| Ao
sabor dos tempos
Depois
do principio da última metade do século XX o avanço
tecnológico, começou a dar as primeiras passadinhas,
e com a entrada deste Milênio, todas as relações
da vida mundial são encaminhadas electronicamente em tempo
real; mas não só, tem chegado até nós
uma revolução enorme e profunda no que diz respeito
ao amor.
Todo
aquele que procura uma relação amorosa que se enquadre
com os tempos modernos, na qual possa existir individualismo, respeito
mútuo, alegria e prazer de viverem juntos; estas relações
não são mais relações de responsabilidade
pelo seu bem estar, ou pelo bem estar um do outro, mas apenas devemos
actuar como antídoto da tristeza, isto é, devemos
ser companheiros e o remédio para que sejamos felizes, e
darmos a felicidade ao companheiro, cuja esta nasceu com o romantismo,
mas que tende a desaparecer neste inicio de século.
O
romantismo, que é parte da nossa procura, tem uma minúscula
parte de sorte em encontrar sua alma gémea para que nossos
sentimentos se completem.
Este
processo desesperado de atingir o amor à força, os
tempos diz-nos que tem atingido muito a mulher, mas a mulher hoje
tem-se desvencilhado de tradições e medos para caminhar
a par dos direitos do homem nos países que a democracia é
mais palavra de ordem, isto porque verdadeira democracia nunca poderá
existir.
A
raiz vem, onde os dois sexos têm de fazer o que o outro não
sabe ou não pode fazer.
Ora
neste caso o homem não pode ter filhos, e é essa a
pequena diferença, mas sabe cozinhar, sabe lavar, sabe ir
ao café e a esposa também é um ser, sabe dançar
e divertir-se a esposa também precisa de divertimento, gosta
de sexo; bom neste caso a esposa gosta mais que ele, pois sabe que
tem de sofrer para ter o próximo filho e o quer fazer, sem
protecção…
Bom
é aí que a 'porca tem torcido o rabo' devido ao perigo
que a pouca honestidade traz, convertendo em tantos milhões
os portadores da doença da SIDA.
É
aqui que precisamos reconhecer a palavra do século parceiro,
assim aqui estamos a trocar o amor romântico, pelo amor de
desejo, precisamos da companhia, mas o sexo se pode comprar ou vender,
é isso que vem acontecendo, enganando-nos completamente,
encaminhando o planeta para um desaparecimento catastrófico
da saúde que acompanhava os nossos anos de ouro da vida.
Sabemos
que com o avanço tecnológico podemos passar mais tempo
sozinhos, e conviver mais na virtualidade, depois um encontro furtivo
onde não parece mal a protecção, onde existe
o sexo do desejo, mas fracassa o sexo feito pelo amor.
Os
jovens de hoje quantas vezes fazem sexo por vingança, querem
vingar-se de seus parentes, ou da rejeição a que tem
sido sujeitados, nos momentos de integração.
Quantas vezes são apenas companheiros de viagem, que resolveram
ter uma noite de prazer, e que se torna numa vida de sofrer por
falta de protecção.
O
homem entrou numa fase que precisa de adaptação ao
mundo que fabricou, este mundo que vem sido reciclado para que a
mulher tenha o lugar que merece como ser humano.
Estamos
mesmo entrando no tempo da individualidade; isto não é
a mesma coisa, que o egoísmo; o egoísta é um
chupista que se mantém do sangue dos outros, quer financeiramente,
ou moralmente; e quantas vezes esse chupista é um religioso
que vive do lavar a mente de inocentes, levando a humanidade a guerras
mortíferas e sofrimentos atrozes.
Bom,
o que quero falar é na nova forma de amar, esta nova forma
visa a dois seres completos que se aproximam, para se completar
como são, e não como duas metades, esta forma só
será possível obter-se, quando os dois inteiros, trabalhar
para se completarem, e tenham competência para viverem sozinhos,
quanto melhor preparados estão melhor as relações
de amor se pode prolongar e obter uma família sã e
unida.
Neste
mundo onde vivemos com tantas doenças venerais e da SIDA
devemos estar preparados para entrar apenas numa relação
honesta e efectiva.
Ficar
sozinho não é vergonha, mas completar-se com outro
ser, e obter boas relações, e doar-se de alma e coração,
é ter dignidade, e muito mais gostoso.
É
mostrar a parte humana dum mundo que devemos preparar para que a
paz dei-a a garantia da sobrevivência, desta raça animal
donde devemos sair, onde a mulher e o homem tenham apenas a diferença
de sexo.
Se
cada um de nós, fossemos obrigados a ficar sozinhos por uns
tempos, longe de ser humanos e das pessoas que amamos, encontrar
apenas a solidão, teria assim conhecimento que a paz de espirito
só a encontramos rodeados de seres humanos, com liberdade
de voz e de pensamento.
Neste
caso procurávamos formar equipes para vivermos em respeito,
amor, lealdade e igualdade.
Nesta
forma de ligação, devemos procurar o aconchego, o
prazer dum abraço, e cada um completar o que o outro não
pode fazer; claro que nem sempre chega perdoar; quantas vezes teremos
de perdoar a nós mesmos.
Quantas
vezes me detenho, por momentos de escrever, e pergunto a mim mesmo
se o que escrevi faz sentido; logo me vem a resposta.
Olha
Armando 43 anos de vida de união conjugal, atravessando continentes,
esbarrando-te com diferentes línguas e raças, criando
e educando uma grande família, ajudado a criar netos, tens
a grande satisfação e alegria de ver toda a família
juntar-se em festas de aniversários e feriados comemorativos,
todos os familiares são 23; creio que não é
obra do acaso, mas que o seja, a vida tem-se encarrilhado nestas
linhas que acabo de escrever.
Caminhando
ao sabor dos tempos.
Por: Armando C. Sousa
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