As
Fadas e o Conde
Depois
que a cobra comeu a sopa de pão fresco com leite da malhadinha
ficou ainda maior e por entre giestas e carqueja foi rastejando
dizendo ainda, todos os teus sonhos virão sendo realidade
e desapareceu.
Da flauta feita de bambu, amiga inseparável do pastor
saiam melodias lindíssimas que até as cabras pareciam
dançar as suas danças encabradas de perícia
pondo as quatro patas num pequeno espaço e do penedo
fazendo-se tornar como uma ventoinha.
Alcino
pousou a flauta e começou boiando.
Bem
bem ó camarada; bem bem p'ra brincadeira, anda jogar
ao eixo ou então joga a barreira; e o boiar do pastor
continuou até que chegaram alguns dos colegas .
Passaram
o resto do dia bem alegre sem que o Alcino disse-se uma só
palavra de seus sonhos ou da cobrinha dos olhos azuis.
A noite aproximava-se, os animais pareciam estar fartos e já
se encaminhavam serra a baixo quando Alcino lançou um
ultimo olhar para o sitio onde tinha desaprazido a cobrinha,
falando com seus botões.
Disse
não te esqueças de mim e de meus sonhos que me
enchem de felicidade e a realidade será o coroar desta
grande alegria que me invade todo o meu ser, até á
manhã cobrinha.
Alcino
nada disse á mãe, não porque duvida-se,
mas para não afligir aquela que ele tanto adorava, pois
já a teria feito sofre com seu sonho, e não queria
que a mãe pensa-se que ele estaria a perder o juízo
.
Alcino
pediu a sua mãe que queria pela manhã um pedaço
de pão fresco, dizendo o caseiro de cima vai coser esta
noite mas não tem pão para a ceia e seria bom
que tu lhe desses um pouco em troca do pão que te pode
dar pela manhã.
Depois
de tudo preparado Alcino dormiu no quarto da mãe, e logo
começou a dormir veio a cobrinha com suas fadas pegando
no Alcino e levaram-no até Vermoim ver o que se passava
com o brutamontes de seu tio.
As fadas tornadas em borboletas e pirilampos, depressa chegaram
umas ao solar do condado de Vermoim outras casas dos caseiros
e da aldeia, onde todas as moças da aldeia tinham uma
ordem de ir servir nos desejos e caprichos os Senhores da caçada,
ficarem para o baile e dormir no palácio se os senhores
o desejar.
Muitas das raparigas choravam sabendo da sorte que as esperava;
as fadas chegaram e tranqüilizaram as preocupações
das moças, dizendo nós somos as fadas do penedo
da fraga que guarda o segredo da fonte da Moura, e iremos ao
palácio em vosso lugar; mas é preciso que acreditais
em nós, vos deiteis dormindo como nunca tivesses recebido
o aviso de vos apresentares no palácio com vossos melhores
vestidos.
As
fadas tornaram-se em carne e osso com todas as semelhanças
das moças da vizinhança, ali foram servir os grandes
Senhores para lhes darem uma lição inesquecível.
O jantar tinha sido confeccionado pelos melhores cozinheiros
do reino, mas as fadas estavam dispostas a uma noite de zombetearia
, e conforme preparavam as travessas elas polvilhavam-nas com
a pimenta mais picante que havia no reino, o sal era á
descarga o vinho tornaram-no avinagrado, as fadas serviram e
esconderam-se para ver a cara dos caçadores, ora á
primeira grafada começaram a vomitar e pegaram nos copos
do vinagre esperando refrescar o ardor da pimenta que lhes queimava
a garganta, mas ao sabor do vinagre levantaram-se querendo espatifar
o Senhor de Vermoim.
A musica começou a tocar e as fadas vestidas com roupa
transparente de mil e uma cores, deixando transparecer um corpo
cheio de beleza mas imaginário, um corpo belo que não
existia porque eram fadas. Os convidados do Sr. de Vermoim ficaram
vesgos com tanta beleza e até a fome tinha desaparecido
ao ver aqueles corpos mover as campainhas da barriga e os braços
em gestos graciosos de afago.
O Conde de margarida foi para agarrar uma das fadas para a beijar
mas ela desapareceu como o fumo deixando-o paralisado no meio
do salão perante as gargalhadas dos presentes; fazendo
mais outra tentativa a fada fez o Conde( surrupiar) como um
pião por tanto tempo que ele ficou quase abafando; os
outros não tiveram melhor sorte; sem se aperceber o que
se passava elas arranjaram a maneira de os deixar todos a dormir
no chão duro do salão.
Ao
outro dia de manhã cedo, estava combinado de serem acordados
pelos criados para outra caçada; e assim aconteceu.
Os
cavalos estavam arreados, e os clarins do palácio soaram
a alvorada, os convivas da caçada a cambalear cansados
e com fome viram que tinham dormido no chão, foram á
fonte das sete caras e trezentos e sessenta e cinco chafarizes
refrescar a cara e a memória.
Entretanto
as fadas não dormiram preparando as armadilhas de ensino
aos insolentes Sr.es do reino; cilhas meias cortadas aos cavalos,
cordas nos sítios de passagem obrigatória dos
caçadores, por onde a caça seguia para seu esconderijos
preferidos.
Enfim
a trama estava feita para uma grande lição a alguns
Senhores do reino que mantinham os seus trabalhadores e rendeiros
na ignorância; sem escolas, sem hospitais nem sala comum
onde todos pode-sem confraternizar e tomar novos conhecimentos,
ou mesmo usar as suas armónicas de foles e suas pandeiretas
e castanhetas .
As
fadas antes da alvorada já tinham regressado ao penedo
da fraga e depositado o ispirito de Alcino na cama junto de
sua mãe.
Alcino
acordou quando a vós doce de sua mãe o chamava,
mas acordou de sorriso nos lábios. A mãe quis
saber da boa disposição do rapas, mas ele apenas
respondeu. Mãe não te esqueças do pão
fresco que ontem te pedi.
Prepara-te
que eu irei ver se já está cosido. Se não
estiver esperaremos que se cosa Alcino.
O
conde não está cá, são mais cinco
menos cinco. Alcino eu também tenho sonhado com teu pai,
ele era tão bom para toda a gente, só queria o
bem estar e saber para todos, gostava de ver a aldeia contente.
Dizendo
quando os campos de jogos estiverem cheios de pais e filhos
e filhas também, as enxadas luzidias as prisões
vazias e os sinos tocando ave Marias. O País vive de
amores e alegrias.
A
seguir: Segunda sopa