da Fraga.
Foi
assim que me veio à mente um homem de visão de
condor 'Marquês de Pombal'
Mas
estou eu entrando em assuntos que nada tem com a história
da cobrinha dos olhos azuis....vem cobrinha vem, iluminar-me.
Depois
da ceia, Diôgo pegou no livro de registros que Alcino
tinha lido a sua mãe, dizendo; eu seguirei à risca
o que meus antepassados escreveram; até que novas leis
sejam postas em vigor pelos maiores pensadores eleitos pelo
povo.
Levarei
este documento comigo para confirmar. O Sr. De Vermoim é
a autoridade mais chegada a este Condado do Sr. Meu Irmão;
da minha parte tudo farei para que a dor e desventura seja minorada;
o meu coração continuará puro e nunca se
manchará com inveja ou vingança, esquecimento
ou desprezo.
Isabel
vamos procurar secar-lhe as lágrimas de arrependimento,
dizendo-lhe que ele também foi e é instrumento
que faz parte deste projeto da Aldeia de Aldibel da Fraga.
As
noites passadas entre Isabel e Diôgo eram daquelas que
nós dizemos das mil e uma noite....um prazer, um amor
louco.
A
manhã chegou, Isabel deslaçousse de dos braços
de Diôgo; foi pé ante pé ver Alcino como
dormia...talvez sonhando com sua fada madrinha que lhes deixara
cair em seu pensamento sem fim; saber esse que só o Onipotente
o poderá superar, e a natureza destruir, isto porque
a natureza tudo cria; mesmo as coisas impossíveis e bizarras.
Ela
mesma tudo destruiu, por vezes com maneiras bem dolorosas ,
como seja dilúvios, ventos ciclônicos, fogos terramotos,
com o próprio gelo blocando a vida; com doenças
como a evóla ou a sida.
À
natureza basta juntas as químicas do pólem das
árvores, tornando-os em mortíferas doenças.
Guerras e pestes originadas pela guerra, tem como origem a ambição
e saber, o Deus que é mais Deus; estão na origem
a ganância, superioridade de riqueza e superstição.
Era
nisto que Alcino estava sonhando.
Dizia
à sua madrinha; meus colegas de pastorícia vão
deixar de ser meus amigos ao saber a diferença que os
iria dividir.
Então
sua madrinha dizia, pega na tua flauta, chama por teus colegas,
Aldibel da Fraga precisa de todas as intelegencias, uma só
que extravie, a aldeia fica mais pobre. Chama-os e eu deixarei
cair em sua mente o direito de saber, será preciso Doutores,
professores arquitetos, matemáticos e inventores, isto
dando-te só o nome de alguns, mas todos fazem falta,
não haverá superiores ou inferiores, vivendo em
igualdade, vivereis em paz e amor.
Alcino
acordou com ar risonho. Já seu pai tinha partido para
o Condado de Vermoim. Já em Vermoim Diôgo foi recebido
pelo Conde, que o reconheceu pela cara de seu irmão Rafael
Conde de Margarida.
Em
todo o caso, Diôgo mostro-lhe o livro de registos da casa
de Margarida, onde estavam inscritos os deveres que impunha
aos seu representantes, mas dizendo nada pretendo de meu irmão;
mas sim do Senhor Conde e condados vizinhos. Espero de me dar
autorização para construir uma vila que se chamará
Aldibel.
Diôgo
estás com sorte, respondeu o conde; hoje vamos ter aqui
uma reunião de província, para resolver alguns
casos, entre eles o de teu irmão, temos de resolver como
tratar o seu caso de paralisia e quem verdadeiramente se ocupa
de Rafael....
Pocinha
de lagrimas terá seu desfeixo com o capitulo X (progresso
e fim)
Conto
original de Armando Sousa