Alcino
de Aldibela I
Creio
que todos meus leitores que leram pocinha de lágrimas,
devem se recordar que a figura principal se chamava Alcino.
Todos
os sonhos iniciados no penedo da fraga, onde diziam que dentro
se encontrava uma princesa moura encantada, mas a chave de a encontrar,
escondia-se no murmurar da água, da fonte que ninguém
via.
Claro
que para conhecer toda a historia desta princesa, terão
de ler todos os capítulos da pocinha de lágrimas.
Depois
da fada sua madrinha ter ensinado a Alcino tudo que havia de importante
na vida.
Alcino trabalhou dia e noite para desenhar e construir a Vila
Aldibela da Fraga.
Ali não havia moeda, tudo era pago por hora de trabalho.
Havia
felicidade naquela vila, sem inveja, mas um dia que houve um terramoto
e danificou as estruturas, o ferro principiou a enferrujar-se,
fazendo Alcino pensar se não haveria, uma maneira de preservar
as construções!
Com
grandes saudades de sua madrinha, da cobrinha dos olhos azuis,
dos colegas de pastorícia, da fonte, que lhe desvendou
o segredo da princesa encantada, Alcino subiu o monte de S. Miguel
do Anjo e foi sentar-se no penedo da fraga, revendo toda a sua
meninice, donde nasceu a idéia imposta por sua madrinha
da construção da Vila.
Por
momentos seus olhos fecharam, sua mente voltou como num sonho
a um passado não distante, onde via a cobrinha dos olhos
azuis surgir por entre o matagal.
Foi no momento que uma mão meiga lhe pousou sobre o ombro,
e o chamava, Alcino, Alcino! Seu olhos abrira-se e a seu lado
encontrava-se a mais bela mulher jamais vista por seus olhos.
Ela
lhe perguntou, o que é que te apoquenta? Porque cismas??…
Alcino depois de estremecer e dar um grande ai, respondeu: Quem
és tu bela donzela?
Então
a resposta fez-se ouvir; sou aquela em que tu estavas pensando,
a princesa encantada, a cobrinha dos olhos azuis.
Sei
que procuras materiais para os edifícios de Aldibela, que
não enferruje, mas no monte de margarida não existe,
terás de os comprar, sei que o não podes fazer porque
a vossa felicidade é viver sem moeda, só a cobrinha
dos olhos azuis poderá resolver os teus problemas.
Esses
materiais se chamam inoxidável, se juntam ao ferro e terminou
a ferrugem, ou então o zinco, eles se encontram na serra
do Conde de Vermoim, mas a ambição do Conde é
grande, e só o ouro o poderá satisfazer. Se confias
em mim tu o poderás obeter; será ouro para obeter
trocas, mas apenas será cabêços de carvalho
quando visto com olhos de inveja e cobiça.
Alcino,
tu terás apenas de cortar os cabêços apodrecidos
nas redondezas do monte de
S. Miguel do Anjo e guarda-los em tulhas na casa forte da Vila
de Aldibela, três dias depois, se tornaram solido ouro que
só poderá ser usado para reconstruir Aldibela.
Alcino
andou noites e noites cortando os cabêços de carvalho,
e os arrecadando em tulhas.
Depois
chamou os idosos que governavam Aldibela, lhe expondo seu plano
e lhe mostrou a fortuna que poucos olhos viam.
O
Conde de Vermoim foi chamado para iniciar o negocio, que depois
de verificar toda a fortuna que dispunha Aldibela da Fraga, concordou
em minar o monte da cruz e extrair o minério que haveria
de manter as estruturas de Aldibela durante séculos.
Alcino
tinha-se transformado homem com os anos, cresceu num meio de educação
e de magia, tornando num moço esbelto, e cheio de seriedade,
mas também cheio de humor, a fama de sua beleza corria
todas as aldeias vizinhas de Aldibela, as moças mais bonitas
e mais ricas, mesmo contra vontade de seus pais, vinham passar
o fim de semana a Aldibela, para viver da alegria dessa gente;
ao mesmo tempo, a prender como pagar com trabalho todos os benefícios
da vida, entre elas, disfarçada, vinha à filha do
conde de Vermoim, que não despregava os olhos daquele rapaz
cheio de juventude e franqueza.
Alcino
por vezes fixava seu olhar nos olhos meigos da rapariga, e entristecia
ao lembrar-se que sua ideologia estava muito longe dos pergaminhos
da família da moça; seria guerra entre famílias,
esse amor.
Então
Alcino cismava, cismava: e algumas vezes chegou a pensar na magia
de criança saída do penedo da Fraga ou da fonte
da Moura. Quantas vezes pensou em sua fada madrinha e na cobrinha
dos olhos azuis, e cismava!!!
Uma
tarde estando distraído jogando sua flauta, uma vós
feminina soprou a suas orelhas algumas palavras, que o fez estremecer,
olhou, o que viu era um esbelto rapaz, que o puxava para debaixo
das arvores onde o luar não penetrava, mas se podia ver
a grande alegria daquela gente da vila.
Esse
alguém que puxava Alcino para a escuridão levantou
o chapéu e logo madeixas de cabelos longos, caracolados
e sedosos caiam sobre os ombros, deixaram adivinhar um rosto angélico
e gracioso; era a Bália, filha do conde de Vermoim.
A rapariga pondo-lhe o dedo na boca de Alcino, como pedindo para
ele não falar, disse-lhe: Desculpa-me Alcino, mas eu amo-te
loucamente, e para falar contigo, para te declarar meu grande
amor, não tive outra solução se não
esta, e beijava as suas mãos como se Alcino fosse seu Senhor.
Num revirar, seus lábios encontraram-se, cruzaram-se por
alguns segundos, até que os dois voltaram há realidade
do lugar que se encontravam, Alcino como envergonhado de seu gesto,
pegando nas mãos da moça, disse perdoa-me Bália,
mas… não teve tempo de continuar, Bália pondo-lhe
o dedo sobre os lábios disse:
Alcino
eu sabia que nunca virias ter comigo, devido à grande diferença
de ideologias das nossas famílias, mas o amor entrou sem
eu o deixar, depois que ouvi lendas tão belas, desde o
teu tempo de pastorícia.
Por:
Armando C. Sousa