Alcino de Aldibela
II
Da ultima vez que estivemos com Alcino e Bália, debaixo
dos alvores que os encobria da luz do luar, ficaram discutindo
ideologias.
Alcino pegando na mão de Bália com enorme meiguice,
olhando-a diretamente em seus olhos, mirando-a de cima abaixo
como a despindo de todos os luxos que a cobriam, como todas as
vestes caíssem a seus pés.
Foi dizendo, eu cinto grande inclinação por ti como
mulher, mas tu já reparaste na grande diferença
que fazes das raparigas de Aldibela?…sobretudo quando estás
vestida!?…
Bália quase com lágrimas a escorrer-lhe pela cara,
o que não aconteceu porque esta as dissimulou a tempo,
perguntou; mas afinal qual a diferença que eu faço
das moças de Aldibela?…
Alcino pegando-lhe docemente em suas mão delicadas disse;
repara Bália tudo que tu vestes neste momento nada é
teu, nada fizeste para que o merecesses, tudo te foi dado por
quem tem o poder de o retirar, aos miseráveis trabalhadores
do Condado de Vermoim, teu pai; enquanto aqui em Aldibela, todos
ganham o que necessitam com seu trabalho.
Tudo que cobre estas moças de Aldibela, lhes pertence,
e tu Bália podes verificar que são felizes, repara
como cantam e como dançam, e um dia quando o amor bater,
as escolas terão de crescer, haverá muito mais alegria,
porque ninguém ri tanto como uma criança, uma criança
normalmente ri 200 vezes ao dia, um adulto pouco mais de meia
dúzia.
Tu Bália não fazes mais que abrir a boca, e todos
correm para te servir… que lhe dás tu em troca?…
Ainda hoje as raparigas foram ao peixe a Vila do Conde, mas como
aqui não existe moeda, elas levaram camisolas, feitas por
estas moças, a lã foi retirada ás ovelhas,
que pastam no monte de S Miguel o Anjo e os pastores tantas vezes
se sentam no penedo da fraga, onde existe as pocinhas de lagrimas,
choradas pela moura encantada, da montanha campos e rios, os habitantes
de Aldibela retiram tudo que lhes é necessário;
mesmo a alegria que sai em risos de contentamento e amor.
Os homens do mar irão apreciar o conforto e sentirem o
calor das camisolas que estas moças confeccionaram, pagando
com horas de trabalho, a delicia do fruto do mar.
Bália agarrando-se ainda mais forte ao braço de
Alcino disse-lhe; ficarei em Aldibela, para ganhar como as outras
o direito a teu amor.
Alcino com ternura disse-lhe é impossível cometeres
tal loucura, mesmo que o concilio te autoriza-se a ficar, teu
Pai reuniria um exercito para destruir a vila de Aldibela.
A rapariga com tristeza pediu ao Alcino se acompanhava ao coche
bem luzidio puxado por quatro lindos cavalos brancos da raça
Lusitana, onde se encontrava sua dama de companhia; Bália
se retirou com um meigo olhar, dizendo com seus botões
este jovem fará a felicidade de qualquer moça; farei
o meu possível para merecer sua confiança e quem
sabe, seu amor.
Ao outro dia quando sua mãe a ia acordar para a lição
de piano, Bália encontrava-se vestida com roupa de uma
criada que tinha sido despedida, e fora obrigada a deixar as vestes
de trabalho por imposição de sua mãe.
Sua mãe ficou surpreendida e irritada, ao ver sua filha
como uma plebéia, e ordenou-lhe para que despisse aquela
roupa; o que Bália recusou, dizendo à mãe,
seria bem melhor que a Sr.a mãe me ensinasse a ser alguém,
que pudesse contribuir para a sociedade, com o meu trabalho, em
vez de me ensinar a ser uma Sr.a de nariz erguido, com atitudes
tirânicas.
A mãe vai para lhe dar uma estalada, a que Bália
se esquivou num gesto lesto e quase de desafio; a mãe parou
sentando-se na cama.
Bália sentou-se também abraçando a mãe
pedido perdão, pediu também licença para
lhe contar o sucedido na noite anterior, em Aldibela da Fraga
quando procurou seduzir Alcino, a mãe compreendeu que Bália
se encontrava enamorada de Alcino, e que suas ideologias faziam
sentido, mas que nunca seriam aceites, pela ambição
e pelo poder, e que teria de despertar o senhor seu marido Conde
de Vermoim.
Naquele dia Bália pediu a sua criada para lhe deixar fazer
todo o trabalho debaixo de sua sobrevirão, a criada respondeu,
se a menina quer aprender a tratar do palácio, mantendo-o
a brilhar; trabalharemos em conjunto, como duas boas amigas.
O palácio ficou resplandecente, mas duas moças contentes
se abraçaram com amizade, por ter as duas completado a
limpeza do palácio.
Bália estava cansadíssima, mas satisfeita, por se
ter iniciado a valer alguma coisa para a vida, foi para a cozinha
ajudando a lavar todas as faianças. Seu pai estranhou tanto
sacrifício de sua filha, chamando-a e dizendo; eu não
quero verte outra vez ajudando os criados, teu lugar é
o piano para entreter os belos Condes e viscondes que te apresentarei.
Bália contou a seu pai que estava enamorada de Alcino de
Aldibela e que iria passar uns dias com aquela gente muito gentil
e aprender a trabalhar o linho e a lã, que não queria
ser uma parasita na vida como esses moços de que o Conde
falava.
O conde ficou louco de raiva dizendo tu não sais do palácio,
e saiu ver como corriam as minas no monte da Cruz.
Ao regressar ao Palácio o conde viu que o cavalo branquinho
Lusitano de Bália estava aparelhado para sair, esperou
um momento e viu sair sua filha montando seu cavalo que se dirigia
em direção de Aldibela, o conde realizou que Bália
estava enamorada das ideologias da gente de Aldibela.
Desesperado e espumando pelos canta da boca com raiva, travou
os passos da rapariga, manietando-a; a levou sem mais contemplações
para a torre do destino, ela ali ficou saltando durante a noite,
soltou grito dilacerantes, de amor e de desespero. Mas ninguém
a ouvia, apenas a criada que a ajudou a limpar o Palácio,
que ali também foi encerrada.
Depois que Alcino terminou a maqueta do novo campo dos desportos,
por momentos pensou o que se teria passado com aquela rapariga
de olhos meigos, mas ingênua, que vivia com a opulência
da riqueza, seguindo a ideologia de seus pais.
Por momentos lembrou-se, chamar por sua madrinha ou cobrinha de
olhos azuis, queria ter novidades da moça; mas um sono
pesado o obrigou a dormitar mesmo com a cabeça na secretaria,
e logo em sonho veio sua madrinha mostrar-lhe onde se encontrava
Bália, chorando, imaginando a crueldade de seu pai, para
impor poder.
Alcino enquanto sonhava foi levado no pressentimento do sonho,
junto á torre do destino, ali ouvia gritos de dor e com
uma mistura de raive e de amor, acordando em sobressalto.
Ao acordar aquela beleza mourisca do penedo da fraga estava junto
de si, mãos nos ombros do Alcino, um belo sorriso, e nos
lábios bailava uma pergunta.
Alcino queres tu viver com em espírito, com Bália
na ilha do amor?… Olha Alcino o Conde está juntando
os exércitos vizinhos, para te prender e a todos os de
ideologia contraria a sua.
Tu Alcino se amas o corpo de Bália vive com ela, e na realidade
viverás com teu povo enquanto este precisar de ti, Alcino
acredita como tens acreditado e as fadas do penedo da fraga eram
dar uma grande lição aos Condes Bracálios
para nunca mais se esquecerem.
Nas asas das fadas, todos partiram para a torre do destino, alia
as fadas do penedo da fraga pegaram em Bália adormecida
e a depositaram na ilha do amor, deixando-a deitada numa tenda
para ela inusitada, forrada a peles de ursos brancos, que vinham
recolhendo nos leitos de morte desses animais. As fadas guardavam
as peles, para compor tendas das mil e uma noites; ao lado de
Bália depuseram o espírito de Alcino a seu lado…
Ao acordarem Alcino e Bália…
(Breve mais um Capítulo)
Por:
Armando C.
Sousa